Política
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A distinção à Fundação Ecarta foi recebida pelo presidente da instituição, o professor Marcos Júlio Fuhr (dir.) da mãos de Paulo Amaral (esq.), coordenador de Artes Visuais da SMC
Foto: André Venzon/Fundação Ecarta
A Fundação Ecarta foi homenageada durante a entrega do 18º Prêmio Açorianos de Artes Plásticas em reconhecimento aos seus 20 anos de atuação. A cerimônia ocorreu no teatro Renascença, no Centro Municipal de Cultura, em Porto Alegre, no dia 19 de dezembro.
A honraria foi concedida pela Coordenação de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre (SMC), que também prestou homenagens institucionais à Fundação Iberê Camargo, pelos seus 30 anos, e à Aliança Francesa, que completa 80 anos. A artista Zoravia Bettiol, que celebrou 90 anos em dezembro e recebeu um prêmio especial. O evento homenageou ainda, o artista Carlos Tenius, nascido em Porto Alegre em 1939, professor de Escultura no Instituto de Artes da Ufrgs e cujo trabalho ganhou projeção internacional.
A distinção à Fundação Ecarta foi recebida pelo presidente da instituição, o professor Marcos Júlio Fuhr da mãos de Paulo César Brasil do Amaral, coordenador de Artes Visuais da SMC.
“Esta homenagem nos deixa muito lisonjeados, pois este acontecimento coroa este ano em que nossa programação foi totalmente alusiva ao aniversário da Ecarta. E poder terminar com o reconhecimento de um dos principais prêmios da área cultural do Estado é realmente muito gratificante”, afirma Fuhr.
Confira a lista completa dos contemplados no 18º Prêmio Açorianos de Artes Plásticas.
A Fundação Ecarta completou oficialmente seus 20 anos no dia 20 de abril deste ano, celebrando uma trajetória dedicada à democratização do acesso ao conhecimento, à arte e à cidadania.
Instituída em 2005 pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS), a Fundação consolidou-se como uma das referências na produção cultural do estado, com atividades permanentes desenvolvidas por meio de cinco projetos: Galeria Ecarta, Ecarta Musical, Núcleo Cultural do Vinho, Conversa de Professor e Cultura Doadora.
A Galeria Ecarta foi o primeiro projeto da Fundação, lançado em 2005, com foco, desde a sua criação, na arte contemporânea. Além das exposições, o espaço promove circuitos de debates e oficinas. Em 2011, recebeu o Prêmio Açorianos de Artes Visuais na categoria Destaque Espaço Institucional de Divulgação Cultural. Em 2015, a mostra Um firme e vibrante NÃO, que reuniu trabalhos de mais de 40 artistas, foi premiada na categoria mostra coletiva. Já em 2016, a exposição-performance Os Teóricos Artrópodes: Metodologias e Práticas de Pesquisa em Campo Avançado (ou Uma Noite na Ilha dos Museus) venceu na categoria Performance.
Reconhecimentos institucionais anteriores também foram expressados em outras premiações: como o Prêmio Açorianos de Música, a partir do trabalho de valorização dos artistas e formação de público; assim como, a homenagem recebida na 14ª edição do Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, por ocasião 15 anos de atividades; além do Prêmio Destaque em Espaço Expositivo concedido pela Associação dos Escultores do Estado do Rio Grande do Sul (Aeergs), em 2024.
Desde 2023, por exemplo, a Ecarta integra o roteiro da Noite dos Museus e, a partir de 2025, passa a ser um dos espaços da Bienal do Mercosul. O artista boliviano Freddy Mamani transformou a sede da Fundação em uma grande tela ao pintar a fachada com os traços da reconhecida nova arquitetura andina. A intervenção coloriu o prédio com referências à cosmologia originária da América, deixando em Porto Alegre um legado artístico e simbólico. Além da intervenção externa, a galeria recebeu obras de artistas da China, Colômbia e França (Guadalupe), abertas à visitação gratuita até 1º de junho.
Ao longo dessas duas décadas, a intensidade das atividades pode ser observada em números: são mais de 150 exposições de artes visuais, com a realização média de 12 mostras por ano distribuídas em quatro espaços expositivos — Galeria Ecarta, Projeto Potência, Professor Artista – Artista Professor e Muralismo.
O nome da Fundação Ecarta é formado pelas iniciais de suas áreas de atuação: Educação, Cultura, Arte, Recreação, Tecnologia e Assistência, que sustentam o compromisso social da instituição ao longo de sua história. “A Ecarta se consolida como referência na promoção da educação, do diálogo, da diversidade, do pensamento crítico, da cultura e da arte no Rio Grande do Sul. Um espaço de vozes plurais, saberes e conexões humanas que apreciamos partilhar com toda a sociedade”, acrescenta Marcos Fuhr.
