Por trás das guerras

Banalização da violência, ignorância e manipulação no noticiário ocultam quem perde e quem ganha com os conflitos espalhados pelo globo
Paramédico carrega uma criança ferida para o hospital após um ataque aéreo israelense, na cidade de Rafah, ao sul da Faixa de Gaza

Paramédico carrega uma criança ferida para o hospital após um ataque aéreo israelense, na cidade de Rafah, ao sul da Faixa de Gaza

Foto: Divulgação © UNICEF/Eyad El Baba

Bombardeios no Iraque, Gaza, Afeganistão, Sí­ria. Sequestro de jovens nigerianas. As guer­ras espalhadas pelo mundo estão no noticiá­rio diariamente, mas nem sempre se entende o motivo de tantas mortes, bombas, sequestros, inva­sões. Notícias sem contextualização política, econômica e histórica levam estes conflitos para longe da realidade de cidadãos no Brasil, que pensam: “o que eu tenho a ver com isso?”. Conhecer as razões das guerras permite formar uma consciência crítica sobre o mundo atual e sair do território das manipulações de informação para exercer o protagonismo da própria História.

“É difícil que alguém no Brasil se sinta parte de um conflito quando não há interesses em jogo, nem es­tratégicos, nem comerciais. Às vezes, como no caso da Nigéria (sequestro de jovens pelo grupo Boko Haram), o que o torna próximo é o fato de que estão sequestra­das muitas meninas”, afirma o professor Antoni Castel, codiretor do Mestrado em Comunicação de Conflitos Armados, Paz e Movimentos Sociais da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha. Geralmente, as notícias de jornal, redes sociais, rádio e televisão mos­tram apenas a parte mais sangrenta do processo, e as divergências étnicas ou religiosas. “Em especial nos conflitos africanos, se tende a fazer uma leitura étnica sem levar em conta outras questões, como a competição pelo poder. Existe, em algumas ocasiões, uma instru­mentalização do pertencimento étnico”, alerta Castel.

A difusão das redes sociais, e da internet de uma forma geral, permite que se ampliem os canais de in­formação e se busquem novas fontes para aprofundar o conhecimento sobre o que está acontecendo em di­ferentes pontos do mundo. O mapa da página 15, dis­ponível no Observatório de Conflitos e Construção de Paz, organizado pela Escola de Paz, na Espanha, com apoio do Ministério de Exteriores da Noruega, traz informações sobre as dinâmicas dos conflitos, in­cluindo os enfrentamentos, número de vítimas, deslo­camentos forçados, militarização e desarme. Dados do Observatório indicam que, entre abril e junho de 2014, a cifra total de conflitos armados ativos era de 35, sendo a maioria deles na África (13), Ásia (11), seguidos do Oriente Médio (seis), Europa (quatro), e América (um).

Segundo o Observatório, entende-se por conflito armado todo enfrentamento protagonizado por grupos armados regulares ou irregulares em que o uso contínuo e organizado da violência provoca um mínimo de cem vítimas mortais em um ano e/ou um grave impacto no território (destruição de infraestrutura ou da natureza) e na segurança da população (ferida, deslocada, violen­tada sexualmente, com insegurança alimentar, impacto na saúde mental e no tecido social, ou interrupção dos serviços básicos). Normalmente estes conflitos estão vinculados: a demandas de autodeterminação e auto­governo; aspirações identitárias, de oposição ao sistema político, econômico, social ou ideológico de um Estado ou da política interna ou internacional de um governo − o que motiva a luta para chegar ao poder ou derrubá-lo −, ou luta para ter o controle dos recursos do território.

IRAQUE: petróleo
O Iraque foi o primeiro país a buscar a indepen­dência depois da 2ª Guerra Mundial e surgiu com fronteiras e limites de acordo com a vontade do Reino Unido (que concedeu a independência). Historica­mente, nas suas fronteiras, há um encontro de culturas, grupos étnicos e religiosos. Nos oito anos da 1ª fase da guerra Irã-Iraque, o Iraque teve apoio dos EUA e de países árabes. Os EUA e o Reino Unido vendiam armas para o Iraque. Numa segunda fase, o Iraque, en­dividado, iniciou a guerra contra o Kuwait reclamando territórios. O atual conflito armado com os EUA co­meçou em março de 2003 sob argumento da presença de armas de destruição massiva. O fator que desen­cadeou oficialmente a invasão foram os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque reivindicados pela Al-Qaeda. O então presidente George W. Bush afirmou a existência de vínculos entre a organização e o regime de Sadam Hussein. Desde a primeira guerra do Iraque (1990-1991), os EUA haviam considera­do a possibilidade de controlar o país, que dispõe da terceira reserva mundial de petróleo. É provável que apoiem um estado novo para os curdos, seus aliados.

