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Foto: Divulgação/CUT-RS
A Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS) lançou a campanha Mulheres na luta têm pressa porque a vida não tem hora extra, no último 20 de fevereiro, reivindicando o direito das mulheres à vida, igualdade salarial e pelo fim da escala 6×1, com redução de jornada de trabalho sem redução de salários.
A iniciativa prevê mobilizações, distribuição de materiais informativos impressos e nas redes sociais e participação no 8M – Dia Internacional de Luta das Mulheres.
A CUT-RS denuncia o descaso do governo estadual e o desmonte das políticas públicas de proteção à vida das mulheres. Só em 2025, aponta a Central, após sete anos de pressão de movimentos feministas e organizações sindicais, o governador Eduardo Leite (PSD) recriou a Secretaria das Mulheres no estado, mas com orçamento insuficiente. Somente no Rio Grande do Sul, nos primeiros dois meses de 2026, 20 mulheres foram vítimas de feminicídios.
“Nossa jornada não é 6×1, é 7×0. Se não estamos trabalhando nas empresas, nos nossos locais de trabalho, estamos trabalhando em casa – o que não é reconhecido como trabalho. Somos relegadas à tarefa de cuidadora da família, dos filhos, do marido, dos pais. Então quando iniciamos a discussão sobre como abordar esse tema do ponto de vista das mulheres, ligamos a isso. Trabalhamos muito mais que a escala 6×1, e é por isso também que defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salário porque isso vai beneficiar diretamente a vida das mulheres”, declara Suzanana Lauermann, secretária da Mulher Trabalhadora da Central.
Suzana diz que a CUT-RS está em mobilização permanente em torno da pauta A vida não tem hora extra, que denuncia o esgotamento físico e mental imposto à classe trabalhadora. O debate traz luz especialmente às exaustivas jornadas femininas de dupla e até tripla jornada, trabalho remunerado e o cuidado não remunerado (tarefas domésticas e cuidado com filhos, idosos e outros familiares).
A Central defende a semana 5×2, redução da jornada sem redução de salários e ampliação de políticas públicas de cuidado para combater a sobrecarga que aprofunda desigualdades históricas de gênero, raça e classe, impacta saúde física e mental das mulheres, e as cerceia da participação na política.
Suzana reafirma que a luta das mulheres trabalhadoras não pode esperar. “É urgente combater a precarização, enfrentar a violência de gênero, garantir igualdade salarial e construir condições reais para que as mulheres tenham tempo de viver”, diz.
E completa: “a forma que as mulheres têm sido mortas no RS mostra isso. Já são 20 de nós assassinadas este ano. Passamos tanto tempo trabalhando, servindo, que nos perdemos dessa realidade. Temos pressa: a ideia de que as mulheres na luta têm pressa para que essa realidade acabe, para que possamos seguir vivendo, vivendo uma realidade diferente; por isso a ideia, a nossa vida não tem hora extra. Não queremos mais esperar pra ter uma condição de trabalho melhor e se sentir segura”.
Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS, acredita ser necessário um plano envolvendo diversos setores sociais e, especialmente, a mobilização masculina para frear o quadro de violência de gênero que se aprofunda no país.
“Trata-se de uma luta das mulheres que convoca toda a sociedade, em especial aos homens, para que entrem nessa tarefa de superar esse quadro lamentável, violento e eu diria culturalmente condenável”, destaca Amarildo. “Como diz nossa campanha, as mulheres têm pressa: é agora; não é para amanhã ou depois de amanhã. Tudo começa agora e isso inclui muito nós, como homens. Nós somos os autores, então é preciso que se faça um grande plano urgente e indique desde já para dentro das escolas, locais de trabalho, nos ambientes todos, discussões, políticas proativas, positivas, de formação de uma nova geração. Mas ao tempo que a gente corrija, no nosso tempo, as mazelas, através de medidas que passem pelo Estado, pelas relações trabalho, pelas convivências comunitárias que precisamos ter, como cidadão com direitos. E a campanha está bombando, muito acertada. Espero que renda muitos frutos”, conclui .