Marinho quer mudar trechos da reforma trabalhista

O novo ministro do Trabalho destacou que pretende apresentar uma proposta de regulação do trabalho por aplicativo ainda no primeiro semestre de 2023
Marinho quer mudar trechos da reforma trabalhista

Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A última terça-feira, 3, marcou a volta ao Ministério do Trabalho e Emprego do seu novo ministro, Luiz Marinho. A pasta chegou a perder o status de ministério no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, tornando-se uma secretaria do ministério da Economia. Depois, foi recriada para acomodar Onix Lorenzoni em sua saída da Casa Civil.  O novo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT) experiente na pasta já chegou firmando compromissos no sentido de dar protagonismo à agenda trabalhista, com forte participação nas políticas de desenvolvimento econômico, tecnológico e social do país.

O ministro disse que vai apresentar, em curto prazo, uma política permanente de valorização do salário-mínimo ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Em seu discurso, Marinho falou da importância de promover “empregos dignos, com bons salários e proteção social, trabalhista e previdenciária” a todos. Disse que autônomos, empregados domésticos, trabalhadores de aplicativos e plataformas e jovens que não trabalham nem estudam terão uma atenção especial em sua gestão. “O trabalho volta a ser um instrumento fundamental para acabar com a fome, a pobreza e a desigualdade social”, disse.

O novo ministro afirmou também que dará ênfase ao diálogo social. “A casa está de portas abertas aos sindicatos, que são a voz dos trabalhadores, às confederações e às entidades empresariais”, garantiu.

Ele prometeu agilizar a Regulamentação da convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do Direito de Sindicalização e Relações de Trabalho na Administração Pública.

Segundo ele, é preciso fazer negociações coletivas fundadas em boas práticas e diálogo com sindicatos fortes com ampla base de representação e representatividade e capacidade autônoma de se organizar e de se financiar.

“Fortalecer os coletivos autônomos, valorizar a negociação coletiva e promover o ‘tripartismo’, é com esta visão que atuarei não apenas à frente desse ministério, mas em toda a Esplanada para fazer com que essa agenda do Trabalho e Emprego seja fortemente incorporada às políticas de desenvolvimento econômico, tecnológico e social”, disse.

Entre as prioridades das políticas trabalhistas, Marinho enfatizou o fim da desigualdade entre homens e mulheres, negros e brancos. E afirmou que “as inovações tecnológicas serão uma pauta estratégica, aliada ao trabalho e ao emprego, para gerar renda, riqueza, e elevar o padrão de vida dos brasileiros”.
No discurso, Marinho defendeu ainda, “padrões de regulação do trabalho” realizado via aplicativos para garantir condições dignas nas áreas da “saúde, segurança, previdenciária e trabalhista”.

Marinho disse ainda que conduzir a pasta será desafiador, mas que com convicção e vontade todas as dificuldades serão superadas. “Temos uma nação para unir e reconstruir”, destacou.

Nova reforma trabalhista

Em coletiva de imprensa, o novo ministro do Trabalho destacou que pretende apresentar uma proposta de regulação do trabalho por aplicativo ainda no primeiro semestre de 2023.

Segundo Marinho, trata-se de uma proposta de reforma trabalhista “fatiada”, que será enviada pelo governo ao Congresso Nacional. Para situar os jornalistas, mencionou a legislação espanhola como exemplo para organizar novas relações trabalhistas. Porém, garantiu que não haverá revogação completa da reforma trabalhista realizada no governo Michel Temer, mas mudanças em “trechos”.

Quem é Luiz Marinho

Ex-prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Marinho volta a ser ministro, no governo de Lula, depois ter comandado a mesma pasta entre 2005 e 2007. Ele também foi o titular do Ministério da Previdência Social entre 2007 e 2008.

Marinho deixou o governo federal no final de 2008 para concorrer à prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), município que comandou de 2009 a 2016. Atualmente, ele preside o diretório estadual do PT em São Paulo e foi eleito deputado federal nas eleições de outubro.

Marinho é formado em Direito, mas acumula uma longa trajetória como sindicalista e político. Foi nos anos de 1970, como operário de uma montadora, que iniciou a participação em movimento sindical que se fortalecia, à época, na região no entorno da capital, conhecida como ABC.

Em 1996, chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – o mesmo que, duas décadas antes, foi presidido por Lula. Permaneceu no cargo até 2003, quando assumiu a presidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

.

Comentários