ECONOMIA

Rio Grande do Sul amarga seca diante da falta de ação dos governos

Com temperaturas ultrapassando os 40ºC, agricultura gaúcha sofre grande impacto. O prejuízo se aproxima de R$ 1 bilhão só em cidades do noroeste do estado
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 4 de janeiro de 2022

Foto: CutRS/Reprodução

Lavouras de milho sentem com a estiagem

Foto: CutRS/Reprodução

Os dois últimos meses tem castigado fortemente o Rio Grande do Sul. A seca e as altas temperaturas têm provocado prejuízos significativos aos produtores rurais da região, em especial à agricultura familiar, principalmente nas lavouras de milho que é plantado no intervalo do cultivo da soja. Governo do estado é criticado por só ter lançado em dezembro passado o programa Avançar na Agropecuária e no Desenvolvimento Rural. Tardio, insuficiente e não aderente às necessidades dos pequenos e médios agricultores, registram lideranças do setor.

Rui Valença, coordenador geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf Sul) para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, registra que o programa apresentado pelo governador Eduardo Leite (PSDB) foi o único em três anos de mandato, em um estado onde a agricultura familiar tem papel fundamental.

Poucos recursos em final de mandato

Rui Valença, coordenador geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

Rui Valença, coordenador geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

“Na realidade, o programa não é voltado para a agricultura familiar. Dentro dele tem algumas promessas que foram feitas por causa da pressão”, diz Valença.

Concretamente, os valores que devem ser disputados por toda uma cadeia que envolve a agropecuária no estado se limitam a R$ 275 milhões. Recursos que, lembra Valença, ainda não saíram do papel. “Está numa fase preliminar de projetos que estão sendo feitos pela Emater e algumas prefeituras”, fala.

Segundo dados do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS – Ascar) os prejuízos nas lavouras de milho chegam a 80% em algumas regiões. Em outras, a situação é ainda mais crítica, restando aos agricultores fazer a transformação da palha em forragem para o gado, diante de suas plantações completamente perdidas.

Apesar de representar até o momento os maiores danos, não é só os que se dedicam ao cultivo do milho que passam por dificuldades. A estiagem apresenta o mesmo tormento para os que cultivam pastagens e frutas. A ausência de chuvas, por exemplo, ameaça os cítricos, com técnicos já constatando folhas murchas e queda de frutos ainda em fase de desenvolvimento.

Até mesmo a soja sentirá o reflexo.  Trabalhada em paralelo à cultura de milho, hoje 90% da commoditiy agrícola está em germinação e 10% em floração. O clima é de apreensão geral, com o atraso na semeadura das duas culturas, sendo que a área colhida de milho até agora foi somente de 7%.

Ministério atrapalhado

Em um vídeo que fez na plantação de milho que mantêm com seu irmão em uma área de 14 hectares no município gaúcho de Erebango, Valença afirma que não consegue entender como recentemente a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Bolsonaro, Tereza Cristina Correa da Costa Dias (DEM-MS) chegou a dizer que haverá uma safra recorde de milho no país. “Os técnicos do ministério devem estar muito atrapalhados, vamos dizer”, lamenta ao mostrar uma lavoura toda praticamente devastada.

Em uma estiagem que já deixa 5,4 mil famílias sem acesso à água no estado, com mais de 100 municípios decretando situação de emergência, Valença cobra que o governo do Rio Grande do Sul tome a iniciativa de decretar Estado de Emergência, “como já foi feito no Paraná e que deverá ocorrer em breve em Santa Catarina, onde estamos conversando”, conclui.

 

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