Por trás das guerrasArte: D3 Comunicação

ISRAEL-PALESTINA: localização estratégica
O conflito se iniciou em 1947, quando a Assem­bleia Geral das Nações Unidas dividiu o território da Palestina que estava sob o mandato britânico em dois Estados. Em 1948 o Estado de Israel anexou Jerusa­lém a Oeste, e o Egito e a Jordânia ocuparam Gaza e Cisjordânia, respectivamente. Em 1967, Israel ocupou o Leste de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza ao vencer a Guerra dos Seis Dias contra os países árabes. Nos acordos de Oslo a autonomia dos territórios palesti­nos foi formalmente reconhecida, mas Israel mantém o controle. O conflito foi retomado em 2000 com a 2ª Intifada decorrente do fracasso do processo de paz em Oslo (1993-1994). Fatos relacionados com a Primeira Guerra Mundial contribuíram para o surgimento de um nacionalismo árabe crescente. Os Estados Unidos apoiam Israel, seu principal agente na região, o que lhe permite de maneira indireta exercer o controle de todo o Oriente Médio. Também tem como aliados Egito, Arábia Saudita, Emirados e Jordânia.

AFEGANISTÃO: petróleo
Vive um conflito armado permanente nas últimas três décadas. A primeira fase começou no fim do regi­me monárquico existente no país desde 1933, por meio de um golpe de Estado em 1973 que abriu as portas a sucessivos governos na órbita de Moscou, tornando­-se um cenário da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. A invasão russa marcou o início de uma guerra civil em que as tropas afegãs enfrentaram as guerrilhas anticomunistas de ideologia islâmica. As guerrilhas tiveram o apoio norte-americano e da Ará­bia Saudita e agruparam combatentes de inúmeros pa­íses muçulmanos. Em 1992, Ahmed Shah Massoud e o general Abdul Rashid Dostum criaram a Aliança do Norte, que assumiu o governo após a retirada das tro­pas soviéticas entre 1988 e 1989. O terceiro período de guerras se caracteriza pelo surgimento e ascensão dos talibãs, antigos guerrilheiros anticomunistas. O regime talibã, que subiu ao poder em 1997, foi reconhecido pela Arábia Saudita, Paquistão e Emirados Árabes Unidos. Os EUA apoiaram os jihads em suas origens para que lutassem no Afeganistão contra a invasão russa.

NIGÉRIA: posição estratégica na África Ocidental, petróleo
O surgimento do grupo armado Boko Haram tem suas raízes no subdesenvolvimento econômico do norte do país e na progressiva perda de poder po­lítico de seus representantes desde a independência. Se propõe a lutar contra a corrupção e a incapacida­de do governo de atender aos cidadãos. O norte da Nigéria abriga os estados mais pobres do país, que buscam no Islã uma alternativa para reestabelecer a dignidade e ética social. A Nigéria tem uma com­posição étnica de múltiplas crenças religiosas. Ain­da que praticamente a metade da população profes­se a religião muçulmana, cerca de 40% são cristãos e 10% animistas. A maioria dos muçulmanos são moderados e dentro de sua fé coexistem tradições africanas e islâmicas. O sultão do estado de Sokoto está na cabeça da cúria islâmica que segue a tradi­ção sunita. A história de resistência do Sultanado frente aos colonizadores britânicos transformou-se em colaboracionismo depois da independência, com conivência e permissividade de seus líderes.

