Luiz Marinho defende fim da escala 6×1 em encontro com centrais em Porto Alegre

Ministro participou de encontro com centrais sindicais em Porto Alegre e reforçou defesa da redução da jornada de trabalho
Luiz Marinho defende fim da escala 6x1 em encontro com centrais em Porto Alegre

O ministro Luiz Marinho criticou os efeitos da reforma trabalhista sobre o financiamento sindical e defendeu que a contribuição das categorias seja definida em assembleia.

Foto: Matheus Piccini/CUT-RS

A visita do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a Porto Alegre, no último sábado, 27, marcou o encontro das centrais sindicais no auditório do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais (Semapi) e deu o tom do debate em torno das principais pautas da classe trabalhadora, com destaque para o fim da escala 6×1, a redução da jornada semanal para 40 horas e o fortalecimento da negociação coletiva.

Durante cerca de uma hora e meia, dirigentes sindicais discutiram temas estratégicos do movimento sindical em um contexto de unidade entre as centrais, especialmente em torno da proposta que aguarda votação no Senado Federal.

Ao longo da participação, Marinho afirmou que a resistência empresarial à redução da jornada segue um padrão histórico de oposição a avanços trabalhistas e comparou o debate atual a conquistas sociais anteriores. “Desde que o mundo é mundo, a elite brasileira e a elite global reagem a qualquer avanço nas conquistas da classe trabalhadora. Foi assim com o fim da escravidão, com a CLT, com o 13º salário e com todas as reduções da jornada de trabalho”, afirmou. “Eu não conheço nenhuma empresa, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, que tenha quebrado em razão da redução da jornada de trabalho”, disse o ministro.

Segundo ele, a mudança tende a melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e reduzir custos também para empresas e para o poder público. Marinho citou ainda a experiência de uma empresa que teria testado a redução da jornada e registrado resultados positivos. “A jornada atual, especialmente na escala 6×1, tem provocado adoecimento dos trabalhadores. Ao reduzir a jornada, essa empresa praticamente zerou o absenteísmo e conseguiu preencher as vagas que estavam abertas. Tenho convicção de que essa mudança melhorará a produtividade e a qualidade do trabalho. O custo será residual e plenamente suportável pelas empresas”, destacou.

Luiz Marinho defende fim da escala 6x1 em encontro com centrais em Porto Alegre

Ao longo da participação, Marinho afirmou que a resistência empresarial à redução da jornada segue um padrão histórico de oposição a avanços trabalhistas e comparou o debate atual a conquistas sociais anteriores

Foto: Dijair Brilhantes

Após o encontro, o ministro concedeu entrevista à imprensa e voltou a defender o fortalecimento dos sindicatos como instrumento central para a negociação coletiva. Ele afirmou que a solução dos conflitos trabalhistas passa prioritariamente pelo diálogo entre trabalhadores e empregadores. “Quanto menos greves houver, melhor. Mas, em alguns momentos, a greve é necessária para provocar a abertura da negociação. A solução negociada sempre será o melhor caminho”, afirmou.

SUSTENTAÇÃO – Marinho também criticou os efeitos da reforma trabalhista sobre o financiamento sindical e defendeu que a contribuição das categorias seja definida em assembleia. “O que não pode acontecer é impedir que os sindicatos discutam em assembleia e definam a contribuição dos trabalhadores. Se o sindicato negociou e conquistou melhorias no contrato coletivo, é natural e legítimo que os trabalhadores possam contribuir para manter essa estrutura”, afirmou.

Ao comentar a tramitação da proposta no Senado, o ministro destacou a importância da mobilização social para garantir avanço da pauta. “O Senado tem a responsabilidade de analisar essa proposta. Tenho certeza de que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 serão bons para o Brasil, para as empresas e para os trabalhadores”, disse. Ele acrescentou que “a sociedade brasileira demonstra amplo apoio a essa mudança” e reforçou: “Foi essa mobilização que levou a Câmara a aprovar a proposta, e acredito que ela também será decisiva no Senado”, enfatizou Marinho.

O encontro reforçou a unidade das centrais sindicais em torno da defesa da redução da jornada de trabalho, da valorização da negociação coletiva e do fortalecimento da organização sindical. As entidades também anunciaram a realização de atos nesta terça-feira, 30, em todo o país, na véspera da sessão de debates temáticos que o Senado realizará no Plenário na quarta-feira, 1º, para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

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