MOVIMENTO

FSM inicia com diálogos sobre estratégias e alianças

O Fórum Social Mundial (FSM) 2021 quer se reafirmar como um espaço de articulação, convergência e potências
Por Clarinha Glock / Publicado em 23 de janeiro de 2021
Assembleia preparatória ao FSM2021, realizada em março de 2020: articulação e convergências para um outro mundo possível pós-pandemia

Foto: FSM2021/ Divulgação

Assembleia preparatória ao FSM2021, realizada em março de 2020: articulação e convergências para um outro mundo possível pós-pandemia

Foto: FSM2021/ Divulgação

A pandemia de covid-19, que já causou a morte de mais de dois milhões de pessoas em todo mundo, foi contextualizada nas falas de participantes do primeiro painel do Fórum Social Mundial 2021 virtual intitulado “Que tipo de mundo queremos para hoje e amanhã? Não o de Davos”, na abertura do evento, neste sábado, 23.

Melike Yasar, do Movimento de Mulheres Curdas

Foto: FSM2021/ Reprodução

Melike Yasar, do Movimento de Mulheres Curdas

Foto: FSM2021/ Reprodução

“Em uma época em que o capitalismo tenta, com a pandemia, construir um novo mecanismo de controle sobre os povos, não podemos permitir que as potências aproveitem os espaços vazios que deixamos para se apropriar dos debates”, ressaltou Melike Yasar, do Movimento de Mulheres Curdas.

Melike lembrou que as mulheres são as primeiras a sofrerem com as opressões. Sugeriu a construção de um novo internacionalismo em que as mulheres se sintam parte das lutas, e lembrou que muitas que se levantaram contra as violências do sistema capitalista e patriarcal foram presas, perseguidas ou mortas.

A escritora e ativista africana Aminata Traoré: “É a mãe África que se menospreza quando se assassinam negros”

Foto: FSM 2021/ Divulgação

A escritora e ativista africana Aminata Traoré: “É a mãe África que se menospreza quando se assassinam negros”

Foto: FSM 2021/ Divulgação

Da mesma forma, a escritora e ativista Aminata Dramane Traoré, que já foi ministra da Cultura e candidata à presidência do Mali, defende que o FSM é uma oportunidade de buscar a solidariedade entre os povos. A pandemia mostrou as desigualdades, mas antes da crise sanitária os países africanos sofriam com políticas neoliberais, recordou. “É a mãe África que se menospreza quando se assassinam negros”, resumiu, lembrando do assassinato de George Floyd.

Narcoestado e assassinatos de ativistas

Miriam Miranda, ativista hondurenha: nosso país é um narcoestado

Foto: FSM 2021/ Reprodução

Miriam Miranda, ativista hondurenha: nosso país é um narcoestado

Foto: FSM 2021/ Reprodução

“O que faltou? Por que as crises políticas não só se repetem, como também estão se aperfeiçoando?”, questionou Miriam Miranda, ativista hondurenha. “Falo em nome de um país que sofreu sucessivos golpes. Temos um narcoestado, e o maior número de assassinatos de defensores e defensoras de direitos humanos. Os hondurenhos estão abandonando o país em caravanas. Há um plano de esvaziamento do território”, denunciou.

A ativista considera que Honduras se tornou um laboratório político para golpes que causam a destruição do tecido social. Ficou “assustada” ao perceber que não houve repercussão diante do golpe de Estado em Honduras – em seguida vieram os golpes no Paraguai e no Brasil. Com a ascensão do fascismo e do fundamentalismo, a pandemia também convoca a fazer uma análise deste modelo, afirmou.

Da Grécia à Índia, a resistência urgente

Varoufakis: falhamos porque não temos um plano comum

Foto: FSM 2021/ Reprodução

Varoufakis: falhamos porque não temos um plano comum

Foto: FSM 2021/ Reprodução

“Por que falhamos? Porque não temos um plano comum”, disse o economista grego Yanis Varoufakis. O economista, um dos criadores da Internacional Progressista, explicou que essa iniciativa visa a justamente fomentar a união de ativistas em ações e lutas locais, dando a elas um caráter global.

Para o ambientalista indiano Ashish Kothari, há diferentes tipos de respostas. Uma delas é a resistência na forma de protestos, como o de fazendeiros em Nova Déli contra as políticas injustas, ou de jovens em relação à emergência climática.

O ambientalista indiano Ashish Kothari apontou alternativas

Foto: FSM 2021/ Reprodução

O ambientalista indiano Ashish Kothari apontou alternativas

Foto: FSM 2021/ Reprodução

A outra é a construção de alternativas nas áreas de alimentação e energia, de movimentos por autonomia. Um desafio, segundo Kothari, é que essa luta esteja baseada na defesa da ética e de valores como solidariedade, diversidade, respeito, coletividade, em diferentes geografias.

Educação emancipadora

O painel teve ainda a participação de integrantes do Conselho Internacional do FSM, como Sheila Ceccon, do Instituto Paulo Freire, que salientou: “Vivemos uma guerra de informações no âmbito da comunicação e da educação. Precisamos fortalecer os processos educativos críticos e emancipadores, comprometidos com a participação social, defesa do meio ambiente e luta pela democracia. Aminata falou em reeducar os povos e o olhar do mundo sobre nós, Kothari sobre resistências, mas não se constrói resistência sem educação”. Sheila concluiu com uma referência ao educador Paulo Freire: “Para que um outro mundo seja possível, uma outra educação é necessária e isso precisa ser discutido e visibilizado por todos e todas, independentemente dos movimentos em que atuamos”.

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