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO: recursos naturais, como diamantes, ouro e coltán
O conflito atual tem origem no golpe de Estado de Laurent Desiré Kabila em 1996 contra Mobutu Sese Seko, que culminou com a cessão do poder des­te em 1997. Em 1998, Burundi, Ruanda e Uganda, junto a diversos grupos armados, tentaram derrocar Kabila, que recebeu apoio de Angola, Chade, Na­míbia, Sudão e Zimbábue O controle e a exploração dos recursos naturais contribui para a perpetuação do conflito e a presença de forças armadas estrangeiras. A assinatura de um cessar fogo em 1999, e de diver­sos acordos de paz entre 2002 e 2003, permitiu a re­tirada de tropas estrangeiras, e eleições em 2006, mas não garantiu o fim da violência, devido à presença de facções de grupos não desmobilizados e da FDLR (Forças Democráticas para Libertação de Ruanda), responsável pelo genocídio de Ruanda em 1994. O descumprimento dos acordos de paz de 2009 propi­ciou em 2012 a deserção de militares do antigo grupo armado Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) integrados ao Exército congolês, que orga­nizaram uma nova rebelião apoiada por Ruanda. In­teressante lembrar que a França apoiou o conflito de Ruanda, assim como manteve durante muito tempo apoio a outros ditadores na África.

SÍRIA: posição estratégica
O conflito armado desde 2011 tem raízes na contestação social e política não violenta ao regime de Bashar al-Assad, e teve como marco a chamada Pri­mavera Árabe. A repressão às mobilizações pacíficas da população levou a uma insurgência armada e a uma enorme repressão. Está em jogo o destino do regime, e interesses regionais e internacionais, pois a Síria é um país-chave no equilíbrio de poder no Oriente Médio.

UCRÂNIA: posição estratégica, gás natural
A Ucrânia atual se tornou um Estado inde­pendente em 1991, após estar vinculada ao império russo e à União Soviética no passado. Atravessa períodos de rivalidades internas pelo controle do poder político e econômico. A Rússia quer manter a Ucrânia, que depende do gás russo, sob sua in­fluência. Além disso, a Crimeia, região autônoma de maioria russa, foi transferida da União Soviética para a Ucrânia em 1954 e mantém na Rússia sua frota naval. A chamada Revolução Laranja, em 2004, foi caracterizada por manifestações massivas que le­varam ao poder o candidato pró-Ocidente Victor Yushchenko, em 2005. Seu rival pró-Rússia Victor Yanukovich se impôs nas eleições parlamentares de 2006, dando caminho a uma difícil coexistência po­lítica. No final de 2013, houve novos protestos que geraram violência, saída do presidente Yanukovich em fevereiro de 2014, a anexação da Crimeia pela Rússia e um novo conflito armado. Os Estados Uni­dos e a União Europeia insuflaram as tentativas da Ucrânia de se tornar independente da Rússia. Desta forma, a Ucrânia poderia entrar para a Organiza­ção do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ceder as bases e o controle sobre o Mar Negro, o único que não congela e que serve de passagem para o gás russo. O governo da Rússia previu a possibilidade de ficar isolado e interveio. Não é tanto um conflito pelos recursos naturais, senão de geoestratégia.

Mortes e briga pelo poder na luta pelo domínio das riquezas naturais
Uma guerra que hoje está nas manchetes de jor­nais, sites e blogs, amanhã nem aparece no noticiário. O que importa, do ponto de vista das grandes em­presas de comunicação, é o que vai “vender”. “Confli­tos às vezes são esquecidos porque não atraem mais a atenção da audiência”, explica Charles Pennaforte, coordenador do Curso de Relações Internacionais da Universidade Paulista e diretor-geral do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais (Cenegri), com sede no Rio de Janeiro.

Refugiado sírio em acampamento da ONU, na Jordânia, leva as três filhas para escola da Unesco na fronteira

Refugiado sírio em acampamento da ONU, na Jordânia, leva as três filhas para escola da Unesco na fronteira

Foto: Divulgação © UNICEF/Noorani

A geopolítica estuda as relações entre a política de poder dos Estados e com o mundo. “Para enten­der o que acontece nestes locais, é preciso recor­dar o processo de colonização do passado, em que grandes potências, como Inglaterra e França, estão presentes”, diz Pennaforte. O conflito surge quando o governo de um país que detém a riqueza natural decide não fazer mais o jogo das grandes potên­cias. “Ou, quando um grupo político se apropria da região e tem por trás uma potência para jogar uns contra os outros e obter assim os produtos mais ba­ratos”, acrescenta. Pennaforte ressalta que é preciso lembrar que uma guerra é um negócio: a venda de armas movimenta entre UR$ 1 bilhão e US$ 5 bi­lhões, segundo o Instituto Internacional de Estu­dos de Paz de Estocolmo (Stockholm International Peace Research Institute − Sipri).

