Educação
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O programa Vamos dá suporte e acolhimento aos professores desligados
Foto: Igor Sperotto
De novembro de 2025 a março de 2026, 645 profissionais de educação solicitaram rescisão contratual e 972 professores foram demitidos na rede privada de ensino no Rio Grande do Sul. O total é de 1.617 desligamentos.
Os dados são do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS), que acompanha as rescisões contratuais em todos os níveis de ensino. Especialmente neste período, em que se intensificam as demissões nas instituições de ensino privadas, o Sindicato promove o programa Vamos, que dá o suporte e o acolhimento necessários aos professores.
A psicóloga Letícia Casagrande, que presta assistência aos docentes nas homologações, destaca o momento de fragilidade dos professores, os quais relatam sentimentos de invalidação pessoal, sensações de injustiça, indignação e falta de empatia por parte da instituição empregadora.
“Os professores se sentem vulneráveis, com sentimentos entristecidos, com questionamentos sobre a própria trajetória profissional. Alguns relatos deles traziam referências ao tempo de dedicação à instituição, ao vínculo e à sensação de não reconhecimento”, contextualiza.
Segundo ela, alguns docentes apresentaram manifestações emocionais mais significativas, como humor deprimido e sinais de sofrimento psíquico. “Além do acolhimento realizado, recomendo acompanhamento psicológico e possibilidade de acompanhamento do Núcleo de Apoio ao Professor Contra a Violência (NAP)”, enfatiza a psicóloga. “Os profissionais saem se sentindo vivos, acolhidos”, completa Letícia.
O NAP é um serviço oferecido aos associados do Sinpro/RS com o objetivo de apoiar professores que sofrem violência implícita ou explícita no ambiente de trabalho.
DESLIGAMENTOS VOLUNTÁRIOS – Os desligamentos voluntários têm se mantido elevados nos últimos cinco anos, com números acima dos três dígitos e até ultrapassando as demissões por iniciativa do empregador.
No primeiro semestre de 2025, 1.174 professores apresentaram pedidos de demissão voluntária, montante equivalente a 63% das demissões em 2024.
“Um número cada vez maior de professores está pedindo para sair. Alguns desistem da docência; outros buscam sair da escola privada, que paga um pouco melhor, para ir para a escola pública, que paga menos, mas onde trabalham com mais tranquilidade”, relata Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS.
“Baixos salários, excesso de trabalho, adoecimento e falta de estrutura das instituições para atender às demandas não só do corpo docente, mas também dos alunos, que cada vez mais apresentam especificidades, com ou sem laudos médicos, estão entre os principais motivos para um número tão significativo de pedidos de rescisão contratual voluntária pelos professores”, conclui Cecília.