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Arcebispo de Recife e Olinda, Dom Helder pode ser beatificado e canonizado por defesa dos direitos humanos
Foto: CNBB/ Divulgação
O encerramento do 18º Congresso Eucarístico Nacional culminou com uma notícia que arrancou aplausos e gerou forte emoção no pátio da basílica de Nossa Senhora do Carmo, no centro do Recife.
O pedido de beatificação e canonização de Dom Helder Câmara avançou no Vaticano.
Toda a documentação enviada pela arquidiocese de Recife e Olinda foi validada pelo Dicastério da Causas dos Santos.
O processo é rigoroso, mas a expectativa é que o Papa Francisco declare o bispo, que é o Patrono dos Direitos Humanos no Brasil, venerável pela Igreja Católica Apostólica Romana.
A notícia foi dada pelo arcebispo de Recife e Olinda, Dom Fernando Saburido, à uma multidão que somava 20 mil pessoas que participaram da cerimônia, uma Missa no Marco Zero da capital pernambucana.
Dom Fernando leu o comunicado enviado pelo vice postulador da causa de canonização de Dom Helder, frei Jociel Gomes.
Tomados pela emoção, todos seguiram em procissão com o Santíssimo Sacramento até a basílica. Os restos mortais do religioso estão sepultados na Catedral de Olinda.
“Doravante, solicitaremos a nomeação de um Relator e iniciaremos a elaboração da Positio, que será, posteriormente, analisada pelas comissões de historiadores, teólogos, bispos e cardeais, a fim de que deem os seus pareceres. Com a aprovação destas comissões, o Papa poderá declará-lo venerável”, diz o comunicado do Vaticano.
Para Dom Fernando, trata-se de “uma grande alegria que encheu os corações e vamos rezar para que o quanto antes possamos ver este processo caminhar e termos no futuro a satisfação de ter Dom Hélder, este grande bispo da nossa Igreja, como um santo, alguém que mereceu o reconhecimento da Igreja pelas suas virtudes, pelos seus valores, sendo um modelo de vida para todos nós”.
Em 21 de dezembro de 2020, o Papa Francisco já demonstrou sua admiração por Dom Helder.
Em discurso de felicitações de Natal proferido à Cúria Romana, Francisco sem citar o nome do religioso que faleceu em 27 de agosto de 1999 disse:
“Recordo o que dizia aquele santo bispo brasileiro: “Quando me ocupo dos pobres, dizem de mim que sou um santo; mas, quando me pergunto e lhes pergunto: ‘Por que tanta pobreza?’, chamam-me ‘comunista’”.
A omissão do nome de Dom Helder tem motivos que esbarram na tradição católica. Há os que dizem que ao se referir a uma pessoa como santa, um pontífice o declara de imediato.
Isso chegou a dizer ao Extra Classe o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns em entrevista. Segundo ele, ao ser indagado pelo Papa Paulo VI sobre o que pensava de Dom Helder, disse que o considerava um grande místico. A ideia segundo o cardeal, que já considerava Dom Helder um santo em vida, evitar possível constrangimento ao pontífice.