Pennaforte, que é autor do livro África: Pers­pectivas e Desafios, destinado a estudantes do Ensi­no Fundamental e Ensino Médio (Editora Atual), explica que na África, por exemplo, o que está em jogo são as matérias-primas, como o petróleo e os diamantes. No livro, ele traça um panorama geral da região, desde as guerras tribais, de forma a oferecer uma compreensão de todo o processo. E o que os brasileiros têm a ver com isso tudo? Existem circui­tos internacionais em que as matérias-primas destas regiões são comercializadas. É o caso do diaman­te. “Do ponto de vista ético e moral, não comprar destes vendedores colabora para diminuir os confli­tos”, acredita Pennaforte. O fundamental para estar bem-informado, na visão do professor, é procurar informações fora da chamada “grande mídia”. Para se fazer uma análise mais profunda, tem que buscar outras fontes, insiste.

Comércio de armas e construtoras movimentam as guerras
Documentos publicados pelo jornal britâni­co The Guardian, divulgados pela organização sueca Wikileaks, indicam que parte do armamento utiliza­do pelo Exército Islâmico do Iraque e da Síria, que recentemente mudou o nome para Estado Islâmico (conhecido por Isis), veio de grupos armados pelos Estados Unidos e cooptados pelo líder islâmico Abu Bakr al-Baghdadi, que atualmente controla territó­rios na Síria e no Iraque. A informação confirma o que dizem os dados do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Stockholm Interna­tional Peace Research Institute − Sipri).

Figuram na lista dos 20 maiores exportadores de armas entre 2009-2013 do Sipri, considerando o volume de transferência, e não o valor dos produtos: Estados Unidos, Rússia, Alemanha, China, França, Reino Unido, Espanha, Ucrânia, Itália, Israel, Su­écia, Países Baixos, Coreia do Sul, Suíça, Canadá, Belarus, Noruega, África do Sul, Uzbequistão e Austrália. Segundo o Sipri, neste período houve um aumento de 14% do volume de transferências em relação a 2004-2008.

A América Latina, e mais especificamente o Brasil, também participa deste mercado. Dados do site interativo do Google referentes às importações e exportações de armas e munições no período entre 1992 e 2010, baseados nos levantamentos do Instituto de Pesquisa de Paz de Oslo, Noruega, mostram que o país exportou U$ 268.074.861, incluindo armamen­to civil e militar. Entre as empresas que se destacaram em 2012 na lista do Sipri estava a Embraer, com a venda de aviões militares. Ao longo da última década, armamentos e munições foram vendidas por empre­sas brasileiras para abastecer as guerras no Zimbábue, Angola, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Filipinas, Israel e até Paquistão. Já as importações de armas brasilei­ras cresceram 65% entre 2009-2013 e 2004-2008, de acordo com os levantamentos do Sipri.

Trecho do documentário Ukraine: The Last Days of the Revolution da VICE

Trecho do documentário Ukraine: The Last Days of the Revolution da VICE

Foto: Reprodução / VICE

“O Brasil pretende ser a grande potência da América Latina, mas está escolhendo um caminho equivocado, aposta pelo militar quando não tem ini­migos importantes. Além disso, é o principal fabri­cante de armas da América Latina, e vende a quem as compre… é um caminho perigoso porque segue os passos das grandes potências, e isso não é uma polí­tica das esquerdas”, analisa Pere Ortega, investigador em paz e desarmamento, coordenador do Centro de Estudos pela Paz J.M.Delàs, da Espanha. Orte­ga descreve no livro As violências na América Latina (Editorial Dharana, 2014) como a presença norte­-americana na região, que ficou evidente na Opera­ção Condor nas décadas de 1970 e19 80, ao dar apoio às ditaduras e governos repressivos, se mantém ainda hoje, ainda que de forma desigual − está mais presen­ te no México, Colômbia e Honduras, do que no Brasil e na Argentina. É mais evi­dente nos planos de luta contra o narco­tráfico e crime organizado, especialmente na América Central. O governo norte­-americano faz pressão sobre os governos da Venezuela e sobre Cuba, enquanto aju­da militarmente seus aliados na Colômbia e no Peru e hostiliza governos de esquerda no Equador e na Bolívia, resume Ortega. O professor chama a atenção para as inú­meras bases militares dos EUA no conti­nente: são mais de 700 bases e instalações militares em nível mundial.

