Saúde
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Transplante de pulmão de equipe coordenada pelo cirurgião Spencer Camargo, no Hospital Dom Vicente Scherer, da Santa Casa de Porto Alegre. Spencer é um dos palestrantes no evento promovido pelo projeto
Foto: Igor Sperotto
O projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta, realizará um dia de imersão no tema doação de órgãos e tecidos para transplantes. A atividade será na sexta-feira, 15 de maio, das 8h às 17h, na sede da Ecarta em Porto Alegre. Participam médicos, enfermeiros, biomédicos, transplantados, família doadora e pacientes em lista de espera por transplante.
Voltado para profissionais da saúde e comunidade em geral, o programa tem inscrições gratuitas, que devem ser feitas pelo telefone (51) 4009.2970 ou preenchendo o formulário no site da Ecarta.
“A proposta é promover um encontro dos profissionais da saúde com a comunidade para um diálogo aberto sobre todo o universo deste processo que culmina com o transplante”, explica Glaci Salusse Borges, produtora do projeto Cultura Doadora. Ela lembra que a negativa familiar é a principal causa de não doação de órgãos no Brasil, correspondendo a cerca de 44% a 47% dos casos.
“Muitas famílias negam a doação por nunca terem falado sobre o assunto, não entenderem como se dá esse processo, por medo, afirma”.
As etapas da doação de órgãos passam pelo diagnóstico de morte encefálica, da autorização familiar para a doação, avaliação clínica do doador, alocação dos órgãos pelo sistema nacional, captação (retirada) e, por fim, o transporte e o transplante.
Para tratar da etapa da doação de órgãos, a Ecarta convidou as enfermeiras Carol Caxambu e Simone Lysakowski, que atuam na Organização de Procura de Órgãos 1 (OPO 1), junto à Santa Casa de Porto Alegre.
Já o médico Rogério Caruso, coordenador da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, e a enfermeira Kelen Machado, coordenadora da OPO Cirúrgica, responsável pela captação e distribuição dos órgãos, falarão sobre a estrutura do sistema de transplantes no estado, composta por equipes hospitalar de doação para transplantes (e-DOT), localizadas em diversos hospitais; as sete OPOs, com sedes regionais, e a Central de Transplantes, em Porto Alegre. “Centenas de profissionais estão envolvidos em todo este processo”, antecipa Glaci Borges.
A médica Fernanda Bonow, coordenadora da OPO 1, falará sobre a morte encefálica, interrupção completa e irreversível de todas as funções do cérebro, incluindo o tronco encefálico; e os cuidados necessários com o potencial doador.
“É a morte encefálica que permite a doação de órgãos sólidos e tecidos; o óbito por parada cardiorrespiratória permite a doação apenas de tecidos”, explica Glaci. “A doação só ocorre a partir do consentimento familiar”.
E o médico Spencer Camargo vai falar sobre o transplante de órgãos a partir do olhar do transplantador. Spencer é cirurgião torácico no Hospital Pereira Filho e integra o grupo de transplante pulmonar do Hospital Dom Vicente Scherer, ambos do Complexo Hospital da Santa Casa de Porto Alegre, pioneira em transplante de pulmão da América Latina.
O transplante de órgãos tem salvado milhares de vida. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou o maior número de transplantes de órgãos dos últimos quatro anos. Foram 2.446 procedimentos, um aumento de 8% em relação a 2024. Rim, fígado e coração são os órgãos mais transplantados no estado.
Atualmente, no estado, pelo menos 2.936 pessoas esperam por um transplante, de acordo com a Central Estadual de Transplantes.
À frente do Cultura Doadora há 14 anos, Glaci Salusse Borges diz que o projeto tem como missão contribuir na formação de uma cultura de solidariedade e de uma atitude proativa para a doação de órgãos e tecidos, bem como na qualificação da infraestrutura de atendimento à saúde no Rio Grande do Sul.
Palestras, lives, encontros e outras atividades produzidas pelo projeto já somam mais de 500 ações junto a profissionais de saúde, agentes de segurança, universidades, escolas, dentre outras.
“É a democratização das informações acerca do tema que pode definir vida ou morte de quem espera por um transplante de órgãos no Brasil”, afirma Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta. Mais que um gesto de solidariedade individual, destaca ele, é necessário atuar também pela eficiência do sistema.
“Temos procurado fazer eventos que prezem pela formação, mas também com o caráter de buscar incidir na eficiência do sistema: que as famílias sejam acolhidas, que o conhecimento chegue a todos, mas que foque neste preparo técnico e empático para lidar com uma situação que pode salvar outras vidas”, diz Fuhr.
Por isso, segundo ele, a Fundação Ecarta aposta na conexão entre a comunidade e instituições, especialistas e educadores. “Formar consciência doadora na sociedade é fundamental para que na circunstância objetiva de morte encefálica, que representa cerca de 1% das mortes, a doação de órgãos e tecidos se concretize”, finaliza.
O quê: Formação para a comunidade sobre doação de órgãos e tecidos
Onde: Fundação Ecarta (Avenida João Pessoa, 943 – bairro Farroupilha)
Quando: 15 de maio, sexta-feira
Horário: 8h30 às 17h
Inscrições: pelo fone 51. 4009.2970