Entidades repudiam aprovação do Escola sem Partido em São Lourenço do Sul

Após aprovação do projeto no Legislativo, movimentos sociais fazem mobilização para que a proposta não seja sancionada pelo prefeito nesta sexta-feira, 20
Câmara de Vereadores de São Lourenço do Sul aprova lei da Escola Sem Partido sob protestos

Câmara de Vereadores de São Lourenço do Sul aprova lei da Escola Sem Partido sob protestos

foto: Nadolpho Neto/ Câmara de São Lourenço/Divulgação/

Além dos autores da proposta, votaram a favor os vereadores Abel Bueno e Jonatan Harter, ambos do PDT, contrariando a orientação do partido em nível nacional, que repudia o projeto escola sem partido por sua “visão elitista e conservadora”. Os vereadores do PT Márcia Lucas, Luis Weber, Rodrigo Seefeldt e Ronei Schmalfuss, e a presidente do Legislativo, Carmem Roveré (PSB) votaram contra a proposta. “O Escola Sem Partido ofende os princípios da liberdade de ensino, do pluralismo de ideias e concepções pedagógicas e da gestão democrática de ensino”, manifestou Carmem.

Diversas manifestações de repúdio foram divulgadas após a votação pelos movimentos sociais contrárias ao projeto. Representantes do Sinpro/RS, Cpers-Sindicato, CUT-RS, Partido dos Trabalhadores, Associação dos Professores da Furg (Aprofurg), Associação dos Docentes da UFPel (Adufpel), entre outros, solicitaram audiência com o prefeito Rudinei Hartner (PDT)  para esta sexta-feira, 20, para manifestar a contrariedade com a aprovação do projeto e solicitar que a Lei não seja sancionada.

As entidades alertam que o projeto é inconstitucional, pois afronta os artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 1988. O artigo 206, inciso II, prevê a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. O III, por sua vez, trata do pluralismo de ideias e concepções pedagógicas.

O Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS), em nota encaminhada ao prefeito, ao Conselho Municipal de Educação e à presidência do legislativo municipal, repudiou a aprovação do projeto, destacando que proposta de mesmo teor, aprovado no estado de Alagoas, já foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, o Cpers considerou “lamentável a decisão, pois este projeto cerceia a liberdade de pensamento, tolhe a formação plena dos alunos e impede o pluralismo de ideias e a formação de cidadãos críticos e conscientes sobre o seu papel na sociedade. Ou seja, representa um gigantesco retrocesso na educação e uma grave ameaça à liberdade dos professores dentro da sala de aula”.

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