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Material distribuído em ato em frente a Embraer, uma das empresas prejudicadas pelo tarifaço
Foto: Roosevelt Cassio/Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
O Comitê de Defesa da Soberania Nacional está convocando a população a participar de ato leitura pública da “Carta em Defesa da Soberania Nacional”, na próxima sexta-feira, 25 de julho, às 11h, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, com concentração popular no Largo São Francisco, no centro de São Paulo.
O ato contará com a presença de entidades representativas de juízes, promotores, defensores de direitos humanos, sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Dezenas de organizações da sociedade civil também aderiram à iniciativa.
Segundo os organizadores do ato, o evento tem o objetivo de denunciar interferências do governo dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil e prestar solidariedade ao Judiciário brasileiro e ao Ministério Público, que vêm sendo alvos de ataques do presidente norte-americano Donald Trump.
“O poder soberano é do povo brasileiro. Há mais de dois séculos conquistamos nossa independência e governamos o nosso destino. Como nação, nos expressamos democraticamente e nos subordinamos apenas à lei e à Constituição”, afirma o comitê no convite à população.
O documento que será lido no ato ressalta que “a soberania está sendo atacada de maneira vil e indecorosa” e conclama a sociedade civil a defender a cidadania, as instituições constitucionais e os interesses econômicos e sociais do país.

Empregos ameaçados: manifestação dos metalúrgicos na Embraer em São José dos Campos, a segunda cidade do Brasil que mais exportou produtos para os Estados Unidos, em 2024, US$ 1,9 bi, em aeronaves e peças espaciais
Foto: Cristiane Cunha/Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
O ato responde a recentes medidas hostis do governo Trump contra o Brasil. Em 9 de julho, o presidente dos EUA anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos norte-americanos, além da abertura de uma investigação comercial contra o país.
Na ocasião, Trump justificou as medidas alegando haver uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mencionou supostas “ordens de censura secretas e ilegais” do Supremo Tribunal Federal contra empresas americanas.
No dia 18 de julho, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a revogação do visto do ministro do STF Alexandre de Moraes e de seus “aliados”, em novo gesto interpretado como interferência direta no sistema judiciário brasileiro.
“Diálogo e negociação são normais nas relações diplomáticas. Violência e arbítrio, não. Nossa soberania é inegociável”, diz o documento. “Quando a nação é atacada, devemos deixar nossas diferenças políticas de lado para defender nosso maior patrimônio.”

lideranças da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), além de empresários, se reuniram no dia 16 de julho com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin
Foto: Cadu Gomes / VPR
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, lideranças da Força Sindical, UGT, CTB, CSB e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), além de empresários, se reuniram no dia 16 de julho com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin. O encontro teve como pauta a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, anunciada pelo governo de Donald Trump.
Durante a reunião, Sérgio Nobre ressaltou a importância da união para proteger a soberania nacional, os empregos e a indústria do país. “Diante dessa agressão à nossa soberania e da sabotagem ao desenvolvimento econômico do Brasil, a união do setor produtivo é fundamental para que o país possa evitar uma crise em que o maior prejudicado será o trabalhador”, afirmou.
Pelas redes sociais, Alckmin defendeu o diálogo como principal instrumento do governo federal. “A palavra de ordem é o diálogo, e o foco do governo do presidente Lula é a negociação com os EUA”, publicou.
As centrais sindicais entregaram um documento ao vice-presidente com seis propostas para preservar os empregos e garantir a soberania nacional diante da medida adotada pelos Estados Unidos. O documento foi assinado pelos presidentes das seis centrais: CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB.
Fortalecer medidas antidumping e salvaguardas comerciais.
Ampliar os investimentos na Nova Indústria Brasil (NIB), com foco em inovação, sustentabilidade e encadeamento produtivo interno.
Estimular a produção nacional por meio de compras públicas e política de conteúdo local.
Reforçar investimentos em infraestrutura social e produtiva com vínculo à indústria nacional.
Fortalecer o BNDES e os bancos públicos como indutores do investimento.
Rever a Lei de Patentes para coibir abusos de propriedade intelectual.
Ampliar investimentos públicos em pesquisa, desenvolvimento e tecnologias críticas (como semicondutores, IA, biotecnologia e hidrogênio verde).
Reposicionar o Brasil em cadeias produtivas estratégicas no cenário internacional.
Recriar o Programa de Proteção ao Emprego com fundos de compensação e programas de transição para trabalhadores afetados.
