SAÚDE

Pazuello promete a prefeitos 4,7 milhões de doses de vacinas e prioridade a profissionais da educação

Em videoconferência, ministro da Saúde afirmou que remessa ocorrerá até março para imunizar grupos prioritários e poderá contemplar professores e servidores de escolas
Da Redação / Publicado em 19 de fevereiro de 2021
Jonas Donizette (D), ex-prefeito de Campinas, presidente da FNP: "ministro aceitou nossa sugestão de priorizar o pessoal da educação e disse que quer colocá-los dentro do mês de março"

Foto: Fernanda Sunega/ Prefeitura de Campinas/ Arquivo

Jonas Donizette (D), ex-prefeito de Campinas, presidente da FNP: “ministro aceitou nossa sugestão de priorizar o pessoal da educação e disse que quer colocá-los dentro do mês de março”

Foto: Fernanda Sunega/ Prefeitura de Campinas/ Arquivo

Em videoconferência realizada na manhã desta sexta-feira, 19, com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o governo distribuirá aos estados mais de 4,7 milhões de doses da vacina contra a covid-19 até o começo de março.

Participaram do encontro virtual o presidente da entidade, o ex-prefeito de Campinas, Jonas Donizette, e outros nove prefeitos. Pazuello afirmou que a partir da próxima quinta-feira, 24, o ministério começará a distribuir às secretarias estaduais de saúde cerca de 2,7 milhões de doses da vacina CoronaVac, produzidas no Brasil pelo Instituto Butantan, e outros 2 milhões de doses da AstraZeneca que o governo está importando da Índia.

Segundo Pazuello, todo o novo lote será direcionado para a vacinação de pessoas dos grupos prioritários que ainda não receberam a primeira dose do imunizante.

“Neste novo momento da campanha, a vacina do Butantan será aplicada em dose única, com o objetivo de ampliar a vacinação e atender ainda mais brasileiros. Com isso, entramos em março com a expectativa de vacinar novos grupos”, disse à comissão da FNP. O ministro sugeriu aos prefeitos que receberem ofertas para adquirir eles próprios suas vacinas, que encaminhem os representantes dos laboratórios farmacêuticos ao ministério.

“Há um problema acontecendo. Muitas cidades e estados [estão] dizendo: “Ah! A gente compra por aqui”. O ministro foi muito enfático: quem tem vacina para vender pode mandá-las para o ministério que a pasta compra”, alertou Donizette, acrescentando que compete ao governo federal centralizar a aquisição de vacinas.

“Há municípios que, às vezes, querem fazer a compra, mas nós temos o Programa Nacional de Imunização. Logo, se existe disponibilidade de vacina à venda, todas devem ir para o programa nacional, embora eu ache que também pudéssemos contar com a iniciativa privada, que pode comprar e doar os imunizantes para o programa nacional [coordenado pelo ministério]”, disse o dirigente.

O Ministério da Saúde anunciou que espera receber outras 39 milhões de doses de vacinas durante o mês de março: 21 milhões do Instituto Butantan e 18 milhões da AstraZeneca, produzidas pela Fiocruz ou importadas.

Professores poderão ser incluídos nos novos grupos

"Vacinar imediatamente os profissionais da educação é zelar por toda a comunidade educacional, que hoje corresponde a um quarto de toda a população brasileira", alertou a FNP

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

“Vacinar imediatamente os profissionais da educação é zelar por toda a comunidade educacional, que hoje corresponde a um quarto de toda a população brasileira”, alertou a FNP

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em nota divulgada logo após o término da reunião, o ministro informou que estuda a inclusão, a partir de março de novos grupos entre os já considerados prioritários (idosos, profissionais de saúde, indígenas que vivem em territórios tradicionais e portadores de necessidades especiais que vivem em instituições, dentre outros grupos que deverão ser vacinados gradualmente, conforme a disponibilidade do imunizante).

Segundo o presidente da FNP, Pazuello teria sinalizado positivamente a uma das principais reivindicações da FNP: a antecipação da vacinação dos profissionais de educação de todo o país “O ministro aceitou nossa sugestão de priorizar o pessoal da educação, e disse que quer colocá-los dentro do mês de março. Os prefeitos perguntaram se podem assumir este compromisso [publicamente], falar que vão vacinar os professores em março, e ele pediu mais alguns dias para poder confirmar [a notícia], mas também disse que a intenção é esta: trazer a vacinação dos professores para março”, acrescentou Donizette.

Questionado sobre a possibilidade de os profissionais de educação começarem a ser vacinados no próximo mês, o ministério informou que o assunto está em análise e depende de uma série de fatores que precisam ser coordenados como o cronograma de recebimento das vacinas.

HOSPITAIS – Pazuello disse aos prefeitos que o ministério pagará às prefeituras pela utilização, de janeiro a março, de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com a covid-19. “Foi garantido o pagamento integral de todos os leitos habilitados de janeiro e fevereiro”, explicou o dirigente, atribuindo ao ministro a informação de que o dinheiro só não foi liberado por questões legais.

“Segundo o ministro, a lei orçamentária ainda não foi aberta, mas há uma expectativa de que, a qualquer momento, o ministério receba um crédito adicional para poder pagar por estes leitos às prefeituras”.

Além de Donizette, participam da conversa com o ministro da Saúde e com secretários do ministério os prefeitos David Almeida (Manaus); Edvaldo Nogueira (Aracaju); Edmilson Rodrigues (Belém); Rafael Greca (Curitiba); Sebastião Melo (Porto Alegre); Emanuel Pinheiro (Cuiabá); Bruno Reis (Salvador); Eduardo Paes (Rio de Janeiro) e Duarte Nogueira (Ribeirão Preto).

VETORES – A audiência com o ministro foi solicitada no dia 12 pela FNP. No ofício, a entidade destacou a urgência da vacinação dos profissionais de educação, manifestando a preocupação com a saúde dos trabalhadores e com o potencial risco deles se tornarem vetores da disseminação da doença à medida que as aulas presenciais sejam retomadas em várias partes do país.

A FNP cita um relatório elaborado pelo Sistema Público de Saúde do Reino Unido e divulgado em janeiro deste ano, e que aponta que 26% de 10 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus, cujos casos foram analisados, tinham ligações com creches, escolas primárias e secundárias e universidades. A conclusão do relatório é que, possivelmente, o retorno às aulas presenciais pode ter ocasionado três vezes mais contaminações do que as que tiveram origem em hospitais.

“Por isso, a FNP reforça que vacinar imediatamente os profissionais da educação é zelar por toda a comunidade educacional, que hoje corresponde a um quarto de toda a população brasileira”, ressaltou a entidade, em nota.

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