MOVIMENTO

Gás de cozinha por 45 reais

Com preços mais baratos, petroleiros subsidiam botijões para a população de Esteio em campanha por preço mais justo
Da Redação / Publicado em 19 de julho de 2021
Ação foi realizada no centro de Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre

Foto: Sindipetro/Divulgação

Ação foi realizada no centro de Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre

Foto: Sindipetro/Divulgação

Na tarde desta segunda-feira, 19, uma centena de moradores do município de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, adquiriu botijões de gás de 13 quilos a R$45 reais.  Não, o preço não baixou. Segue custando entre R$ 85,63 e R$ 125,00, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Trata-se de uma ação do Sindicato dos Petroleiros do RS (Sindipetro-RS),  que está promovendo mais uma edição da campanha “Gás a preço a Justo”. Nessa ação política foram subsidiados 100 botijões de gás de cozinha de 13kg e vendidos à população por valores  que os sindicalistas consideram justos. A ação ocorreu às 15h, na rua Passo Fundo, no Centro de Esteio.

Foto: Sindipetro/Divulgação

Foto: Sindipetro/Divulgação

De acordo com nota do Sindipetro, o objetivo da campanha é mostrar que é possível vender o gás de cozinha a um preço mais baixo do que está sendo praticado hoje no mercado, levando-se em consideração o custo de produção nacional, mantendo o lucro das distribuidoras, revendedoras, da Petrobrás e a arrecadação dos impostos dos estados e municípios.

Atenção da sociedade

Na opinião de Fernando Maia da Costa, presidente do sindicato, “a campanha é uma forma de chamar a atenção pelo o que estão fazendo com o nosso povo, famílias voltaram a usar lenhas para cozinhar, sendo o Brasil um país produtor de petróleo. Além da campanha ‘Preço Justo’, também estamos pressionando os políticos de todas as esferas para a mudança na política de preço da Petrobrás”.

Atividade bem recebida pela população

Foto: Sindipetro/Divulgação

Atividade bem recebida pela população

Foto: Sindipetro/Divulgação

“A atividade foi bastante positiva e a população está aderindo e questionando. Sempre destacando que as pessoas, conforme participam, também relatam a dificuldade de comprar o gás por estar muito caro. O que se agrava com o cenário de desemprego e de aumento da inflação. Nesse contexto, que estava lá ficou feliz de poder comprar mais barato e ao mesmo tempo questionando as políticas de governo que levam a carestia do gás”, relata Dary Beck Filho, da direção do Sindipetro.

Botijões foram subsidiados pelo Sindipetro para chegar aos moradores por preço considerado "justo"

Foto: Sindipetro/Divulgação

Botijões foram subsidiados pelo Sindipetro para chegar aos moradores por preço considerado “justo”

Foto: Sindipetro/Divulgação

Queimaduras

Em junho deste ano, após nova alta do preço do botijão, 90% por cento das 21 pessoas internadas na Unidade de Queimados do Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, se acidentaram ao cozinhar com álcool comprado em posto de combustível. Um homem de 33 anos morreu em Goiânia, com 50% do corpo queimado por utilizar álcool para cozinhar. Crescem, os relatos de incidentes e acidentes gerados a partir de improvisações geradas pela alta de preço do produto, que se tornou inacessível a um número crescente de famílias .

Venda da Refap

No entendimento dos petroleiros, com o anúncio da venda da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, e seus terminais e oleodutos, toda a sociedade gaúcha perde. Além da redução na arrecadação dos repasses de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para o estado, o preço do combustível e gás de cozinha vai aumentar para o consumidor.

Para o Sindipetro, a venda da REFAP nada mais é do que a privatização do mercado de boa parte da região sul, pois a refinaria atende o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catariana e é esse mercado que estará sendo entregue ao monopólio privado. A atual política de preços (paridade internacional), implementada em 2016, só elevou os preços dos combustíveis. Desta forma, a privatização da REFAP não vai gerar concorrência e deixará o povo gaúcho refém das especulações em torno do petróleo e do dólar.

Petroleiros identificam nos caminhoneiros pautas de reivindicações similares e que seriam também de interesse da população: como o fim do Preço de Paridade de Importação (PPI) adotado pela Petrobras, que atrela os preços dos combustíveis no Brasil ao valor do barril de petróleo no mercado internacional e o cancelamento da venda das refinarias da estatal.

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