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Nova faixa foi encomendada e exposta na sede da entidade depois de dois episódios de vandalismo
Foto: Luiza Alves/Stimepa
Nesta semana, diretores do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre denunciaram ações de vandalismo contra faixa pelo fim da escala 6×1 exposta na fachada da entidade. A Central Única dos Trabalhadores no estado (CUT-RS) decidiu reagir e vai expandir a campanha pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários para todo o estado no mês de maio.
Todos os sindicatos filiados à central sindical terão faixas pelo fim da escala e a entidade pretende expor os posicionamentos de deputados e senadores do Rio Grande do Sul sobre o tema.
O presidente da CUT-RS Amarildo Cenci afirma que o objetivo é fazer com que o Congresso Nacional aprove a medida urgentemente, dado que o governo Lula (PT) enviou Projeto de Lei com urgência constitucional, no dia 14 de abril, em que prevê a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e o fim da escala 6×1.
A urgência constitucional define que o projeto precisa ser votado em até 45 dias, ou tranca a pauta do plenário da Casa Legislativa. Também tramitam na Câmara dos Deputados duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, de autoria da deputada federal Érika Hilton (PSOL/SP) e do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG).
“É vota já, pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada para 40 horas sem redução de salário. E nós vamos fazer paineis com os deputados e senadores sobre se estão a favor ou contra esse projeto. Então vai ser uma campanha que vamos fazer em todo estado, além de panfleteações, visitas, veiculações em rádios e outdoors“, informa Amarildo. “É reta final. O tempo é curto e nós vamos jogar muita energia para que as coisas aconteçam”, declara.
Faixas expostas na fachada do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (Stimepa), filiado à CUT-RS, foram vandalizadas na última semana e novamente nesta segunda-feira, 11 de maio. Na primeira ação, a palavra “ladrão” foi pixada na faixa. Na segunda, a faixa foi cortada ao meio com uma faca. As ações foram flagradas por câmeras de segurança, mas o autor não foi identificado.
“A impressão que temos é que se trata da mesma pessoa. Colocamos outra faixa, mexemos nas câmeras para tentar identifcar. Mas, no fim das contas, o que está à mostra é o incômodo que estão as pessoas que não querem ver o trabalhador ter mais um dia de descanso”, comenta o presidente do Stimepa, Adriano Filippetto.
Metalúrgicos estão mobilizados pelo fim da escala 6×1, pauta que integra a campanha salarial da categoria no estado. Assembleias e visitas às fábricas realizadas nos últimos meses denunciam a exaustão provocada pela escala. Filippetto conta que o sindicato precisou ampliar a carga horária da psicóloga da entidade, que oferece atendimento à categoria, que abrange 35 mil trabalhadores nas cidades de Porto Alegre, Guaíba, Viamão, Alvorada, Glorinha e Eldorado do Sul.
As maiores multinacionais no estado funcionam nos três turnos, informa o presidente do Stimepa. Trabalhadores saem do terceiro turno de trabalho no sábado pela manhã e retornam no domingo, às 23h. “Eu mesmo trabalhei neste turno durante cinco anos. No domingo dormia durante o dia para voltar a trabalhar no domingo à noite”, afirma Filippetto.

Faixa vandalizada na sede do Sindicato, no bairro Cristo Redentor
Foto: Luiza Alves/Stimepa
A Comissão Especial sobre o Fim da Escala 6×1 – Vida Digna ao Trabalhador e o programa Câmara pelo Brasil promovem, nesta sexta-feira, 15 de maio, às 9h30, em Porto Alegre, o seminário estadual para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Parlamentares, representantes sindicais e trabalhadores discustirão os impactos da atual jornada sobre a saúde, a convivência familiar e a qualidade de vida da população trabalhadora.
Participam do seminário, que será realizado no auditório da Superintendência Regional de Administração, na Cidade Baixa, o presidente da Comissão Especial, deputado federal Alencar Santana (PT-SP); o relator da matéria, deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA); a 1ª vice-presidente da comissão, deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS); além das deputadas federais Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Maria do Rosário (PT-RS), integrantes do colegiado, e do líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).