Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 187 | Ano 19 | Set 2014
MOVIMENTO - POLÍTICA - POLÊMICA
MUNDO

Por trás das guerras

Banalização da violência, ignorância e manipulação no noticiário ocultam quem perde e quem ganha com os conflitos espalhados pelo globo
Por Clarinha Glock
Paramédico carrega uma criança ferida para o hospital após um ataque aéreo israelense, na cidade de Rafah, ao sul da Faixa de Gaza

Foto: Divulgação © UNICEF/Eyad El Baba

Paramédico carrega uma criança ferida para o hospital após um ataque aéreo israelense, na cidade de Rafah, ao sul da Faixa de Gaza

Foto: Divulgação © UNICEF/Eyad El Baba

Bombardeios no Iraque, Gaza, Afeganistão, Sí­ria. Sequestro de jovens nigerianas. As guer­ras espalhadas pelo mundo estão no noticiá­rio diariamente, mas nem sempre se entende o motivo de tantas mortes, bombas, sequestros, inva­sões. Notícias sem contextualização política, econômica e histórica levam estes conflitos para longe da realidade de cidadãos no Brasil, que pensam: “o que eu tenho a ver com isso?”. Conhecer as razões das guerras permite formar uma consciência crítica sobre o mundo atual e sair do território das manipulações de informação para exercer o protagonismo da própria História.

“É difícil que alguém no Brasil se sinta parte de um conflito quando não há interesses em jogo, nem es­tratégicos, nem comerciais. Às vezes, como no caso da Nigéria (sequestro de jovens pelo grupo Boko Haram), o que o torna próximo é o fato de que estão sequestra­das muitas meninas”, afirma o professor Antoni Castel, codiretor do Mestrado em Comunicação de Conflitos Armados, Paz e Movimentos Sociais da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha. Geralmente, as notícias de jornal, redes sociais, rádio e televisão mos­tram apenas a parte mais sangrenta do processo, e as divergências étnicas ou religiosas. “Em especial nos conflitos africanos, se tende a fazer uma leitura étnica sem levar em conta outras questões, como a competição pelo poder. Existe, em algumas ocasiões, uma instru­mentalização do pertencimento étnico”, alerta Castel.

A difusão das redes sociais, e da internet de uma forma geral, permite que se ampliem os canais de in­formação e se busquem novas fontes para aprofundar o conhecimento sobre o que está acontecendo em di­ferentes pontos do mundo. O mapa da página 15, dis­ponível no Observatório de Conflitos e Construção de Paz, organizado pela Escola de Paz, na Espanha, com apoio do Ministério de Exteriores da Noruega, traz informações sobre as dinâmicas dos conflitos, in­cluindo os enfrentamentos, número de vítimas, deslo­camentos forçados, militarização e desarme. Dados do Observatório indicam que, entre abril e junho de 2014, a cifra total de conflitos armados ativos era de 35, sendo a maioria deles na África (13), Ásia (11), seguidos do Oriente Médio (seis), Europa (quatro), e América (um).

Segundo o Observatório, entende-se por conflito armado todo enfrentamento protagonizado por grupos armados regulares ou irregulares em que o uso contínuo e organizado da violência provoca um mínimo de cem vítimas mortais em um ano e/ou um grave impacto no território (destruição de infraestrutura ou da natureza) e na segurança da população (ferida, deslocada, violen­tada sexualmente, com insegurança alimentar, impacto na saúde mental e no tecido social, ou interrupção dos serviços básicos). Normalmente estes conflitos estão vinculados: a demandas de autodeterminação e auto­governo; aspirações identitárias, de oposição ao sistema político, econômico, social ou ideológico de um Estado ou da política interna ou internacional de um governo − o que motiva a luta para chegar ao poder ou derrubá-lo −, ou luta para ter o controle dos recursos do território.

