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Setores da agropecuária e de serviços domésticos concentraram as maiores taxas de pobreza: 29,3% e 22,9%.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A proporção de pessoas em situação de pobreza no Brasil recuou de 27,3% para 23,1% entre 2023 e 2024, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE. A queda representa 8,6 milhões de brasileiros que deixaram de viver com renda domiciliar per capita inferior a US$ 6,85 PPC por dia — equivalente a R$ 694 mensais. É o terceiro ano consecutivo de redução, depois do pico de 36,8% registrado em 2021, durante a pandemia de covid-19.
A extrema pobreza também diminuiu, passando de 4,4% para 3,5% no período, o que equivale a 1,9 milhão de pessoas que superaram a linha de US$ 2,15 PPC por dia (R$ 218 mensais).
Sem os programas de transferência de renda como o Bolsa Família, a extrema pobreza teria sido quase três vezes maior, saltando de 3,5% para 10% da população. A taxa de dessoas pobres aumentaria de 23,1% para 28,7%.
Entre idosos beneficiários da previdência, a proteção é ainda mais expressiva. Sem aposentadorias e pensões, a extrema pobreza entre pessoas com 60 anos ou mais subiria de 1,9% para 35,2%, e a pobreza, de 8,3% para 52,2%.
O Nordeste registrou a maior queda anual da pobreza, de 47,2% para 39,4%, entre 2023 e 2024. Já a Região Sul manteve a menor taxa do país, com 11,2%.
As desigualdades por gênero e raça seguem elevadas. As mulheres apresentaram taxa de pessoas pobres de 24%, frente a 22,2% entre os homens. Entre mulheres pretas ou pardas, a pobreza atinge 30,4%, e a extrema pobreza, 4,5%. Entre homens brancos, os índices são de 14,7% e 2,2%, respectivamente.
No total, pessoas pretas e pardas representam 56,8% da população, mas 71,3% das pessoas pobres no país.
Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos seguem entre os mais afetados: 5,6% estavam em extrema pobreza e 39,7% eram pobres em 2024. Entre idosos, os índices foram de 1,9% e 8,3%.
O índice de Gini brasileiro, que mede a desigualdade de renda, teria sido 7,5% maior sem os programas sociais, passando de 0,504 para 0,542. Os maiores impactos seriam no Norte e no Nordeste, onde o índice subiria cerca de 14% e 16%, respectivamente.
A comparação internacional mostra que o Brasil mantém posição crítica: em 2022, os 20% mais ricos ganhavam 11 vezes mais que os 20% mais pobres, a segunda maior desigualdade entre 40 países analisados pela OCDE — atrás apenas da Costa Rica.
O país tem a maior proporção de trabalhadores pobres entre os países avaliados pela OCDE: 16,7%. A métrica considera pessoas ocupadas que vivem em domicílios com renda per capita inferior a 50% da mediana nacional.
No mercado de trabalho, 11,9% dos trabalhadores ocupados eram pobres em 2024, o que corresponde a 12 milhões de pessoas. Entre os desocupados, o percentual chegava a 47,6%, e entre os fora da força de trabalho, a 27,8%.
A extrema pobreza entre pessoas ocupadas era de 0,6%, mas atingia 13,7% entre desocupados.
Os setores com maior proporção de trabalhadores pobres eram agropecuária (29,3%) e serviços domésticos (22,9%). Os menores índices estavam em administração pública, saúde e serviços sociais (4,6%).
A pobreza também era maior entre trabalhadores sem carteira assinada (20,4%) e por conta própria (16%), e menor entre os empregados formais (6,7%).
A Síntese de Indicadores Sociais 2025, do IBGE, reúne informações sobre condições de vida no país, organizadas em três eixos: estrutura econômica e mercado de trabalho; padrão de vida e distribuição de rendimentos; e educação. A edição inclui estudos sobre grupos ocupacionais, perfil de idosos no mercado de trabalho e trabalhadores pobres.
• Entre 2023 e 2024, a pobreza caiu de 27,3% para 23,1% (menos 8,6 milhões de pessoas) e a extrema pobreza recuou de 4,4% para 3,5% (menos 1,9 milhão).
• Sem programas sociais, a extrema pobreza subiria de 3,5% para 10% e a pobreza, de 23,1% para 28,7%.
• Pessoas pretas e pardas apresentam taxas de pobreza superiores às da população branca: 25,8% e 29,8%, contra 15,1%.
• Entre idosos, a ausência de aposentadorias elevaria a extrema pobreza de 1,9% para 35,2% e a pobreza de 8,3% para 52,2%.
• O Brasil tem a segunda maior desigualdade de renda entre 40 países da OCDE.
• Entre trabalhadores, 11,9% eram pobres em 2024; entre desocupados, 47,6%.
• A pobreza atingiu 20,4% dos trabalhadores sem carteira e 16% dos por conta própria.
• Agropecuária e serviços domésticos concentraram as maiores taxas de pobreza: 29,3% e 22,9%.