Cultura
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Os relatos de vítimas reais de violência doméstica e de gênero são interpretados pelo elenco em nove episódios
Arte: Divulgação
A produção inédita será exibida às segundas-feiras, às 19h, a partir de 24 de agosto, nos canais do projeto no Youtube, no Facebook e no Instagram, com episódios de 15 minutos. A websérie Confessionário – Relatos de Casa é uma iniciativa de um grupo de artistas gaúchos e de uma advogada especializada em cuidar de casos de violência contra mulheres, que resolveu contornar as limitações impostas pelo isolamento social e abordar a violência doméstica e de gênero em todo o mundo.
No Brasil, a violência de gênero piorou com a pandemia. Entre março e abril, os casos de feminicídio aumentaram em 22% em 12 estados brasileiros em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
A série é uma obra de ficção com base em depoimentos reais com o objetivo de encorajar a denúncia em casos de violações. A concepção é da atriz e diretora de teatro Deborah Finocchiaro e do diretor de cinema Luiz Alberto Cassol.
A primeira temporada terá nove episódios com atrizes interpretando as histórias criadas a partir de relatos reais. Além da violência física, a série também relata casos de violência psicológica e moral.
A motivação para a criação do projeto aconteceu pela dura realidade de mulheres que vivem em situação de opressão e violência doméstica, e pelo aumento do número de casos durante esta pandemia, explicam os autores. “Cremos que a arte leva a caminhos de questionamentos e transformações. Queremos contribuir para a integridade e a humanização dentro dos lares, das cabeças, das vidas”, explica Deborah.
“O número de casos de violência física, moral e psicológica que mulheres sofrem diariamente aumentou drasticamente na pandemia. Também criamos o Confessionário para falar sobre a violência contra crianças e os diferentes tipos de violência que a sociedade naturaliza e faz crer que não seja debatido e enfrentado. A arte é transformadora e promove, na reflexão, a apropriação de conhecimento, a liberdade de pensamento”, complementa Cassol.

Débora Finochiaro (D): “Queremos contribuir para a integridade e a humanização dentro dos lares, das cabeças, das vidas”
Foto: Igor Sperotto/ Banco de Dados Fundação Ecarta
Os episódios, que têm 15 minutos cada, apresentam uma personagem relatando a sua história em primeira pessoa para uma suposta campanha, intitulada “Confessionário”, que pretende encorajar outras mulheres para que exponham as suas próprias histórias.
Também haverá a participação da advogada Gabriela Ribeiro de Souza, que ao final de cada “depoimento”, trará informações sobre fatores de risco, tipos de violência, formas e contatos para denúncia, números, estatísticas, entre outras informações relevantes.
“Os relatos devem vir à tona porque não podemos compactuar, através do silêncio, com a banalização da violência, com o descaso. Para democratizar o acesso. A linguagem confessional pretende encorajar, estimular outras mulheres para que contem as suas histórias, para que elas saibam que não estão sozinhas”, acrescenta Gabriela.
As gravações foram realizadas com a participação remota de cada membro da equipe e do elenco, que atuaram a partir de casa, respeitando o isolamento social. “O maior desafio foi chegar no ‘humano’, na verdade, ultrapassar a tecnologia para tocar na alma”, revela Deborah.
Cassol revela que é tudo diferente de uma gravação normal, num set. “É remota, com cada profissional em sua casa. Depois de definida toda a questão de argumento, roteiro, narrativa, partimos para questões técnicas. Gravamos por uma tela de computador, o que seria tecnicamente chamado de plano geral, o maior enquadramento, e com mais duas câmeras em frente à tela do computador. O diretor de fotografia vai fazendo outros enquadramentos. Usamos computadores e celulares, tudo de acordo com cada episódio”, detalha.