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Visibilidade lésbica e Ocupa Sapatão na 28ª Parada Livre de Porto Alegre, em 2025
Foto: Júlia Flôres/Divulgação
O projeto Visibilidade Lésbica – Ocupa Sapatão estreará um caminhão na 29ª Parada Livre de Porto Alegre, neste domingo, 14, para ampliar a visibilidade de mulheres lésbicas e reforçar o debate sobre a violência contra as mulheres. A iniciativa é resultado da articulação do Coletivo Feminino Plural em parceria com a ONG Outra Visão LGBT.
A programação da Parada Livre começa às 13h, no Parque da Redenção, e a tradicional marcha pelo entorno do Parque está prevista para as 16h. Neste ano, a Parada Livre traz o tema Nosso Orgulho na Urna, que propõe uma reflexão sobre a participação de pessoas LGBTI+ na política institucional. Segundo a organização do evento, trata-se da convocação para que a comunidade se envolva no processo eleitoral, especialmente em um ano de eleições, para avançar nos direitos civis, além do combate aos retrocessos.
A Parada contará com apresentações de artistas locais e diferentes ações voltadas à cidadania da população LGBTI+, como a Rua dos Direitos, realizadas de forma articulada entre órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Entre elas, o Sindicato dos Professores (Sinpro/RS).
A psicóloga Teresa Cristina Bruel dos Santos, da coordenação do Coletivo Feminino Plural, afirma que participar da abertura da Parada Livre também representa resposta ao histórico silenciamento das mulheres lésbicas. A expectativa é que a mobilização contribua para ampliar a visibilidade desse grupo e fortaleça o debate sobre igualdade de direitos e representação social.
“Além de ampliar a visibilidade, coloca essa pauta no centro de um dos maiores eventos de diversidade do estado”, afirma. “O aumento absurdo de lesbocídios (assassinato de mulheres lésbicas motivado pelo ódio) e de transfeminicídios (assassinato de travestis e mulheres transexuais motivado por aversão de gênero) em nosso país torna essa luta urgente”.
Segundo o Grupo Gay da Bahia, o Brasil lidera o ranking mundial de mortes LGBTI+. Em 2025, foram 257 mortes violentas de pessoas da comunidade, equivalente a uma morte a cada 34 horas.
Fundado em 1996, o Coletivo Feminino Plural atua na defesa dos direitos humanos de mulheres e meninas. Ao longo de sua trajetória, passou a incorporar a pauta da diversidade sexual e de gênero às ações da organização. A avaliação do grupo é que a luta feminista deve contemplar todas as mulheres, incluindo lésbicas, bissexuais e pessoas trans.
O projeto Visibilidade Lésbica – Ocupa Sapatão é realizado por meio da Emenda nº 025502/2025, destinada pela deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), e tem como objetivo ampliar a presença das mulheres lésbicas nos espaços públicos, fortalecer a participação política e estimular a formulação de políticas voltadas às áreas de saúde, cultura e diversidade.
Para enfrentar o cenário de violência e desrespeito, o projeto promove oficinas, seminários, debates e atividades culturais voltadas ao fortalecimento da cidadania e dos direitos humanos. As atividades ocorrem em Porto Alegre, Rio Grande e Tramandaí.
“Por meio dessas atividades coletivas fortalecemos os vínculos comunitários”, explica Teresa.
O quê: 29ª Parada Livre de Porto Alegre
Quando: 14 de junho de 2026 (domingo), a partir das 13h
Onde: Parque Farroupilha (Redenção)
Quanto: gratuito
Atrações confirmadas: Banda Djavu, Nkita de Luxxe, Medyna Sol, Lolla Hills, Abigail Foster, DJ Dela Berry e DJ E-VAMP.
*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo, sob supervisão de Valéria Ochôa.