Governo gaúcho confirma veto ao projeto do estudo domiciliar

Na avaliação do Executivo, a ideia do homeschooling aprovada por deputados no início de junho deve ser normatizada por lei federal
Eduardo Leite (PSDB) confirmou veto ao projeto do homeschooling

Eduardo Leite (PSDB) confirmou veto ao projeto do homeschooling

Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini

A informação de que o governador Eduardo Leite (PSDB) vetaria o Projeto de Lei 170/2019, aprovado por maioria de votos em sessão de 8 de junho na Assembleia Legislativa foi divulgada pelo próprio autor da proposta na tarde de quinta-feira. A proposta autoriza a educação domiciliar no estado. Em nota divulgada na manhã desta sexta-feira, 2, o governo do estado confirma que o projeto será vetado.

A prática de homeschooling, que prescinde da educação formal e delega aos pais e outros responsáveis pelas crianças o estudo em casa e torna o ensino presencial uma opção das famílias é vetada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) antes que haja uma regulamentação.

A aprovação do projeto provocou a mobilização de entidades ligadas à educação, que organizaram o movimento de resistência ao ensino domiciliar #VetaGovernadorPL170. No dia 21 de junho, o coletivo de entidades entregou à Casa Civil ofício dirigido ao governador pedindo o veto do Projeto.

Em nota, o governo do estado afirma que o veto foi decidido depois de uma ampla ponderação dos aspectos técnicos e constitucionais da medida, ouvindo especialistas, Ministério Público, representantes da sociedade, inclusive o próprio deputado. “O governador entendeu que o tema ainda carece de amadurecimento, e por isso usou a sua prerrogativa legal e democrática do veto”. Na avaliação do governador, o tema está envolvo em insegurança jurídica, pois há o entendimento de que o ensino domiciliar deve ser normatizado por lei federal.

Contaminação bolsonarista

Em nota, o deputado Fábio Ostermann afirma que recebeu na tarde de quinta-feira, 1º uma ligação do governador Eduardo Leite informando que vetará o Projeto de Lei do Homeschooling (PL 170/19), aprovado por maioria absoluta na Assembleia Legislativa.

“Lamento profundamente essa decisão política e equivocada. O governador alega que a pauta estaria contaminada pelo “bolsonarismo”. Com essa posição, Leite demonstra estar mais preocupado com suas aspirações políticas e em antagonizar com Bolsonaro do que em garantir segurança e acolhimento às famílias educadoras RS afora”, atacou o parlamentar.

Ostermann defende que a educação domiciliar, “além de ser uma pauta fundamental para quem defende a liberdade, é uma modalidade reconhecida em mais de 60 países, a maioria deles com altos níveis educacionais. Além disso, teve sua constitucionalidade reconhecida pelo STF, o que nos permitiu ter o projeto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia”.

O parlamentar, que é da base do governo na Assembleia, qualificou a decisão do governador como “gesto de desrespeito e insensibilidade com pais e mães que dedicam suas vidas à educação dos seus filhos”. Ele afirma que Leite “não se dispôs a ouvir os argumentos de famílias educadoras ou especialistas na área favoráveis ao tema” e “optou pelo caminho do confronto e da sinalização ideológica, aliando-se aos grupos de esquerda que se opõem a toda e qualquer inovação na educação”.

Por fim, o parlamentar afirma que agora vai trabalhar “de forma incansável pela derrubada do veto e pela promulgação da Lei do Homeschooling no RS”.

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