Economia
Quem aderir ao Desenrola Adimplentes não poderá usar Bets por seis meses
As Bets têm causado preocupação no governo brasileiro pelo alto nível de endividamento que está…

Centrais sindicais reivindicam reajuste do piso regional, congelado desde 2019, pelo INPC
Foto: Carolina Lima/CUT-RS
Em um ato simbólico realizado na manhã desta quinta-feira, 5, na Praça da Matriz, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS) e demais centrais sindicais cobraram do governo do estado e de deputados estaduais a reposição de 10,3% no salário mínimo regional de 2021. A mobilização das centrais cobrou do governo gaúcho a retirada da proposta de reajuste de 2,73% enviada à Assembleia Legislativa (ALRS) e a abertura de negociações com a participação dos parlamentares.
O percentual reivindicado pelos trabalhadores não é de aumento real, mas de reposição das perdas do período. Corresponde à variação do INPC em 2019 e 2020, em que o piso regional teve reajuste zero. Após a manifestação, os dirigentes das centrais foram recebidos em audiência pelo presidente da ALRS, deputado Gabriel Souza (MDB), a quem entregaram um manifesto do Forum das Centrais Sindicais do RS em defesa do salário mínimo regional.
O reajuste do mínimo regional será pauta de uma audiência pública no dia 11 de agosto, às 9h, na Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, da ALRS.
No documento, as centrais lembram que o piso regional está congelado há dois anos e meio, desde 1º de fevereiro de 2019, prejudicando cerca de 1,5 milhão de trabalhadores gaúchos. “Apesar disso, o projeto do governador Eduardo Leite (PSDB), enviado em 15 de julho aos deputados estaduais, prevê um reajuste de apenas 2,73%. Com isso, as cinco faixas salariais ficariam entre R$ 1.270,93 e R$ 1.610, 61”.

Em audiência com a presidência da ALRS, dirigentes encaminharam manifesto em defesa do mínimo regional
Foto: Carolina Lima/CUT-RS
A audiência foi acompanhada pela Associação Gaúcha dos Advogados Trabalhistas (Agetra). As centrais cobraram dos parlamentares que façam a mediação de uma negociação com o governo no sentido de rever a proposta de reajuste do Executivo que será votada na Casa.
“Nossa reunião com o presidente da ALRS foi com o intuito de cobrar dos deputados uma postura diferente daquela que eles adotaram no ano passado, quando votaram reajuste zero”, relatou Antonio Güntzel, secretário de Administração e Finanças e representante da CUT-RS no encontro.
As lideranças argumentaram ao deputado Gabriel Souza que a proposta de 2,73% de reajuste do governo está muito aquém daquilo que os trabalhadores merecem e precisam. ‘Solicitamos que ele fosse o interlocutor de uma mesa de negociação diretamente com o governador e se entenderem que a Fiergs e a Fecomércio querem participara, para nós não terá nenhum problema, como aliás nunca tivemos ressalvas em negociar com a patronal”, explicou Güntzel.
Ele lembrou que a proposta do governo representa um reajuste de R$ 30,00 diante dos 34% de aumento da cesta básica nesses dois anos. “Daria para comprar um quilo de feijão, dois quilos de arroz, uma lata de óleo e um quilo de farinha, isso se o trabalhador pesquisar bem”, alertou o representante da CUT-RS. O presidente da ALRS “assumiu o compromisso de buscar o espaço de diálogo, pois também entende que o reajuste está aquém daquilo que precisa ser feito”, avalia.

Proposta do governo equivale a R$ 30,00, diante dos 34% de aumento da cesta básica nesses dois anos, aponta Güntzel
Foto: Carolina Lima/CUT-RS
“A proposta do governador é indecente, pois só repõe metade da inflação de 2020, o que é inaceitável. Além disso, é preciso resgatar as perdas de 2019, uma vez que no ano passado os deputados governistas, chantageados por empresários atrasados, aprovaram reajuste zero e o governador sancionou”, destacou o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci. “Por isso, as centrais reivindicam 10,3% de reajuste”, justificou.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos últimos dois anos a cesta básica de Porto Alegre acumulou alta de 34,7%, variando mais de três vezes o INPC do período. “E os preços dos combustíveis e do gás de cozinha dispararam”, salientou.
O dirigente da CUT-RS lembra que os anos em que o Brasil teve reposição da inflação e aumentos reais no salário mínimo foram de maior geração de emprego e renda, mas “o achatamento da remuneração só trouxe acumulação da renda nas mãos de poucos, aumento do desemprego e mais desigualdade”, contrapõe.
Cenci defendeu a abertura de uma agenda de diálogo entre as centrais e os deputados de todas as bancadas. “Queremos construir uma emenda ao projeto do governador que seja capaz de recuperar as perdas com a inflação. O mínimo regional é fator de distribuição de renda, valorização do trabalho e estímulo para a geração de emprego e o crescimento da economia gaúcha”, ressalta.
Santa Catarina e Paraná, que têm características socioeconômicas semelhantes ao Rio Grande do Sul e também adotaram o piso regional, reajustaram o salário mínimo de forma cumulativa, em 10,62% e 12,29%, respectivamente, nos últimos dois anos, ao contrário do RS, aponta o Dieese.
Nesses dois estados, houve variações menores na taxa de desemprego (Paraná +0,4 ponto percentual.) ou até queda da taxa de desemprego (Santa Catarina -1,0 ponto percentual) entre o 1º trimestre de 2019 e o 1º trimestre de 2021 em comparação ao RS (+1,2% ponto percentual).
A taxa de desemprego dos gaúchos (9,2%) é superior à de Santa Catarina (6,2%) e menor que do Paraná, 9,3%. “Isso confirma que não passam de lágrimas de crocodilo a choradeira dos empresários atrasados que todos os anos repetem a ladainha de que o piso regional gera desemprego”, ressalta Antonio Güntzel.