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No dia 26, uma marcha de abertura acontecerá às 18h, no Largo Glênio Peres (em frente ao Mercado Público)
Foto: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe
A capital gaúcha receberá mais de 3,5 mil ativistas de pelo menos 50 países, de cinco continentes, para a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O objetivo é construir, entre 26 e 29 de março, uma agenda comum para enfrentar o crescimento de movimentos autoritários por todo o mundo. As inscrições são gratuitas.
Mesas de debate com parlamentares, 11 conferências sobre as lutas de resistência e pelo menos 150 atividades autogestionadas ocorrerão na Ufrgs (Av. Paulo Gama, 110, Farroupilha), Universidade Federal de Ciências Médicas e auditórios de sindicatos.
Na quinta-feira, 26, uma marcha de abertura acontecerá às 18h, no Largo Glênio Peres (em frente ao Mercado Público).
O Cpers-Sindicato e a Adufrgs, filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizam o evento junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), partidos políticos e movimentos sociais.
A diretora do Cpers Rosane Zan relembra movimentos de extrema direita que incitaram perseguições a educadores e seus sindicatos na última década no Brasil. Trabalhadores da educação se viram alvo de campanhas que deslegitimavam a função docente, limitavam a liberdade de cátedra e que colocavam em risco a segurança física e emocional de professoras e professores.
“O Cpers foi duramente atacado neste último período, especialmente em 2018, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Nós fomos considerados doutrinadores em um contexto de ataques à educação pública como um todo. O que nos leva a construir esta conferência antifascista é que somos trabalhadores da educação e lidamos também com os filhos e filhas de trabalhadores.
Isso nos aponta ter uma consciência crítica, de defesa das políticas públicas, de defesa dos povos e das minorias”, destaca a educadora. “Não é por outro motivo que das seis entidades organizadoras, duas delas são entidades de educadores. O capítulo mais recente do fascismo está sendo escrito nas salas de aula, os professores estão sentindo todos os dias”, coaduna o professor Rodrigo Dilelio, presidente do PT Porto Alegre.

O Cpers-Sindicato e Adufrgs, ambos filiados à CUT, organizam o evento junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), partidos políticos e movimentos sociais
Foto: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe
A maior enchente da história do Rio Grande do Sul adiou os planos de realizar o encontro em maio de 2024. Quase dois anos depois, a convocatória do evento rememora a Porto Alegre núcleo de resistência popular que reuniu mais de 20 mil ativistas de 117 países em 2012, quando da realização do Fórum Social Mundial; e da mobilização popular que impediu um golpe de Estado em 1961.
“São quase 3 anos de organização e a expectativa vai se tornando mais concreta a partir das confirmações e da dimensão internacional que vem tomando, demonstrando unidade e força. Imaginamos que será um marco de retomada de processos de mobilização com o Brasil no centro dessa luta antifascista”, aposta Lara Rodrigues, coordenadora nacional do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul.

crescimento de movimentos políticos identificados com a extrema direita e disputas geopolíticas, em especial a atuação dos governos de Donald Trump, nos Estados Unidos, Javier Milei, na Argentina, e de Benjamin Netanyahou e a campanha de Israel contra a Palestina, exigem uma resposta única global dos movimentos antifascistas
Foto: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe
Investidas imperialistas em países na América Latina e Oriente Médio emergenciam o encontro, avaliam organizadores da Conferência. O crescimento de movimentos políticos identificados com a extrema direita e disputas geopolíticas, em especial a atuação dos governos de Donald Trump, nos Estados Unidos, Javier Milei, na Argentina, e de Benjamin Netanyahou e a campanha de Israel contra a Palestina, exigem uma resposta única global dos movimentos antifascistas.
Particular atenção está destinada às delegações estrangeiras e como o Brasil se beneficiará das trocas sobre as lutas e realidades de outros países.
“Virão os colombianos do Pacto Histórico, coalização de esquerda liderada pelo presidente Gustavo Petro (o partido mais votado nas eleições de março para o Senado e Câmara de Representantes); eurodeputados e membros do partido França Insubmissa, que antagonizará com o nome de Jean-Luc Mélechon a extrema direitista Marine Le Pen este ano. Também delegações sul-africana, espanhola, argentina e mais”, finaliza o vereador de Porto Alegre Roberto Robaina (PSOL).
A programação oficial da conferência foi apresentada no dia 11 de março com a participação do belga Eric Toussaint, porta-voz do Committe for the abolition of illegitimate debt (Comitê para abolição da dívida ilegítima), uma rede internacional de ativistas pela anulação da dívida de países e integrante do comitê internacional da Conferência, na Ufrgs. Acesse aqui a programação.