Ambiente
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Além das questões geofísicas, o professor e pesquisador Jefferson Cardia Simões, da Ufrgs, e membro da Academia Brasileira de Ciências, aponta para o que chama de “engodo do investimento privado”, argumentando que a operação logística do porto exigiria massivos aportes públicos em infraestrutura rodoviária
Fotos: Kelly Demo Christ/ALRS
Porto Alegre recebe nesta quinta-feira, 18, a segunda audiência pública oficial sobre o licenciamento ambiental do Porto Meridional, terminal portuário privado projetado para Arroio do Sal, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Promovido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o encontro ocorre às 18h, no Grêmio Náutico União, e integra o processo de análise da viabilidade ambiental do empreendimento.
A audiência na capital sucede a primeira etapa de consulta pública realizada, na terça-feira, 16 de junho, em Arroio do Sal. Na ocasião, mais de 600 pessoas acompanharam a apresentação dos estudos elaborados pela DTA Engenharia no CTG Rincão da Estância. Segundo a organização, foram encaminhados mais de 50 questionamentos ao órgão licenciador.
Entre os críticos do projeto está o professor e pesquisador Jefferson Cardia Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Para ele, o Porto Meridional representa o que chama de “engodo do investimento privado”. Segundo o pesquisador, embora o empreendimento seja apresentado como um investimento privado de R$ 6,5 bilhões, sua operação dependeria de vultosos investimentos públicos em infraestrutura logística.

Audiência pública realizada na Assembleia Legislativa em abril deste ano sobre o impacto ambiental do Porto Meridional
Fotos: Kelly Demo Christ/ALRS
Na avaliação de Simões, o volume projetado de cargas exigiria ampliações e adequações em rodovias estratégicas para o escoamento da produção, como a Rota do Sol, a BR-101 e a Estrada do Mar. Para o pesquisador, parte significativa dos custos necessários para viabilizar a operação acabaria sendo transferida ao poder público, contrariando a narrativa de que o empreendimento seria financiado exclusivamente pela iniciativa privada.
Além dos questionamentos sobre a logística, Simões alerta para possíveis impactos ambientais associados à construção de um terminal em mar aberto. Segundo ele, a estrutura poderá alterar a dinâmica costeira do Litoral Norte ao interferir no transporte natural de sedimentos, provocando processos erosivos em áreas situadas ao norte do empreendimento.
O pesquisador sustenta que essas alterações poderiam modificar permanentemente a configuração das praias da região e afetar municípios cuja economia depende do turismo, como Capão da Canoa e Tramandaí. Na sua avaliação, os impactos potenciais justificam uma análise criteriosa dos estudos ambientais apresentados pelos empreendedores.
Como alternativa, Simões defende a ampliação e modernização de estruturas já existentes, como o Porto de Rio Grande, além do fortalecimento da malha ferroviária gaúcha. Segundo ele, essas medidas poderiam ampliar a capacidade logística do Estado com menor impacto ambiental e menor necessidade de intervenções em áreas preservadas do litoral.
A audiência pública desta quinta-feira será transmitida ao vivo pelo canal oficial do projeto no YouTube. Conforme o rito do Ibama, as manifestações registradas durante o encontro passarão a integrar o processo de licenciamento ambiental e poderão subsidiar a decisão sobre a eventual emissão da Licença Prévia do empreendimento.
Edição executiva: César Fraga