Justiça
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Foto: PF/Divulgação
As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) deflagraram, nesta quarta-feira, 8 de julho, a Operação Força Integrada III, uma ofensiva simultânea em 16 estados para desarticular organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outros delitos. Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 274 mandados judiciais, entre eles 93 de prisão e 181 de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares.
A ação é coordenada pela Polícia Federal (PF) e integra representantes das polícias Rodoviária Federal, Penal Federal, Civil e Militar, reunidos nas FICCOs, estruturas permanentes criadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para fortalecer a atuação conjunta contra o crime organizado. Em cada estado, a operação recebeu um nome específico e concentra esforços sobre investigações já em andamento.
Segundo o Ministério da Justiça, a ofensiva faz parte da estratégia nacional de enfrentamento às organizações criminosas, que busca atingir não apenas seus integrantes, mas também as estruturas financeiras responsáveis por sustentar atividades ilícitas, como o tráfico de drogas e armas e a lavagem de dinheiro. A integração entre forças federais e estaduais é um dos eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado neste ano pelo governo federal.
A operação ocorre menos de dois meses após uma primeira ação nacional coordenada pelas FICCOs, realizada em maio, também em 16 estados. De acordo com o Ministério da Justiça, a estratégia é intensificar operações simultâneas para enfraquecer a capacidade de articulação das facções criminosas em diferentes regiões do país e ampliar o compartilhamento de informações de inteligência entre os órgãos de segurança pública.
Especialistas em segurança pública ouvidos pelo Extra Classe têm defendido que operações de grande porte são importantes para desarticular organizações criminosas, mas alertam que seus resultados tendem a ser limitados quando não são acompanhados de investigações financeiras, cooperação entre diferentes órgãos de Estado e políticas públicas voltadas à prevenção da violência. O enfrentamento às facções, avaliam pesquisadores da área, depende de uma estratégia permanente capaz de atingir as fontes de financiamento, os mecanismos de lavagem de dinheiro e as redes de recrutamento de novos integrantes.
No plano institucional, o governo federal tem apostado na ampliação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), que reúnem Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias estaduais e Polícia Penal para compartilhar informações de inteligência e coordenar operações. A integração entre as corporações é um dos eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com o objetivo de enfraquecer a atuação interestadual das facções e reduzir sua capacidade financeira e logística.
Recentemente, o jurista e sociólogo Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo afirmou em entrevista ao EC que o enfrentamento da violência não pode ser reduzido a soluções simplistas ou a políticas baseadas exclusivamente na repressão. Azevedo é professor titular da Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e membro do Fórum Nacional de Segurança Pública. Para ele, operações espetaculares (como ocorrida no Rio de Janeiro em outubro de 2025 com grande número de mortos) costumam gerar apoio popular porque existe um cansaço real da população que vive sob domínio de grupos armados. “As pessoas querem respostas. Mas, muitas vezes, essas operações produzem apenas uma sensação momentânea de ação estatal”. O jurista, por outro lado, corrobora a visão de que o enfrentamento às facções deve ser feito pelas polícias, com inteligência, investigação financeira e atuação coordenada do sistema de justiça. (Leia entrevista completa).