IRAQUE: petróleo
O Iraque foi o primeiro país a buscar a indepen­dência depois da 2ª Guerra Mundial e surgiu com fronteiras e limites de acordo com a vontade do Reino Unido (que concedeu a independência). Historica­mente, nas suas fronteiras, há um encontro de culturas, grupos étnicos e religiosos. Nos oito anos da 1ª fase da guerra Irã-Iraque, o Iraque teve apoio dos EUA e de países árabes. Os EUA e o Reino Unido vendiam armas para o Iraque. Numa segunda fase, o Iraque, en­dividado, iniciou a guerra contra o Kuwait reclamando territórios. O atual conflito armado com os EUA co­meçou em março de 2003 sob argumento da presença de armas de destruição massiva. O fator que desen­cadeou oficialmente a invasão foram os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque reivindicados pela Al-Qaeda. O então presidente George W. Bush afirmou a existência de vínculos entre a organização e o regime de Sadam Hussein. Desde a primeira guerra do Iraque (1990-1991), os EUA haviam considera­do a possibilidade de controlar o país, que dispõe da terceira reserva mundial de petróleo. É provável que apoiem um estado novo para os curdos, seus aliados.

Por trás das guerras

Arte: D3 Comunicação

Arte: D3 Comunicação

ISRAEL-PALESTINA: localização estratégica
O conflito se iniciou em 1947, quando a Assem­bleia Geral das Nações Unidas dividiu o território da Palestina que estava sob o mandato britânico em dois Estados. Em 1948 o Estado de Israel anexou Jerusa­lém a Oeste, e o Egito e a Jordânia ocuparam Gaza e Cisjordânia, respectivamente. Em 1967, Israel ocupou o Leste de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza ao vencer a Guerra dos Seis Dias contra os países árabes. Nos acordos de Oslo a autonomia dos territórios palesti­nos foi formalmente reconhecida, mas Israel mantém o controle. O conflito foi retomado em 2000 com a 2ª Intifada decorrente do fracasso do processo de paz em Oslo (1993-1994). Fatos relacionados com a Primeira Guerra Mundial contribuíram para o surgimento de um nacionalismo árabe crescente. Os Estados Unidos apoiam Israel, seu principal agente na região, o que lhe permite de maneira indireta exercer o controle de todo o Oriente Médio. Também tem como aliados Egito, Arábia Saudita, Emirados e Jordânia.

AFEGANISTÃO: petróleo
Vive um conflito armado permanente nas últimas três décadas. A primeira fase começou no fim do regi­me monárquico existente no país desde 1933, por meio de um golpe de Estado em 1973 que abriu as portas a sucessivos governos na órbita de Moscou, tornando­-se um cenário da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. A invasão russa marcou o início de uma guerra civil em que as tropas afegãs enfrentaram as guerrilhas anticomunistas de ideologia islâmica. As guerrilhas tiveram o apoio norte-americano e da Ará­bia Saudita e agruparam combatentes de inúmeros pa­íses muçulmanos. Em 1992, Ahmed Shah Massoud e o general Abdul Rashid Dostum criaram a Aliança do Norte, que assumiu o governo após a retirada das tro­pas soviéticas entre 1988 e 1989. O terceiro período de guerras se caracteriza pelo surgimento e ascensão dos talibãs, antigos guerrilheiros anticomunistas. O regime talibã, que subiu ao poder em 1997, foi reconhecido pela Arábia Saudita, Paquistão e Emirados Árabes Unidos. Os EUA apoiaram os jihads em suas origens para que lutassem no Afeganistão contra a invasão russa.

NIGÉRIA: posição estratégica na África Ocidental, petróleo
O surgimento do grupo armado Boko Haram tem suas raízes no subdesenvolvimento econômico do norte do país e na progressiva perda de poder po­lítico de seus representantes desde a independência. Se propõe a lutar contra a corrupção e a incapacida­de do governo de atender aos cidadãos. O norte da Nigéria abriga os estados mais pobres do país, que buscam no Islã uma alternativa para reestabelecer a dignidade e ética social. A Nigéria tem uma com­posição étnica de múltiplas crenças religiosas. Ain­da que praticamente a metade da população profes­se a religião muçulmana, cerca de 40% são cristãos e 10% animistas. A maioria dos muçulmanos são moderados e dentro de sua fé coexistem tradições africanas e islâmicas. O sultão do estado de Sokoto está na cabeça da cúria islâmica que segue a tradi­ção sunita. A história de resistência do Sultanado frente aos colonizadores britânicos transformou-se em colaboracionismo depois da independência, com conivência e permissividade de seus líderes.

