O professor, o gigante e o escritor

Fabrício Silveira lança romance histórico ficcional ambientado na Itália entre 1876 e 1916 sobre Ugo Battista, o homem mais alto do mundo
Fabrício Lopes da Silveira se inspirou em uma história real para basear seu primeiro romance histór

Fabrício Lopes da Silveira se inspirou em uma história real para basear seu primeiro romance histórico e ficcional

Foto: Igor Sperotto

A literatura de ficção sempre bateu à porta do jornalista e professor de Comunicação Fabrício Lopes da Silveira, 47 anos, que, durante duas décadas de docência, dedicou-se a escrever livros sobre comunicação e cultura popular. Autor de O Parque dos Objetos Mortos – E outros ensaios de comunicação urbana (Armazém Digital, 2010), Grafite Expandido (Modelo de Nuvem, 2012), Rupturas Instáveis – Entrar e sair da música pop (Libretos, 2013), entre outros, o professor relata que sempre quis se aventurar pelo gênero ficcional, o que foi adiando, até por conta da dinâmica do mundo acadêmico. A oportunidade surgiu quando ele se deparou com a história do italiano Ugo Battista, um gigante de 2 metros e 39 centímetros de altura, considerado o homem mais alto do mundo à sua época, que viveu apenas 40 anos, entre 1876 e 1916. “Ele era da região de Piemonte. Trabalhou como atração de circo, os freak shows da época, e era uma espécie de celebridade antes da cultura moderna das celebridades”, define Fabrício, que resolveu escrever um romance histórico para resgatar a trajetória do curioso personagem.

Ugo Battista tinha 2 metros e 39 centímetros de altura

Foto: Reprodução/Web

Assim, o livro Gigante Figura (Editora Riacho, 2018), ilustrado pelo artista gráfico Denny Chang, assinala a estreia do autor no gênero ficção. “Descobri uma pequena biografia desse personagem e fiquei fascinado. Me pareceu, de imediato, um ótimo personagem para acompanhar, para recriar sua vida, utilizando-o como um modo de passear pela época, pelos primórdios da cultura comunicacional que vivemos hoje. O circo, como a fotografia, o cinema, o showbiz são construções históricas muito evidenciadas naquele momento”, revela.

A transição não foi fácil. “Foi um salto inesperado, tive que reaprender. A escrita ficcional impõe mais sofrimento, mas também é mais prazerosa porque mantém o autor ancorado na realidade histórica, o que considero importante como jornalista”, situa. O livro foi escrito no contexto de uma experiência de sala de aula. “Meus alunos tiveram acesso às elaborações parciais do texto. Puderam discuti-las, afinal, existem ali conteúdos que estavam sendo trabalhados. É uma via dupla: se pode, aqui, remeter tanto ao entendimento da história, de aspectos, personagens ou fatos históricos, quanto às próprias técnicas narrativas e/ou literárias.”

Graduado na Universidade Federal de Santa Maria (1995), Fabrício é Mestre em Comunicação e Informação pela Ufrgs (1998) e Doutor em Ciências da Comunicação (2003) pela Unisinos, instituição na qual foi professor da graduação e da pós em Comunicação de 1998 a 2018. Licenciado da instituição para fazer pós-doutorado na Ufrgs, ele dá uma pista sobre a tese. “Fiz um trabalho sobre comunicação urbana em Porto Alegre. Utilizei muita coisa de um autor que me acompanha até hoje: Walter Benjamin. Não há uma conexão direta com a literatura. No entanto, o próprio Benjamin era um crítico literário, explorava diferentes formatos narrativos em seus escritos. Além disso, a cidade de Porto Alegre, por exemplo, é uma presença forte e muito inspiradora na literatura gaúcha.” Os próximos livros, adianta, são uma coletânea de contos ilustrados por Chang e um romance sobre o mundo do trabalho.

 

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