Política
A reforma trabalhista que não entregou o prometido e o risco de argentinização
Em 2027 se completará uma década da reforma que prometeu mais empregos e “modernizar” relações…

Parte dos 25 gestores bolsonaristas que viajaram a Israel para participar de uma feira de segurança e ficou presa em um bunker, já deixou o país por iniciativa do governo brasileiro
Imagem: Redes Sociais/ Reprodução
Parte dos gestores municipais brasileiros que ficaram retidos em Tel Aviv após o início dos conflitos entre Israel e Irã, na última quinta-feira, 12, conseguiu cruzar a fronteira com a Jordânia em segurança, nesta segunda-feira, 16. “Graças a Deus, deu tudo certo na viagem, e já estamos aqui, na Jordânia, fazendo os procedimentos de visto”, informou, em uma mensagem de vídeo, o tesoureiro da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Nélio Aguiar, pouco após chegar à Jordânia, de ônibus.
Aguiar integra o grupo de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais que viajaram a Israel com a justificativa de participar de uma feira de tecnologia e segurança. Entre os que permaneceram em Israel está o secretário de segurança pública de Porto Alegre, Alexandre Aragon (PL). Em nota, a prefeitura de Porto Alegre informou que “o Secretário de Segurança de Porto Alegre, Alexandre Aragon, está em Israel para um curso voltado a segurança urbana, resiliência e tecnologia de defesa civil e segurança, assim como representantes de outros estados brasileiros. Durante a agenda, teve início o conflito entre Israel e Irã. Todos foram abrigados em bunkers. Parte da comitiva saiu e o secretário, por decisão pessoal, optou por ficar”.

O secretário de Segurança Pública de Porto Alegre, Alexandre Aragon (PL) ficou em Israel por decisão dele, informou a gestão de Sebastião Melo (MDB)
Foto: Alex Rocha/PMPA
No sábado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, para abrir uma rota de retirada dos políticos brasileiros que estavam em Israel. O grupo foi levado por terra até a fronteira com a Jordânia assim que as condições de segurança permitiram.
As operações do aeroporto Internacional de Tel Aviv estão suspensas desde o início dos bombardeios. O espaço aéreo na região está fechado. O Itamaraty tem conversado com com diplomatas israelenses para garantir a segurança do grupo, que foi levado para um abrigo subterrâneo quando os ataques começaram. O governo brasileiro pediu tratamento prioritário para eles e ouviu das autoridades israelenses que a recomendação é para que comitivas estrangeiras continuem no país, até que as condições permitam qualquer deslocamento desses grupos por via aérea ou terrestre.
Segundo a CNM, além de Aguiar, fazem parte do primeiro grupo que conseguiu deixar Israel após as operações do Aeroporto Internacional de Tel Aviv serem suspensas Álvaro Damião (União Brasil), prefeito de Belo Horizonte; Márcio Lobato (MDB), secretário de Segurança Pública de Belo Horizonte; Welberth Porto (Cidadania), prefeito de Macaé (RJ); Johnny Maycon (PL), prefeito de Nova Friburgo (RJ); Cícero de Lucena (Progressistas), prefeito de João Pessoa (PB); Janete Aparecida (PSC), vice-prefeita de Divinópolis (MG); Flávio Guimarães (PDT), vereador do Rio de Janeiro; Gilson Chagas (PDT), secretário de Segurança Pública de Niterói (RJ); Francisco Vagner (União Brasil), secretário de Planejamento de Natal (RN); e Davi de Matos, chefe-executivo do Centro de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Civitas).
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel garantiu que fará “todos os esforços, em coordenação com a Embaixada do Brasil, para garantir uma saída segura para os demais brasileiros de todas as delegações, sempre que houver as condições adequadas para o deslocamento”.
Em uma mensagem de vídeo, o prefeito de João Pessoa, Cícero de Lucena (Progressistas), contou que, ao chegar à Jordânia, o grupo foi acolhido por funcionários da embaixada do Brasil. “Agora, vamos seguir para a Arábia Saudita, já que, lá, o espaço aéreo está aberto. Continuamos com bastante segurança e tranquilidade”, comentou.
A viagem dos gestores públicos brasileiros para “qualificação”, a convite do governo israelense, ocorreu em meio ao massacre de palestinos na Faixa de Gaza pelo exército de Israel, a pretexto de combater o grupo terrorista palestino Hamas. Os ataques se intensificaram em outubro de 2023, com investidas do Hamas contra Israel, com assassinatos e sequestros de civis em território israelense.
A partir daí, a reação militar israelense arrasou a Faixa de Gaza, ceifando milhares de vidas, incluindo o massacre de civis e crianças palestinas. Em resposta às ações do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o governo brasileiro estuda medidas para romper relações militares com Israel, informou o Itamaraty.
Além de ocupar a Faixa de Gaza, Israel abriu, na semana passada, uma nova frente de guerra, bombardeando o Irã durante a madrugada da última sexta-feira, 13. Segundo Tel Aviv, os alvos dos ataques foram instalações militares e nucleares. De acordo com fontes iranianas, ao menos nove pessoas morreram e uma centena ficou ferida no primeiro ataque israelense, na quinta-feira.
A retaliação iraniana não demorou e, no mesmo dia, mísseis balísticos atingiram Tel Aviv e Jerusalém.