Cultura
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O projeto Ecarta Anfitriã promove, nesta quarta-feira, 22 de julho, às 14h30, o encontro Céu, pássaro, jiboia: Cantos do cipó transpostos em imagem, com o cacique, artista e mestre dos cantos tradicionais Txana Ibã Sales Huni Kuin, liderança da Terra Indígena Rio Jordão, no Acre.
Foto: Reprodução/Instagram
Ao lado do filho, Tuyn Kaya, Ibã Sales apresentará histórias, cantos e imagens que deram origem ao Mahku (Movimento dos Artistas Huni Kuin), coletivo que transforma em pinturas os Huni Meka, cantos ancestrais transmitidos oralmente entre gerações. A mediação será do professor Eduardo Marasca, parceiro de iniciativas desenvolvidas com comunidades Huni Kuin no Acre.
A atividade propõe uma imersão na cultura Huni Kuin por meio de uma experiência que articula arte, memória, espiritualidade e território. As obras do Mahku traduzem visualmente conhecimentos preservados pela tradição oral e expressam a cosmologia desse povo amazônico, cuja relação com a floresta orienta seus rituais, sua organização social e sua produção artística.
O Mahku surgiu a partir da pesquisa desenvolvida por Ibã Sales na Universidade Federal do Acre (UFAC Floresta), voltada ao registro visual dos Huni Meka, entoados durante os rituais do Nixi Pae, bebida sagrada do povo Huni Kuin.
Nos últimos anos, o coletivo conquistou projeção no circuito internacional das artes. Suas obras integram acervos e exposições de instituições como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Arte do Rio, a Fondation Cartier, na França, e o Musée des Beaux-Arts de Montréal, no Canadá. O grupo também participou da Bienal de Veneza de 2024.
Além da preservação da memória ancestral, a produção artística do Mahku fortalece a autonomia das comunidades Huni Kuin. A comercialização das obras contribui para a aquisição de terras, a manutenção das aldeias e a defesa dos modos de vida desse povo indígena.
Os Huni Kuin, expressão que significa “povo verdadeiro” em sua língua, o Hãtxa Kuin, somam cerca de 14 mil pessoas no Brasil e vivem principalmente no Acre, além de comunidades no Peru. Sua cultura é marcada pela oralidade, pelos grafismos tradicionais (kene), pelos cantos rituais e pela transmissão dos conhecimentos ancestrais entre gerações.
Céu, pássaro, jiboia: Cantos do cipó transpostos em imagem
Diálogo com Txana Ibã Sales Huni Kuin
Participação: Tuyn Kaya
Mediação: Eduardo Marasca
Data: 22 de julho de 2026
Horário: 14h30
Local: Fundação Ecarta (Avenida João Pessoa, 943), Porto Alegre
Ingresso colaborativo:
Pré-venda de produtos do coletivo Mahku (tiragem limitada):
Toda a arrecadação será destinada ao coletivo Mahku, em apoio às ações de valorização da cultura Huni Kuin.
Informações: (51) 99186-1499.