Além das atividades realizadas na sede, localizada na Avenida João Pessoa, 943, em Porto Alegre, a Fundação promoveu dezenas de ações em municípios de diferentes regiões do estado ao longo das últimas duas décadas, sempre em parceria com instituições locais.
A Fundação fomenta a produção musical do Rio Grande do Sul, desenvolve uma curadoria destacada nas artes visuais, difunde a cultura do vinho e suas relações com a produção gaúcha, promove formação continuada de educadores e incentiva a cultura da doação e do transplante de órgãos. Também apoia parcerias culturais e comunitárias por meio dos projetos Ecarta Anfitriã e Ecarta Apoia.
Na área da dança, a Fundação tem protagonismo no Festival Internacional de Videodança. Em parceria com a Universidade Federal de Pelotas, realiza a mostra que chega à sexta edição em 2025, reunindo produções de todos os continentes e consolidando essa linguagem que articula dança, movimento e produção de imagens técnicas, como cinema, vídeo e artes digitais.
O projeto Ecarta Musical contabiliza mais de 500 shows ao longo de sua trajetória e realiza 24 apresentações por ano, selecionadas por edital, com destaque para a produção musical gaúcha e sua diversidade de gêneros. As apresentações ocorrem quinzenalmente, aos sábados, às 18h, na sede da Fundação, e, desde a pandemia, contam também com transmissão ao vivo pelo canal da Ecarta no YouTube. O projeto realiza ainda o Festival de Percussão, que chega à sua segunda edição.
Na educação, a Fundação instituiu o projeto Conversa de Professor, que já promoveu mais de 300 atividades em todo o estado para debater temas de diferentes áreas do conhecimento educacional, fomentando a interação, o diálogo e a socialização entre educadores. Ao longo desse período, mais de 45 mil profissionais foram alcançados diretamente. Em 2025, o ciclo de atividades aborda a violência escolar e os diferentes aspectos do bullying. A série, composta por seis encontros, teve início nesta quinta-feira, 24, com atividades presenciais e online.
Com o objetivo de salvar vidas por meio da informação, a Fundação criou, em 2012, o projeto Cultura Doadora, voltado à difusão de informações sobre a doação de órgãos e tecidos. A iniciativa já realizou mais de 500 atividades, entre painéis online e presenciais, reunindo especialistas e oferecendo conteúdo atualizado de forma gratuita. Ao longo de 13 anos, o projeto constituiu uma rede nacional de parceiros especializados, além de envolver famílias doadoras, transplantados e pacientes em lista de espera, contribuindo para informar e incidir sobre o processo entre a doação e o transplante.
Ao completar 10 anos de atividades, o Cultura Doadora lançou o livro Corrida contra o tempo – O que compromete a doação de órgãos e a eficiência do sistema de transplantes no Brasil, que apresenta um panorama do setor. O projeto também integrou a articulação nacional pela regulamentação do uso da membrana amniótica em pacientes queimados, ao lado de dezenas de instituições.
A cultura do vinho ocupa espaço permanente na Fundação por meio do Núcleo Cultural do Vinho, que promove cursos e palestras sobre geografia, produção, características e peculiaridades do vinho como expressão da cultura da humanidade. Desde 2005, o Núcleo realiza cerca de duas atividades mensais, reunindo enólogos, sommeliers, produtores e pesquisadores, somando mais de 300 atividades. A programação organiza-se em três eixos: a arte do vinho por seus artistas; uvas, terroirs e vinhos; e o vinho e suas relações. Em 2025, as atividades são dedicadas aos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul e sua contribuição para o estado.
Sempre aberta à comunidade, a Fundação desenvolve os projetos Ecarta Anfitriã e Ecarta Apoia, que viabilizam parcerias com instituições, editoras, artistas, educadores e movimentos sociais, disponibilizando espaço e infraestrutura para ensaios, lançamentos de livros, shows, festivais, apresentações de projetos, reuniões de interesse público e oficinas artísticas. Desde 2016, a sede abriga os ensaios da Orquestra Lux Sonora. O conjunto de atividades inclui aulas de dança, yoga, oficinas de percussão, ensaios teatrais, performances, entre outras ações.
Há três anos, a Fundação também sedia a Cozinha Solidária Ecarta, que produz semanalmente refeições de qualidade em parceria com a ONG Amigos da Rua. A iniciativa atende a população em situação de rua e é desenvolvida de forma voluntária, integrada ao projeto Ecarta Anfitriã. A comunidade participa tanto no preparo das refeições quanto por meio de doações de alimentos ou recursos financeiros.
No canal da Fundação no YouTube estão disponíveis playlists com atividades dos projetos Ecarta Musical, Conversa de Professor e Cultura Doadora. A Fundação Ecarta está sediada em frente ao Parque da Redenção, na Avenida João Pessoa, 943, e funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, com entrada franca. A programação e os editais são divulgados no site www.ecarta.org.br e nas redes sociais da instituição (@fundacaoecarta no Instagram, Facebook e YouTube).