Investir em qualificação e requalificação profissional, articulada a um sistema nacional de intermediação de mão de obra, com foco em setores estratégicos.
Fortalecer os sindicatos para garantir negociação coletiva nos setores afetados.
Incluir cláusulas de proteção ao emprego nos acordos coletivos, alinhadas às diretrizes de políticas públicas de preservação de empregos.
Criar espaços permanentes de concertação entre governo, trabalhadores e empresários, como o CDESS (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável) e o CNDI (Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial).
Incluir representantes dos trabalhadores na formulação das políticas industrial, cambial, comercial e tecnológica.
Criar câmaras setoriais para alinhar estratégias específicas por setor.
Implementar o plano nacional de transição ecológica com foco em justiça social e geração de empregos verdes e azuis.
Estimular a economia circular, a agricultura regenerativa, o reflorestamento e a bioeconomia na Amazônia.
Garantir que novas cadeias produtivas sustentáveis sejam internalizadas, gerando trabalho e valor no Brasil — não apenas exportação de matéria-prima.
Buscar novos mercados e estabelecer novas parcerias econômicas.
Revisar acordos internacionais que enfraqueçam a indústria e os direitos trabalhistas.
Fortalecer o Mercosul e a cooperação Sul-Sul.
Transformar o Conex (Comitê Nacional de Exportadores) em um conselho tripartite com presença efetiva dos sindicatos industriais.
Revisar a LETEC (Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul) com critérios técnicos voltados à reindustrialização nacional via NIB.
LEIA A ÍNTEGRA DA CARTA QUE SERÁ APRESENTADA NO ATO :
A soberania é o poder que um povo tem sobre si mesmo. Há mais de dois séculos o Brasil se tornou uma nação independente. Neste período, temos lutado para governar nosso próprio destino. Como nação, expressamos a nossa soberania democraticamente e em conformidade com nossa Constituição.
É assim que, diuturnamente, almejamos alcançar a cidadania plena, construir uma sociedade livre, justa e solidária, erradicar a pobreza e a marginalização, reduzir as desigualdades sociais e regionais e, ainda, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Nas relações internacionais, o Brasil rege-se pelos princípios da independência nacional, da prevalência dos direitos humanos, da não intervenção, assim como pelo princípio da igualdade entre as nações. É isso o que determina nossa Constituição.
Exigimos o mesmo respeito que dispensamos às demais nações. Repudiamos toda e qualquer forma de intervenção, intimidação ou admoestação, que busquem subordinar nossa liberdade como nação democrática. A nação brasileira jamais abrirá mão de sua soberania, tão arduamente conquistada. Mais do que isso: o Brasil sabe como defender sua soberania.
Nossa Constituição garante aos acusados o direito à ampla defesa. Os processos são julgados com base em provas e as decisões são necessariamente motivadas e públicas. Intromissões estranhas à ordem jurídica nacional são inadmissíveis.
Neste grave momento, em que a soberania nacional é atacada de maneira vil e indecorosa, a sociedade civil se mobiliza, mais uma vez, na defesa da cidadania, da integridade das instituições e dos interesses sociais e econômicos de todos os brasileiros.
Brasileiras e brasileiros, diálogo e negociação são normais nas relações diplomáticas, violência e arbítrio, não! Nossa soberania é inegociável. Quando a nação é atacada, devemos deixar nossas eventuais diferenças políticas, para defender nosso maior patrimônio. Sujeitar-se a esta coação externa significaria abrir mão da nossa própria soberania, pressuposto do Estado Democrático de Direito, e renunciar ao nosso projeto de nação.
Academia Paulista de Direito
Associação dos Advogados de São Paulo (AASP)
Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP
Centro Acadêmico XI de Agosto (USP)
Centro Acadêmico 22 de Agosto (PUC-SP)
Colégio Brasileiro de Faculdades de Direito Públicas e Gratuitas
Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos
Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Direitos Já! Fórum pela Democracia
Fórum das Centrais Sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NSCT, CSB, Intersindical e Pública)
Frente Brasil Popular
Grupo Prerrogativas
IBCCRIM – Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP)
Instituto Ethos
Instituto Vladimir Herzog
OAB-SP, OAB-MG, OAB-PR
Professores da FGV pela Democracia
Sindicato das Advogadas e Advogados de São Paulo
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
União Nacional dos Estudantes (UNE)