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO: recursos naturais, como diamantes, ouro e coltán
O conflito atual tem origem no golpe de Estado de Laurent Desiré Kabila em 1996 contra Mobutu Sese Seko, que culminou com a cessão do poder des­te em 1997. Em 1998, Burundi, Ruanda e Uganda, junto a diversos grupos armados, tentaram derrocar Kabila, que recebeu apoio de Angola, Chade, Na­míbia, Sudão e Zimbábue O controle e a exploração dos recursos naturais contribui para a perpetuação do conflito e a presença de forças armadas estrangeiras. A assinatura de um cessar fogo em 1999, e de diver­sos acordos de paz entre 2002 e 2003, permitiu a re­tirada de tropas estrangeiras, e eleições em 2006, mas não garantiu o fim da violência, devido à presença de facções de grupos não desmobilizados e da FDLR (Forças Democráticas para Libertação de Ruanda), responsável pelo genocídio de Ruanda em 1994. O descumprimento dos acordos de paz de 2009 propi­ciou em 2012 a deserção de militares do antigo grupo armado Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) integrados ao Exército congolês, que orga­nizaram uma nova rebelião apoiada por Ruanda. In­teressante lembrar que a França apoiou o conflito de Ruanda, assim como manteve durante muito tempo apoio a outros ditadores na África.

SÍRIA: posição estratégica
O conflito armado desde 2011 tem raízes na contestação social e política não violenta ao regime de Bashar al-Assad, e teve como marco a chamada Pri­mavera Árabe. A repressão às mobilizações pacíficas da população levou a uma insurgência armada e a uma enorme repressão. Está em jogo o destino do regime, e interesses regionais e internacionais, pois a Síria é um país-chave no equilíbrio de poder no Oriente Médio.

UCRÂNIA: posição estratégica, gás natural
A Ucrânia atual se tornou um Estado inde­pendente em 1991, após estar vinculada ao império russo e à União Soviética no passado. Atravessa períodos de rivalidades internas pelo controle do poder político e econômico. A Rússia quer manter a Ucrânia, que depende do gás russo, sob sua in­fluência. Além disso, a Crimeia, região autônoma de maioria russa, foi transferida da União Soviética para a Ucrânia em 1954 e mantém na Rússia sua frota naval. A chamada Revolução Laranja, em 2004, foi caracterizada por manifestações massivas que le­varam ao poder o candidato pró-Ocidente Victor Yushchenko, em 2005. Seu rival pró-Rússia Victor Yanukovich se impôs nas eleições parlamentares de 2006, dando caminho a uma difícil coexistência po­lítica. No final de 2013, houve novos protestos que geraram violência, saída do presidente Yanukovich em fevereiro de 2014, a anexação da Crimeia pela Rússia e um novo conflito armado. Os Estados Uni­dos e a União Europeia insuflaram as tentativas da Ucrânia de se tornar independente da Rússia. Desta forma, a Ucrânia poderia entrar para a Organiza­ção do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ceder as bases e o controle sobre o Mar Negro, o único que não congela e que serve de passagem para o gás russo. O governo da Rússia previu a possibilidade de ficar isolado e interveio. Não é tanto um conflito pelos recursos naturais, senão de geoestratégia.

Mortes e briga pelo poder na luta pelo domínio das riquezas naturais
Uma guerra que hoje está nas manchetes de jor­nais, sites e blogs, amanhã nem aparece no noticiário. O que importa, do ponto de vista das grandes em­presas de comunicação, é o que vai “vender”. “Confli­tos às vezes são esquecidos porque não atraem mais a atenção da audiência”, explica Charles Pennaforte, coordenador do Curso de Relações Internacionais da Universidade Paulista e diretor-geral do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais (Cenegri), com sede no Rio de Janeiro.

Refugiado sírio em acampamento da ONU, na Jordânia, leva as três filhas para escola da Unesco na fronteira

Foto: Divulgação © UNICEF/Noorani

Refugiado sírio em acampamento da ONU, na Jordânia, leva as três filhas para escola da Unesco na fronteira

Foto: Divulgação © UNICEF/Noorani

A geopolítica estuda as relações entre a política de poder dos Estados e com o mundo. “Para enten­der o que acontece nestes locais, é preciso recor­dar o processo de colonização do passado, em que grandes potências, como Inglaterra e França, estão presentes”, diz Pennaforte. O conflito surge quando o governo de um país que detém a riqueza natural decide não fazer mais o jogo das grandes potên­cias. “Ou, quando um grupo político se apropria da região e tem por trás uma potência para jogar uns contra os outros e obter assim os produtos mais ba­ratos”, acrescenta. Pennaforte ressalta que é preciso lembrar que uma guerra é um negócio: a venda de armas movimenta entre UR$ 1 bilhão e US$ 5 bi­lhões, segundo o Instituto Internacional de Estu­dos de Paz de Estocolmo (Stockholm International Peace Research Institute − Sipri).

