Justiça
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Em nota, a IURD alega que o bispo Edir Macedo não integra a administração executiva nem participa da gestão operacional, financeira ou contábil do Banco Digimais
Foto: IURD/Reprodução
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de fraude na gestão do Banco Digimais ganhou novos desdobramentos e ampliou a pressão sobre os negócios controlados pelo empresário e líder religioso Edir Macedo.
Deflagrada em 23 de junho, a Operação Miragem apura indícios de manipulação de demonstrativos contábeis e de registros regulatórios que teriam ocultado a real situação financeira da instituição. Segundo a PF, as irregularidades investigadas poderiam ter criado uma aparência artificial de solvência perante os órgãos de fiscalização, permitindo a realização de operações financeiras que agora estão sob investigação. A investigação é baseada em relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil (BC).
A Justiça Federal autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de bens que podem alcançar R$ 670,3 milhões. O Digimais já enfrentava dificuldades financeiras e buscava alternativas para reorganizar seus negócios, incluindo negociações para a venda do banco.
As investigações têm como base relatórios do Banco Central do Brasil (BC), que identificaram indícios de manipulação de balanços, superavaliação de ativos e outras operações que teriam mascarado prejuízos da instituição. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados poderão responder por crimes contra o sistema financeiro nacional.
Em nota, o Banco Digimais informou que está à disposição das autoridades, afirmou colaborar com as investigações e reiterou seu compromisso com a transparência e o cumprimento das normas regulatórias.
A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) também se manifestou em seu site. Comunicado assinado Departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da Universal (UNIcom) alega “que o Bispo Edir Macedo não integra a administração executiva nem participa da gestão operacional, financeira ou contábil da instituição. E, que condução das atividades é de responsabilidade exclusiva dos executivos e profissionais legalmente habilitados para responder perante os órgãos reguladores”. O informe também ataca veículos de comunicação (sem especificar quais) que “alvejam o Bispo Macedo e a Igreja Universal com notícias falsas, tendenciosas e maldosas”.
A apuração ainda está em andamento. Até o momento, não há decisão judicial sobre eventual responsabilidade dos investigados, que têm assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos investigadores é a semelhança entre as práticas atribuídas ao Banco Digimais e aquelas que levaram à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em 2025.
De acordo com a Polícia Federal, os dois casos apresentam indícios de um mesmo padrão operacional: forte captação de recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade acima da média do mercado, aliada à suposta superavaliação de ativos e à manipulação de demonstrativos contábeis para sustentar artificialmente a expansão da instituição.
A investigação também aponta uma conexão entre os dois bancos. Segundo a PF, o Digimais chegou a adquirir cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito do Master, operação realizada quando a instituição de Daniel Vorcaro buscava reforçar seu caixa.
Para os investigadores, esse conjunto de operações reforça a hipótese de que o Digimais teria reproduzido mecanismos semelhantes aos identificados no Caso Master, tese que ainda será submetida ao contraditório e à análise da Justiça. O Banco Digimais nega irregularidades e afirma colaborar com as investigações.