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01/09/2017
MOVIMENTO

CUT busca reforço contra medidas de Temer

Em congresso extraordinário, Central define estratégias para mobilizar população contra reformas, pacotes de privatização e medidas que afetam o meio ambiente
Flavia Bemfica

Foto: Assessoria CUT Nacional

Congresso Extraordinário

Foto: Assessoria CUT Nacional

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai lançar mão de uma antiga, mas eficiente tática de mobilização da população contra as medidas do governo Michel Temer. Está formando em todo o país comitês de atuação de longo prazo no qual os participantes trabalhem dentro de uma sistemática que ficou conhecida como ‘pé no barro’. A estratégia consiste em que os militantes visitem bairros e comunidades, atuem em ruas e pontos de grande concentração de pessoas e conversem com a população, fornecendo informações sobre medidas como as reformas trabalhistas e previdenciária, o pacote de privatizações e a questão ambiental, com foco na proposta de extinção da Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (Renca).

“Não basta que as pessoas percebam que as medidas são muito ruins para o país. Elas precisam perceber como elas afetam a sua própria vida, seu dia a dia. É isso que pretendemos mostrar. E não atuando somente com categorias de trabalhadores. Vamos procurar a população como um todo, conversando, explicando, informando”, resume a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmen Foro.

A decisão sobre ir ao encontro da população nas ruas foi tomada no congresso extraordinário da central realizado em São Paulo, que reuniu aproximadamente 700 delegados, teve quatro dias de duração e se encerrou na quinta-feira, 31 de agosto. A CUT tenta, com as diretrizes, reverter a pouca adesão da sociedade às diferentes tentativas realizadas nos últimos meses de, com mobilizações e paralisações, fazer frente à sucessão de medidas impopulares anunciadas por Temer, mas ante as quais a população, apesar de externar desaprovação em pesquisas de opinião, permanece um tanto apática. E restabelecer um vínculo que se desgastou nos últimos anos, na mesma medida em que houve um certo afastamento das bases, o avanço de conceitos e políticas de cunho liberal e a disseminação de ideias que associam o movimento sindical a formas de reivindicação ultrapassadas.

“O centro da tática é desalienar a sociedade. Não basta mobilizar só trabalhadores. A ideia é reunir o que houver de militância, e também de massa crítica, ir para as ruas e fazer caravanas nas cidades, para incentivar as pessoas a participarem, a se mobilizarem por seus direitos, de forma a estancar a agenda do governo”, detalha o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

ABAIXO-ASSINADO – O corpo a corpo com a população faz parte de uma série de ações que incluem também a mobilização para derrubar a entrada em vigor da reforma trabalhista. Aprovada pelo Congresso e sancionada por Temer em 13 de julho, a alteração da legislação entrará em vigor em 11 de novembro. Para tentar fazer com que as mudanças não sejam implementadas na prática, a central está dando início no dia 7 de setembro, à coleta de assinaturas para um projeto de iniciativa popular que revogue a reforma, entre elas mudanças referentes à jornada de trabalho e à predominância do acordado sobre o legislado. A data é simbólica: é o dia das comemorações da proclamação da Independência do Brasil e da realização do Grito dos Excluídos, que ocorre desde 1994 como forma de dar visibilidade a diferentes temas que tenham vinculação ao combate a desigualdades sociais e injustiças. E a meta é ambiciosa: recolher um mínimo de 1,3 milhão de assinaturas até o 11 de novembro.

“Faremos uma forte campanha pela anulação. E acreditamos que os próximos meses serão de muitas greves”, resume Foro. Segundo ela, o fato de várias categorias de trabalhadores entrarem em períodos de negociação de seus acordos coletivos deve ajudar a aumentar a percepção sobre os efeitos negativos das mudanças e intensificar as dificuldades nas negociações com as categorias patronais tanto no sentido de manutenção de direitos como de ganhos salariais em termos reais. Uma semana depois, a central vai participar, juntamente com outras centrais, frentes e movimentos, de um dia nacional de lutas.

GREVE – Além da reforma trabalhista, outra decisão tomada no congresso foi a de intensificar mobilizações por greve geral tão logo o governo se movimente pela aprovação do texto. Com o slogan “Se botar para votar, o Brasil vai parar”, as ações pretendem conter iniciativas do Executivo e do Legislativo federais de levar adiante a votação do projeto. Mesmo que, no momento, as dificuldades em conter o apetite do chamado Centrão, a proximidade cada vez maior das eleições de 2018, os índices de popularidade abaixo dos 5% e a enxurrada de denúncias de corrupção venham impedindo Temer de avançar com a tramitação das mudanças na previdência.

A outra prioridade apontada no congresso diz respeito a iniciativas para conter as privatizações anunciadas ou projetadas, com destaque para a da Eletrobras. Além dos debates, comitês e caravanas, para o aniversário de criação da Petrobras, em 3 de outubro, está sendo organizado ato em defesa das empresas públicas. Já no caso da questão ambiental, também apontada como prioridade na linha de atuação da CUT, está sendo organizada uma atividade internacional. “É uma problemática na qual vamos pressionar tanto nacionalmente como internacionalmente” adianta Foro.

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