JUSTIÇA

Operação da PF atinge deputado do PSL e suplente de senador do PSDB

Ação de busca e apreensão, realizada nesta terça-feira, 16, em quatro estados, coleta informações para o inquérito sobre crimes contra a democracia brasileira
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 16 de junho de 2020

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O deputado Daniel Silveira, à esquerda, ao lado de Rodrigo Amorim: placa em homenagem a Marielle Franco rasgada.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ao todo, são 21 pessoas que estão sob o trabalho dos agentes da Polícia Federal no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Entre eles, dois empresários com vínculos no processo de criação do Aliança, partido político que Bolsonaro tenta criar, e o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). Luis Felipe Belmonte, um dos empresários alvos da ação, é 1º suplente de senador pelo PSDB.

Os policiais, além dos atos que foram realizados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), estão apurando o financiamento das atividades. A operação foi um pedido da Procuradoria Geral da União (PGR) aprovada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Até o momento, além do deputado Daniel Silveira, os nomes dos militantes bolsonaristas que receberam a visita da PF são os blogueiros Allan dos Santos, conhecido como Allan Terça Livre, Fernando Lisboa e o youtuber Ravox Brasil. Allan dos Santos também foi alvo de recente busca e apreensão por parte da PF. Na ocasião, no inquérito sobre as Fake News.

Também integram a lista até o momento conhecida o publicitário Sérgio Lima, marqueteiro da Aliança pelo Brasil, e o empresário Luis Felipe Belmonte, vice-presidente da futura agremiação de Bolsonaro, conhecido como o suposto financiador e organizador do novo partido.

Milionário, até dois anos atrás Belmonte vivia na Inglaterra. De lá gerenciava seus negócios no Brasil que inclui um time de futebol, o Real Brasíllia.

PSDB, precatório e Laranja

Foto: Reprodução

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Belmonte é advogado e seu escritório, o Luís Felipe Belmonte e Advogados Associados, é especializado em processos contra a União que chegam ao STF.

Ele concorreu em 2018 a 1º suplente de senador pelo PSDB-DF. Ironicamente no dia de ontem, 15, o presidente nacional do PSDB emitiu um comunicado onde disse que os governos do PT e de Bolsonaro se “irmanam na destruição do país”.

Em maio de 2017 a PGR apresentou denuncia contra o escritório do empresário e a teve seus termos ratificados pelo Ministério Público Federal (MPF).

Segundo a acusação, Belmonte conseguiu liberar um pagamento de R$ 107 milhões de um processo trabalhista, relacionado a um precatório da União.

Para a PGR, de forma estranha, o desembargador Vulmar de Araújo Coelho Junior havia suspendido o pagamento de um processo de precatórios, mas voltou atrás e reviu sua decisão e liberou que a União pagasse os valores.

O escritório de Belmonte faturou assim R$ 11 milhões de honorários. Ainda segundo a denúncia da PGR, Belmonte usou um laranja para comprar um imóvel do desembargador.

Como ainda não houve abertura de ação penal, o empresário não figura como réu.

Marielle e terrorismo

O deputado Daniel Silveira foi o primeiro a se manifestar hoje após a ação da PF. Em suas redes sociais, o deputado disse que os agentes foram ao seu apartamento e que isto, para ele, seria um fato de que estava incomodando.

Mais tarde o deputado disse que se dirigiu à sede da PF e exerceu o seu “direito de permanecer em silêncio”. Ele diz aguardar ter acesso ao inquérito que deve acontecer por volta das 13 horas de hoje.

Silveira se auto-define em suas redes como “Policial militar, Conservador, Direito, Deputado Federal, vice líder do governo na Câmara dos deputados, totalmente parcial e ideológico. *Non ducor duco*”.

Em campanha no ano de 2018, Silveira se tornou conhecido por rasgar uma placa de rua com o nome da vereadora Marielle Franco, segundo as investigações assassinada por integrantes das milícias cariocas.

No último dia 1º de junho, o deputado Daniel Silveira apresentou um Projeto de Lei (PL) para que o Congresso classificasse como terroristas, enquadrando na Lei Antiterrorismo, os grupos antifascistas que realizaram em 31 de maio manifestações Brasil afora contra o presidente Jair Bolsonaro.

Um dia após o outro

A ação da PF ocorre um dia após a detenção de Sara Winter e mandados de prisão de outros líderes de movimentos de extrema-direita. Mesmo sob o mesmo inquérito, a PF informa que foram procedimentos diferentes.

Sara e os outros ativistas tiveram prisões temporárias decretadas à pedido da PGR por ameaças à sociedade como a agressão a jornalistas e o recente bombardeio à sede do STF.

Uma prisão provisória dura até cinco dias, mas pode ser renovada pelo mesmo período ou transformada em prisão preventiva.

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