Pennaforte, que é autor do livro África: Pers­pectivas e Desafios, destinado a estudantes do Ensi­no Fundamental e Ensino Médio (Editora Atual), explica que na África, por exemplo, o que está em jogo são as matérias-primas, como o petróleo e os diamantes. No livro, ele traça um panorama geral da região, desde as guerras tribais, de forma a oferecer uma compreensão de todo o processo. E o que os brasileiros têm a ver com isso tudo? Existem circui­tos internacionais em que as matérias-primas destas regiões são comercializadas. É o caso do diaman­te. “Do ponto de vista ético e moral, não comprar destes vendedores colabora para diminuir os confli­tos”, acredita Pennaforte. O fundamental para estar bem-informado, na visão do professor, é procurar informações fora da chamada “grande mídia”. Para se fazer uma análise mais profunda, tem que buscar outras fontes, insiste.

Comércio de armas e construtoras movimentam as guerras
Documentos publicados pelo jornal britâni­co The Guardian, divulgados pela organização sueca Wikileaks, indicam que parte do armamento utiliza­do pelo Exército Islâmico do Iraque e da Síria, que recentemente mudou o nome para Estado Islâmico (conhecido por Isis), veio de grupos armados pelos Estados Unidos e cooptados pelo líder islâmico Abu Bakr al-Baghdadi, que atualmente controla territó­rios na Síria e no Iraque. A informação confirma o que dizem os dados do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Stockholm Interna­tional Peace Research Institute − Sipri).

Figuram na lista dos 20 maiores exportadores de armas entre 2009-2013 do Sipri, considerando o volume de transferência, e não o valor dos produtos: Estados Unidos, Rússia, Alemanha, China, França, Reino Unido, Espanha, Ucrânia, Itália, Israel, Su­écia, Países Baixos, Coreia do Sul, Suíça, Canadá, Belarus, Noruega, África do Sul, Uzbequistão e Austrália. Segundo o Sipri, neste período houve um aumento de 14% do volume de transferências em relação a 2004-2008.

A América Latina, e mais especificamente o Brasil, também participa deste mercado. Dados do site interativo do Google referentes às importações e exportações de armas e munições no período entre 1992 e 2010, baseados nos levantamentos do Instituto de Pesquisa de Paz de Oslo, Noruega, mostram que o país exportou U$ 268.074.861, incluindo armamen­to civil e militar. Entre as empresas que se destacaram em 2012 na lista do Sipri estava a Embraer, com a venda de aviões militares. Ao longo da última década, armamentos e munições foram vendidas por empre­sas brasileiras para abastecer as guerras no Zimbábue, Angola, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Filipinas, Israel e até Paquistão. Já as importações de armas brasilei­ras cresceram 65% entre 2009-2013 e 2004-2008, de acordo com os levantamentos do Sipri.

Trecho do documentário Ukraine: The Last Days of the Revolution da VICE

Foto: Reprodução / VICE

Trecho do documentário Ukraine: The Last Days of the Revolution da VICE

Foto: Reprodução / VICE

“O Brasil pretende ser a grande potência da América Latina, mas está escolhendo um caminho equivocado, aposta pelo militar quando não tem ini­migos importantes. Além disso, é o principal fabri­cante de armas da América Latina, e vende a quem as compre… é um caminho perigoso porque segue os passos das grandes potências, e isso não é uma polí­tica das esquerdas”, analisa Pere Ortega, investigador em paz e desarmamento, coordenador do Centro de Estudos pela Paz J.M.Delàs, da Espanha. Orte­ga descreve no livro As violências na América Latina (Editorial Dharana, 2014) como a presença norte­-americana na região, que ficou evidente na Opera­ção Condor nas décadas de 1970 e19 80, ao dar apoio às ditaduras e governos repressivos, se mantém ainda hoje, ainda que de forma desigual − está mais presen­ te no México, Colômbia e Honduras, do que no Brasil e na Argentina. É mais evi­dente nos planos de luta contra o narco­tráfico e crime organizado, especialmente na América Central. O governo norte­-americano faz pressão sobre os governos da Venezuela e sobre Cuba, enquanto aju­da militarmente seus aliados na Colômbia e no Peru e hostiliza governos de esquerda no Equador e na Bolívia, resume Ortega. O professor chama a atenção para as inú­meras bases militares dos EUA no conti­nente: são mais de 700 bases e instalações militares em nível mundial.

