Fim da escala 6×1 é tema de mobilização nacional em 20 de março

Panfletagens ocorrem em Porto Alegre para dialogar com a população; 71% dos brasileiros já são favoráveis ao fim da escala

Escala é predominante em setores de forte presença feminina e negra, como comércio e serviços

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Mobilizações acontecem em todo o país para pressionar o Congresso Nacional a avançar com a discussão e pôr fim à escala 6×1, reduzir a jornada de trabalho sem reduzir salários, nesta sexta-feira, 20 de março. Em Porto Alegre, centrais sindicais e movimentos populares convocam panfletagens na estação Mercado, da Trensurb, e na Esquina Democrática, no Centro. Sindicalistas debaterão o tema em fábricas do estado.

Em outras capitais do país ocorrem, além das panfletagens rodas de conversas e atos simbólicos. Sete em cada 10 brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1 de acordo com Pesquisa Datafolha, divulgada no mês de março. A maioria das apoiadoras é mulher, 77%; homens são 64%.

A vida não tem hora extra

A escala é predominante em setores de forte presença feminina e negra, como comércio e serviços. Elas, que ainda são as maiores responsáveis pelo trabalho não remunerado (tarefas domésticas e cuidado com filhos e familiares), acabam acumulando duplas ou triplas jornadas, sem folga, denunciam os movimentos feminista e negro.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou em fevereiro a campanha Mulheres na luta têm pressa porque a vida não tem hora extra, que denuncia o esgotamento físico e mental imposto à classe trabalhadora, em especial às mulheres, e defende a atualização da legislação trabalhista para a semana 5×2, cinco dias de trabalho e dois dias de folga. A Central reivindica que mecanismos sejam implementados para impedir formas de precarização do trabalho, como a falsa pejotização e distorções nas contratações.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado em 2024, estimou que a substituição de vínculos celetistas por contratos PJs já custou R$ 89 bilhões aos cofres públicos desde a Reforma Trabalhista de 2017, além de representar ameaça à Previdência Social. Reduzir a jornada pode gerar até 4,5 milhões de emprego, de acordo com estudo do CESIT/Unicamp.

A mobilização é convocada pela CUT, o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que popularizou a pauta nas redes sociais e a colocou em destaque no Congresso Nacional, as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, e federações de trabalhadores de construção, vestuário e alimentação.

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