Saúde
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Movimento pela inclusão da disciplina doação de órgãos e tecidos e transplantes nos currículos dos cursos da Saúde foi lançado na Fundação Ecarta
Foto: Alessandra Araújo
Mais de 80 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil. Apesar disso, nenhuma faculdade oferece, de forma estruturada, formação curricular sobre o tema nos cursos da área da saúde. Como consequência, profissionais chegam ao mercado sem conhecimentos básicos sobre o assunto. Um dos reflexos dessa lacuna é a alta taxa de negativa familiar à doação de órgãos de potenciais doadores – quase 50%.
A coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), Patrícia Freire, destacou que as universidades têm papel estratégico na formação de profissionais capazes de atuar com competência e empatia.
Segundo ela, curricularizar não é apenas adicionar aulas, mas integrar o tema ao longo do curso, com metodologias ativas, prática real e avaliação por competências.
O movimento também recebeu apoio das Centrais de Transplantes do RS e de Santa Catarina – este último, referência nacional, com menos de 30% de recusas familiares.

Clotilde Garcia, da abto e professora da UFCSPA
Foto: Alessandra Araújo
A nefrologista representante da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Clotilde Garcia, que ministra uma disciplina sobre transplantes há duas décadas, ressaltou que o tema vai além do conhecimento técnico, promovendo empatia, ética e responsabilidade social.
Um exemplo disso é o estudante Luis Umberto, que após frequentar a disciplina, tornou-se ativista e presidente da Liga de Transplantes.
“Cada atraso na formação significa vidas que deixam de ser salvas”, reforçou o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Bruno Besen.
Kelly de Araújo, presidenta da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), celebrou também a incorporação da membrana amniótica ao SUS, avanço viabilizado por movimento semelhante lançado em 2024.

O médico Roberto Manfro, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Foto: Alessandra Araújo
O médico Roberto Manfro, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, lembrou que menos de 10% dos transplantes necessários são realizados no mundo, e que preparar profissionais é fundamental para mudar esse cenário.
O presidente do Coren-RS, Antônio Tolla, lamentou a ausência do tema na formação, mesmo após décadas de mobilização.
A estudante de Medicina da Ufrgs, Júlia Stela Paim, ressaltou a complexidade do tema e a importância de sua inclusão no currículo.
Transplantadas como Liége Gautério, Cláudia Concolatto e Adriana Teles também apoiaram o movimento, como representantes da Associação Brasileira de Transplantados (ABTX) e da ONG TX em Movimento.
A deputada federal Maria do Rosário enviou vídeo de apoio e sugeriu levar o manifesto ao Ministério da Saúde e demais órgãos responsáveis por diretrizes educacionais.
A ONG ViaVida, com 26 anos de atuação, também aderiu ao movimento, que segue aberto a novas assinaturas.
Estiveram presentes ainda coordenadores das Organizações de Procura de Órgãos do Grupo Hospitalar Conceição, Hospital de Pronto Socorro e Hospital de Montenegro.
“Curricularizar o tema é uma urgência ética, técnica e humanitária. A formação precisa preparar profissionais para transformar realidades e salvar vidas,” reforçou o presidente da Fundação Ecarta, Marcos Fuhr, que conduziu o evento.
O movimento nasce como desdobramento do programa + Doação e Transplante nos Currículos da Saúde, da Fundação Ecarta, ativo desde 2021.
A coordenadora do SNT finalizou com um chamado à ação: que os cursos mapeiem lacunas, definam competências e usem o Sistema Nacional de Transplantes como espaço formativo, com indicadores claros de desempenho e impacto.