Um milhão de israelenses foi às ruas por cessar-fogo em Gaza

Greve nacional pressiona o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por acordo com Hamas para libertação dos prisioneiros
Um milhão de israelenses foram às ruas por cessar-fogo em Gaza

O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas estimou meio milhão de israelenses em Tel Aviv e um milhão de pessoas participaram de protestos em todo o país ao longo do dia

Foto: Reprodução/YouTube

Milhares de israelenses participaram neste domingo, 17, de uma greve nacional em apoio às famílias dos reféns mantidos na Faixa de Gaza. Os manifestantes cobraram do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu um acordo com o Hamas que ponha fim à guerra e permita a libertação dos prisioneiros restantes.

De acordo com o Jornal Times of Israel, centenas de milhares de pessoas se aglomeraram no centro de Tel Aviv na noite de domingo, encerrando um dia nacional de protestos e greves pedindo ao governo que ponha fim à guerra em Gaza e garanta a libertação dos reféns mantidos lá por terroristas palestinos.

O protesto em Tel Aviv foi um dos maiores desde que a guerra começou há quase dois anos e, de acordo com o Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas, contou com a presença de mais de meio milhão de pessoas, embora não houvesse estimativas oficiais da polícia sobre o tamanho da multidão.

O fórum também estimou que cerca de 1 milhão de pessoas participaram de protestos em todo o país ao longo do dia , quando grupos de protesto e organizações uniram forças para organizar um grande dia de desobediência civil depois que o gabinete votou no início deste mês pela conquista da Cidade de Gaza, apesar dos avisos de altos funcionários de segurança de que isso colocaria os reféns em perigo.

Em Tel Aviv, manifestantes exibiram bandeiras de Israel e carregaram fotos dos reféns. O som de apitos, buzinas e tambores tomou as ruas em diferentes cidades. Houve bloqueios em avenidas e rodovias, incluindo a principal rota entre Jerusalém e Tel Aviv.

“Hoje, tudo para lembrar o valor mais alto: a santidade da vida”, afirmou Anat Angrest, mãe do refém Matan Angrest, durante ato público em Tel Aviv. A atriz Gal Gadot, conhecida pelo papel de Mulher-Maravilha, também esteve no local em solidariedade às famílias, informa a agência Reuters.

Empresas e instituições liberaram funcionários

Antes da mobilização, empresas e instituições anunciaram que liberariam funcionários para participar da greve. Apesar disso, muitas atividades continuaram normalmente, já que o domingo é dia útil em Israel. As escolas, em recesso de verão, não foram afetadas. À noite, estava prevista uma grande manifestação em Tel Aviv.

Outros grandes protestos ocorreram em Jerusalém, Haifa, Berseba e várias cidades menores, com manifestantes bloqueando estradas e rodovias, exigindo o fim da guerra.

Antes do grande protesto de domingo à noite começar, pelo menos 38 pessoas foram presas em todo o país enquanto ativistas bloqueavam ruas e, em alguns casos, entraram em confronto com policiais que tentavam reabri-las, de acordo com a polícia.

O dia de protestos ocorreu junto com uma grande greve, da qual participaram centenas de autoridades locais, empresas, universidades, empresas de tecnologia e outras organizações, embora o sindicato central de Israel, o Histadrut, não tenha aderido ao esforço.

38 israelenses presos nos confrontos com a polícia

A polícia informou ter detido 38 pessoas, algumas após confrontos durante bloqueios de estradas. Por volta das 16h, sirenes de ataque aéreo interromperam temporariamente os protestos em Tel Aviv, Jerusalém e outras cidades. O alerta foi disparado para um míssil lançado do Iêmen, que acabou interceptado sem causar danos.

Durante reunião de gabinete, Netanyahu reagiu às cobranças da população. “Aqueles que hoje pedem o fim da guerra sem derrotar o Hamas não estão apenas endurecendo a posição do Hamas e atrasando a libertação de nossos reféns. Eles também estão assegurando que os horrores de 7 de outubro se repitam várias vezes”, disse.

O premiê, que lidera a coalizão mais conservadora da história do país, reiterou que o governo está decidido a tomar a Cidade de Gaza, último grande reduto do enclave fora de controle israelense. A posição, no entanto, é rejeitada por muitas famílias de reféns, que temem pela vida de seus parentes em cativeiro.

Segundo autoridades israelenses, cerca de 50 pessoas seguem sequestradas em Gaza, das quais apenas 20 estariam vivas. Do outro lado, autoridades de saúde locais afirmam que mais de 61 mil palestinos já foram mortos na ofensiva israelense, sendo 29 nas últimas 24 horas.

O conflito começou em 7 de outubro de 2023, quando um ataque do Hamas matou cerca de 1.200 pessoas em Israel e levou 251 como reféns para Gaza. Desde então, mais de 400 soldados israelenses também perderam a vida nos combates.

Com medo da ofensiva de Netanyahu, milhares de palestinos fogem da parte oriental de Gaza

Um milhão de israelenses foram às ruas por cessar-fogo em Gaza

Jovem de Gaza ferido no rosto ao tentar obter ajuda

Foto: ONU/Divulgação

A possibilidade de uma nova ofensiva terrestre de Israel na Cidade de Gaza fez milhares de palestinos abandonarem suas casas na parte oriental da cidade de Gaza, alvo de bombardeios constantes e intensos. O plano de tomada da região, considerada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como último reduto urbano do Hamas, gera temor dentro e fora do país.

O Egito e o Catar intensificaram as negociações por um cessar-fogo, descrito por mediadores como “a última tentativa”. Já em Gaza, além do deslocamento de centenas de milhares de pessoas, há alerta para um colapso humanitário. Segundo a ONU, 1,35 milhão de palestinos precisam de abrigo emergencial.

Na Cidade de Gaza, muitos palestinos também estão convocando protestos para exigir o fim de uma guerra que demoliu grande parte do território e provocou um desastre humanitário, e para que o Hamas intensifique as negociações para evitar a ofensiva terrestre israelense.

Uma incursão blindada israelense em Gaza poderia causar o deslocamento de centenas de milhares de pessoas, muitas das quais já foram desalojadas várias vezes na
guerra.

De acordo com empresários locais, 995 famílias deixaram a área nos últimos dias em direção ao sul.

Calcula-se  em 1,5 milhão o número de barracas necessárias para abrigos de emergência, dizendo que Israel havia permitido a entrada de apenas 120 mil barracas no território durante o cessar-fogo de janeiro a março.

O escritório humanitário da ONU informou, ainda na semana passada, que 1,35 milhão de pessoas já estavam precisando de itens de abrigo emergencial em Gaza.

Comentários