Economia
Quem aderir ao Desenrola Adimplentes não poderá usar Bets por seis meses
As Bets têm causado preocupação no governo brasileiro pelo alto nível de endividamento que está…

Proposta legislativa foi entregue à Câmara Federal no dia 21 de junho, ao presidente da Comissão de Legislação Participativa (CLP), deputado federal Pedro Uczai (PT/SC), que assumiu a relatoria do PL
Foto: ACD/Divulgação
Já tramita na Comissão de Finanças e Tributação ( CFT ) da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar elaborado pela Auditoria Cidadã da Dívida e demais entidades apoiadoras para impor um limite aos altos juros cobrados no Brasil.
O Projeto de Lei foi apresentado pela ACD à Câmara Federal no último dia 21 de junho e nominado como PLP 104/2022, que propõe alteração na Lei 1.521, de dezembro de 1951, para limitar as taxas de juros no país, como ocorre em mais de 70 países, entre eles, Portugal, Espanha e França.
Na Câmara, a proposta legislativa tem a relatoria do deputado Pedro Uczai (PT/SC). No Senado, a matéria tem como relatora a senadora Zenaide Maia (Pros/RN).
Como é de praxe, a Câmara dos Deputados faz uma enquete com a população sobre a popularidade das matérias. Qualquer cidadão pode opinar sobre a proposta para nortear a decisão dos parlamentares.
Basta fazer login com um conta Google, Facebook, Apple ou criar uma conta no site do governo para votar e dizer aos parlamentares se o limite dos juros deve ou não virar lei e se concorda totalmente, parcialmente ou discorda, podendo sugerir acrescentar pontos ou suprimir na proposta. Até o término da redação desta matéria, 97% dos votantes apoiam a iniciativa, 1% concorda com a maior parte e 2% discordam totalmente. Para votar clique aqui.
“Com o avanço do nosso Projeto de Lei Complementar esperamos interromper esta nociva política monetária que joga contra o próprio povo e favorece apenas o setor financeiro e seus rentistas”, diz nota da Auditoria Cidadã.
Para saber mais sobre a o limite de juros acesse: auditoriacidada.org.br/limitedosjuros

Maria Lucia Fatorelli: “Todos estamos pagando altas taxas sobre o que nos é concedido como crédito por diversas instituições do mercado financeiro”
Foto: Reprodução/TVCâmara
“Os juros altos têm sido o principal fator de crescimento da dívida pública no Brasil (federal, estadual e municipal), assim como da dívida das empresas e das pessoas”, denuncia a auditora fiscal aposentada Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da ACD.
“Enquanto o mundo todo está praticando taxas de juros próximas de zero ou até negativas há anos, o custo médio da dívida divulgado pelo Tesouro Nacional em 2021 foi de 8,91% ao ano, custo bem mais elevado que a média da taxa básica de juros Selic, uma vez que a maior parte da dívida está indexada a outras taxas de juros bem superiores”, exemplifica.
Em 2022 a Taxa Selic já foi aumentada quatro vezes, e está agora em 13,25% ao ano. Toda vez que ela aumenta, também sobem as demais taxas vigentes no mercado, que atingem percentuais muito superiores à Selic.
Segundo a coordenadora, juros alto amarra a economia, provoca a quebra de empresas, aumentam o desemprego e a desigualdade social. “Faz com que um país rico como o Brasil vergonhosamente retorne ao mapa da fome, enquanto o lucro dos bancos bate recordes”, destaca. “77% das famílias brasileiras estão endividadas”.
Para se ter uma ideia dos juros bancários, segundo Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média vigente em junho/22 para o cartão de crédito estava em 13,96% ao mês, o que significa 380% ao ano. De acordo com o Banco Central (BC) tal taxa pode atingir até mais de 1.000% ao ano.
A taxa média vigente em junho passado (quando a proposta foi apresentada) para o cheque especial estava em 7,98% ao mês, o que significa 151,26% ao ano. O BC fixou esse limite em 151,82% ao ano (8% ao mês, segundo a Resolução nº 4.765, de 27 de novembro de 2019), e apenas para pessoas físicas, enquanto pessoas jurídicas chegam a pagar taxas de até 442,58% ao ano.
Mesmo para pessoas físicas, verifica-se que há casos em que as taxas superam os 151,82% ao ano, atingindo até 178,57% ao ano, considerando-se também “encargos fiscais e operacionais incidentes sobre as operações.
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