Servidores da Saúde da capital reivindicam testagem para Covid-19

Sete profissionais foram infectados por falta de testes preventivos no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul, que atende em média 60 suspeitos de Covid diariamente
No Pronto Atendimento da Cruzeiro do Sul, sete servidores foram expostos ao contágio por falta de EPI e da testagem obrigatória para quem atua no serviço de saúde

No Pronto Atendimento da Cruzeiro do Sul, sete servidores foram expostos ao contágio por falta de EPI e da testagem obrigatória para quem atua no serviço de saúde

Foto: Mariana Pires/Simpa

Profissionais de Saúde que atuam no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs), localizado no bairro Santa Tereza, em Porto Alegre (RS), realizaram ato público nesta quarta-feira, 22, em frente à unidade, para denunciar a falta de equipamentos de proteção individual e de testagem preventiva da categoria para Covid-19.

A falta de testes e de EPIs para os trabalhadores da Saúde, segundo os servidores, é recorrente na rede de atenção básica e em hospitais públicos da capital, mesmo nas unidades que estão testando a população. No Pacs, são feitas em média 60 coletas por dia de pacientes com sintomas da doença. Os profissionais também denunciaram a falta de EPIs.

A Comissão de Trabalhadoras e Trabalhadores do Pacs e o Sindicato dos Municipários (Simpa) cobraram do prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) uma política de testagem para a Covid-19 focada nos servidores da saúde que lidam diariamente com a doença nos hospitais, pronto-atendimentos e postos de Porto Alegre.

Segundo a categoria, a medida é essencial para proteger a saúde dos trabalhadores, seus familiares e dos próprios usuários e conter o avanço da pandemia. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) não comentou, nem informou o número de servidores afastados pela doença na capital.

Quando a gestão de saúde não testa quem está na linha de frente, transforma esse profissional em vetor e coloca a vida de todos em risco”, alerta Ezequiel, do Simpa

Quando a gestão de saúde não testa quem está na linha de frente, transforma esse profissional em vetor e coloca a vida de todos em risco”, alerta Ezequiel, do Simpa

Foto: Mariana Pires/ Simpa

“Além de sermos servidores e atender a população, também temos de fazer a defesa do SUS, dos trabalhadores e trabalhadoras que estão na linha de frente arriscando suas vidas, enquanto o prefeito Marchezan usa cerca de R$ 3 milhões da saúde para propaganda, deixando os trabalhadores sem EPIs adequados e sem testagem”, protestou João Ezequiel, diretor-geral do Simpa.

Pressão dos trabalhadores

De acordo com o dirigente, “o laboratório do Pacs poderia estar sendo usado para fazer a testagem de cada servidor, mas a gestão Marchezan não faz mesmo tendo todas as condições para isso. Há poucos dias, houve um surto no plantão de saúde mental do Pacs. E somente depois de muita pressão dos trabalhadores, do Simpa e do Conselho Municipal de Saúde, ontem (terça-feira, 21) recebemos resposta ao ofício que encaminhamos à Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a SMS, foi feita a testagem daqueles servidores. Mas, vamos seguir fiscalizando para ver se é verdade e para garantir que a testagem seja feita com todos os servidores da saúde”.

Ao menos sete servidores testaram positivo e estão afastados depois de um surto verificado no começo do mês no Plantão de Saúde Mental, onde cinco pacientes testaram positivo. A SMS confirmou que o contágio dos profissionais após a testagem de 40 servidores.

“O que reivindicamos é a proteção máxima aos servidores que estão na linha de frente do combate à Covid-19, arriscando suas vidas para atender a população, e são obrigados a trabalhar sem EPIs e sem testagem preventiva”, afirma Ezequiel.

A entidade organizou comissões por locais de trabalho para identificar a extensão do contágio de profissionais “contactantes”, aqueles que estão em contato com os pacientes, e apurou que essa situação está ocorrendo em outras unidades de Saúde que são equipadas para testagem, mas não aplicam o teste preventivo nos seus profissionais.

“No Hospital de Pronto-Socorro, há 50 servidores da Saúde com suspeita de Covid-19, dos quais 17 confirmados. Na Emergência, na UTI Neonatal e Centro Obstétrico do Hospital Presidente Vargas, constatamos mais de 10 pacientes positivados para o novo coronavírus. Quando a gestão de saúde não testa quem está na linha de frente, transforma esse profissional em vetor e coloca a vida de todos em risco”, alerta.

Manifestante cobraram teste para a Covid-19 focada nos servidores da saúde que lidam diariamente com a doença nos hospitais, pronto-atendimentos e postos de Saúde da capital

Manifestante cobraram teste para a Covid-19 focada nos servidores da saúde que lidam diariamente com a doença nos hospitais, pronto-atendimentos e postos de Saúde da capital

Foto: Mariana Pires/ Simpa

Testagem

Em resposta ao ofício do Simpa, a secretaria de Saúde admitiu que “foram identificados casos de pacientes sintomáticos no Plantão de Emergência em Saúde Mental com teste RT-PCR e teste rápido de antígeno positivo para Sars-Cov-2”.

Segundo a SMS, após a verificação do contágio, a Coordenação Municipal de Urgência solicitou avaliação da Vigilância Sanitária, que por sua vez determinou a realização de testagem nos pacientes que estavam em observação e também em todos os funcionários que tiveram contato com os casos positivos.

De acordo com a nota, cinco pacientes “apresentaram teste rápido de antígeno positivo, do total de 13 que estavam em observação. Dos 40 funcionários testados, todos foram negativos. A partir desse momento, houve a determinação de uso de EPIs para todos os funcionários e também a restrição do Pesm (Pronto Atendimento em Saúde Mental) até a normalização da situação”.

No país, 180 mil profissionais de saúde já foram infectados

De acordo com o boletim epidemiológico 22 do Ministério da Saúde, até 11 de julho foram registrados em todo o país 180 mil contágios de profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem e fisioterapeutas que atuam diretamente na assistência e no combate à pandemia do novo Coronavírus.

Até o final de junho, o Brasil era o país com maior número de mortes por coronavírus entre os profissionais da saúde. Somente entre os de enfermagem, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) estima 295 óbitos.

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