Saúde
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Glaci Borges, coordenadora do projeto Cultura Doadora, Marcos Fuhr, presidente da fundação Ecarta e Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde
Foto: Stela Pastore/Ecarta
O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, esteve reunido com a direção da Fundação Ecarta nesta sexta-feira, 12 de abril, tratando de assuntos ligados à doação e transplante de órgãos a convite da entidade que mantém o projeto Cultura Doadora.
O principal tema do encontro foi a necessidade de regulamentação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do uso da membrana amniótica como curativo para tratar pacientes queimados.
A autorização para o procedimento, que apressa a recuperação de pacientes entre outros benefícios, está em análise na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) desde 2021.
O Brasil tem apenas quatro bancos de tecidos, que atendem apenas 10% da demanda nacional por curativos cutâneos. Este tipo de curativo já é usado por todos os países da América e boa parte do mundo.
“É muito importante para o SUS contar com este recurso farto que traz inúmeros benefícios no tratamento de queimados e feridas graves. Também diminui o tempo de internação e tem baixo custo, pelas informações que estamos recendo nesse encontro”, destaca Pigatto.
Durante o encontro, o presidente da Fundação, Marcos Fuhr, entregou o livro-reportagem Corrida contra o tempo – O que compromete a doação de órgãos e a eficiência do sistema de transplantes no Brasil, lançado no final de 2023.
Usado há décadas em muitos países, este curativo biológico comprovadamente promove a cicatrização de feridas, acelera a recuperação por meio da inibição da inflamação, tem funções de regulação imunológica, anti-inflamatória e de regeneração de vasos. Por apresentar essas propriedades, a membrana tem múltiplos usos em diversas áreas da medicina.
O Brasil registra cerca de um milhão de casos de queimaduras por ano. Destes, aproximadamente 100 mil precisam de atendimento médico conforme o próprio Ministério da Saúde, sendo que o Sistema Público de Saúde é responsável pelo tratamento de 95% dos pacientes queimados no país.
“O uso deste curativo biológico dará um efetivo salto de qualidade e amplitude dos benefícios que advirão desta abundante matéria prima no tratamento de milhares de brasileiras e brasileiros que, anualmente, são vítimas de queimaduras de grande extensão. A aprovação do uso da membrana amniótica significará uma mudança de paradigma no tratamento de queimados do Brasil”, ressaltou Marcos Fuhr.
Nesta semana a Fundação enviou ofício a Diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde (DGITS) do Ministério da Saúde, Luciene Bonan, solicitando informações sobre em que etapa se encontra a análise por parte do colegiado responsável pela incorporação de tecnologias no SUS.
Participou do encontro desta manhã o assessor parlamentar para assuntos de saúde, Ricardo Haesbaert, integrante do gabinete do deputado estadual Valdeci Oliveira.