Não são só as indústrias de armas que lucram com as guerras. Empresas do Reino Unido concorreram, em março de 2014, com empresas norte-americanas interessadas em participar da “re­construção” do Iraque. Os EUA ganharam os prin­cipais contratos, gerando reclamações por parte de políticos europeus, conforme mostrou recentemente a rede BBC, de Londres. Além disso, houve denún­cias de opositores do governo de que as empresas ganhadoras seriam doadores da campanha do Parti­do Republicano e ligadas a políticos do governo. Os contratos abrangem desde redes de esgoto, sistema hidráulico a eletricidade. A lista deles está disponível no site do Departamento de Estado norte-america­no (http://www.state.gov/e/eb/cba/iraq/) .

E há ainda atividades criminosas, como o desvio do dinheiro destinado à ajuda das cidades atingidas. Em março, John Sopko, inspetor-geral especial para a reconstrução do Afeganistão, declarou à imprensa que os EUA falharam em implementar um sistema de acompanhamento dos projetos de reconstrução, o que contribuiu para os casos de corrupção no go­verno afegão (veja o relatório do inspetor em http:// www.sigar.mil/pdf/special%20projects/SIGAR-14- 36-SP.pdf). O inspetor denunciou a possibilidade de os EUA estarem ajudando a pagar salários para trabalhadores fantasmas da Polícia Nacional Afegã.

Trecho do documentário Russian Pilots of the Congo da VICE News

Trecho do documentário Russian Pilots of the Congo da VICE News

Foto: Reprodução / VICE

Novas mídias: VICE atrai jovens
As redes sociais e as novas mídias propiciaram a abertura de novos canais de informação e jornalismo para quem quer entender o que está acontecendo no mundo. Uma delas é a VICE, que nasceu em 1994 no Canadá como uma revista mensal voltada para o público jovem e hoje atua como um grupo de mídia em mais de 35 países. A VICE opera o primeiro ca­nal on-line de vídeos originais, o VICE.COM; uma rede internacional de canais digitais; uma produtora de vídeo; um selo musical e uma agência interna de serviços criativos. Os canais digitais da VICE no Brasil incluem o Noisey, sobre o universo musical; o Thump, sobre música eletrônica; o Motherboard, sobre tecnologia, ciência e meio ambiente; e em breve vai estrear o VICE News, com a cobertura dos principais acontecimentos. Um dos objetivos é despertar o interesse do jovem para questões impor­tantes da atualidade, informa Malu Viotti, gerente de comunicações. Em agosto, a VICE ganhou o Emmy, prêmio máximo da tv norte-americana, por Melhor Série ou Especial Informativo de Destaque com uma série veiculada no canal HBO que trazia reportagens sobre vários temas, incluindo o tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

Sugestões para iniciar os debates:

Sangue no Celular neste documentário (Blod i Mobilen, Dinamarca, 2010), o di­retor Frank Piasecki Poulsen mostra como o interesse pelo coltán, mineral usado na fabricação de celulares, videogames e outros aparelhos eletrônicos, tem financiado a exploração do trabalho escravo infantil e a guerra civil no Congo.

Diamante de Sangue (Blood Diamond) − filme do diretor Edward Zwick. A história se passa em Serra Leoa nos anos 1990 e mostra a relação entre o comércio de diamantes e os conflitos internos do país.

Observatório de Conflitos e Construção de Paz (Espanha)
http://escolapau.uab.cat

Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri)
http://www.sipri.org

Exportação e Importação de Armas 1992-2010 (Google)
http://armsglobe.chromeexperiments.com/ 

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