Não são só as indústrias de armas que lucram com as guerras. Empresas do Reino Unido concorreram, em março de 2014, com empresas norte-americanas interessadas em participar da “re­construção” do Iraque. Os EUA ganharam os prin­cipais contratos, gerando reclamações por parte de políticos europeus, conforme mostrou recentemente a rede BBC, de Londres. Além disso, houve denún­cias de opositores do governo de que as empresas ganhadoras seriam doadores da campanha do Parti­do Republicano e ligadas a políticos do governo. Os contratos abrangem desde redes de esgoto, sistema hidráulico a eletricidade. A lista deles está disponível no site do Departamento de Estado norte-america­no (http://www.state.gov/e/eb/cba/iraq/) .

E há ainda atividades criminosas, como o desvio do dinheiro destinado à ajuda das cidades atingidas. Em março, John Sopko, inspetor-geral especial para a reconstrução do Afeganistão, declarou à imprensa que os EUA falharam em implementar um sistema de acompanhamento dos projetos de reconstrução, o que contribuiu para os casos de corrupção no go­verno afegão (veja o relatório do inspetor em http:// www.sigar.mil/pdf/special%20projects/SIGAR-14- 36-SP.pdf). O inspetor denunciou a possibilidade de os EUA estarem ajudando a pagar salários para trabalhadores fantasmas da Polícia Nacional Afegã.

Trecho do documentário Russian Pilots of the Congo da VICE News

Foto: Reprodução / VICE

Trecho do documentário Russian Pilots of the Congo da VICE News

Foto: Reprodução / VICE

Novas mídias: VICE atrai jovens
As redes sociais e as novas mídias propiciaram a abertura de novos canais de informação e jornalismo para quem quer entender o que está acontecendo no mundo. Uma delas é a VICE, que nasceu em 1994 no Canadá como uma revista mensal voltada para o público jovem e hoje atua como um grupo de mídia em mais de 35 países. A VICE opera o primeiro ca­nal on-line de vídeos originais, o VICE.COM; uma rede internacional de canais digitais; uma produtora de vídeo; um selo musical e uma agência interna de serviços criativos. Os canais digitais da VICE no Brasil incluem o Noisey, sobre o universo musical; o Thump, sobre música eletrônica; o Motherboard, sobre tecnologia, ciência e meio ambiente; e em breve vai estrear o VICE News, com a cobertura dos principais acontecimentos. Um dos objetivos é despertar o interesse do jovem para questões impor­tantes da atualidade, informa Malu Viotti, gerente de comunicações. Em agosto, a VICE ganhou o Emmy, prêmio máximo da tv norte-americana, por Melhor Série ou Especial Informativo de Destaque com uma série veiculada no canal HBO que trazia reportagens sobre vários temas, incluindo o tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

Sugestões para iniciar os debates:

Sangue no Celular neste documentário (Blod i Mobilen, Dinamarca, 2010), o di­retor Frank Piasecki Poulsen mostra como o interesse pelo coltán, mineral usado na fabricação de celulares, videogames e outros aparelhos eletrônicos, tem financiado a exploração do trabalho escravo infantil e a guerra civil no Congo.

Diamante de Sangue (Blood Diamond) − filme do diretor Edward Zwick. A história se passa em Serra Leoa nos anos 1990 e mostra a relação entre o comércio de diamantes e os conflitos internos do país.

Observatório de Conflitos e Construção de Paz (Espanha)
http://escolapau.uab.cat

Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri)
http://www.sipri.org

Exportação e Importação de Armas 1992-2010 (Google)
http://armsglobe.chromeexperiments.com/ 

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