EDUCAÇÃO

Universidade demite pela internet e alunos protestam

A Uninove tem cinco unidades no estado de São Paulo, mais de 50 polos de educação a distância por todo o Brasil e cerca de 150 mil alunos
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 24 de junho de 2020

Foto: Reprodução

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A Universidade Nove de Julho (Uninove) não esperava que a internet, o mesmo meio que usou para demitir em massa professores, acabasse atingindo também sua imagem. Em menos de dois dias após  informar professores pela web da rescisão do contrato de trabalho, um abaixo-assinado virtual organizado por alunos da instituição já congrega mais de 25 mil assinaturas de repúdio, exigindo o retorno dos mestres.

“Imagine como deve ser acordar cedo todos os dias durante uma pandemia, se esforçar para dar aulas de qualidade à distância, e receber uma carta de demissão dez minutos antes de dar aula? Foi isso que Uninove fez com mais de 300 professores hoje, em pleno fim de semestre!”, expressam os estudantes no abaixo-assinado.

Os alunos ainda disseram que foram surpreendidos na noite do último dia 22 com palestras motivacionais no lugar das aulas que estava sendo dadas normalmente de forma online pelos professores demitidos.

Educação não é mercadoria, dizem estudantes

Foto: Arquivo Pessoal

Letícia: total falta de empatia e humanidade da instituição com os seus trabalhadores

Foto: Arquivo Pessoal

Letícia Pereira, idealizadora do abaixo-assinado, é aluna do primeiro semestre de Publicidade e Propaganda na Uninove. Para o Extra Classe, ela destaca a “total falta de empatia e humanidade da instituição com os seus trabalhadores”. E desabafa: “É muito triste, para falar a verdade, tratar os professores como pessoas descartáveis e dar no lugar deles palestras motivacionais, falar de confiança”.

Ela registra também que as mensalidades continuam sendo cobradas e não são baixas. “A universidade precisa entender que não dá pra tratar a educação como produto de mercado. Está tratando, formando futuros profissionais para o país”.

O presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp), Celso Napolitano, diz que desde o início do isolamento social os professores demitidos estavam dando aulas remotas. “Não era Educação a Distância. Se as aulas fossem ruins, os alunos não teriam se indignados”, reflete ao analisar a repercussão.

Em seu Twitter, a União Nacional dos Estudantes (UNE) afirmou ser inaceitável uma demissão em massa, “via um aviso pop-up no sistema dos professores”. A entidade também conclama a assinatura da petição.

Insensibilidade

O comunicado enviado pela universidade foi frio e direto. “Solicitamos sua presença no departamento de recursos humanos da instituição na unidade Vergueiro para devolução do crachá, cartão de acesso, cartão de estacionamento, carteirinhas de assistência médica ou odontológica, outros benefícios e baixa na carteira de trabalho”.

A Uninove emitiu nota onde diz que “preza como bem maior o ensino de milhares de alunos”, mas que teve que se adaptar. “Fomos ao limite para manter nosso quadro funcional e todas nossas obrigações contratuais em dia. Salários dos professores foram garantidos pontualmente e vultosos investimentos em tecnologia realizados”. A instituição diz que as mensalidades estão sendo renegociadas e adotou  medidas de readequação para preservar a formatura dos alunos.

Se a demissão dos docentes foi fria, de forma online, para a imprensa a Uninove diz: “Agradecemos aos professores que contribuíram e aos que aqui permanecem contribuindo para a excelência e qualidade de nosso ensino”.

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