EDUCAÇÃO

IPA inicia encerramento das suas atividades no ano de seu centenário

Professores fazem greve em protesto pelo atraso dos salários, ao passo que negativas ante o iminente fechamento do Centro Universitário revelam estratégia pelo adiamento do pagamento das verbas rescisórias
Por César Fraga / Publicado em 12 de setembro de 2023

IPA inicia encerramento das suas atividades no ano de seu centenário

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

No ano em que comemorou seu centenário, o IPA, atualmente conhecido como Centro Universitário Metodista, enfrenta a mais profunda crise de sua história, com salários atrasados, imóveis leiloados, uma recuperação judicial em andamento e iminente fechamento – tese contestada pela instituição.

Soma-se a este quadro uma greve de professores. Em 22 de agosto, com mais de um mês de salários atrasados e convivendo com uma política de inadimplência salarial recorrente nos últimos anos, os docentes decidiram paralisar totalmente suas atividades.

A decisão pela greve foi tomada em assembleia do Sinpro/RS, com 94% dos votos dos participantes. E veio motivada não só pela falta de pagamento de salários, mas também pela decisão, anunciada no dia 4 de agosto, pelos administradores, sediados em São Paulo, em descontinuar cursos e de transferir alunos para outras instituições de ensino superior, mas sem demitir os professores.

Os professores ficarão paralisados até a regularização dos salários pendentes e da definição das condições de rescisão contratual dos professores com carga horária zerada e/ou residual.

Sobre o possível fechamento, não faltaram relatos de docentes e estudantes que se consideraram desrespeitados e abandonados pela instituição (leia matérias em www.extraclasse.org.br).

O segundo semestre deste ano será o último e somente para alunos que estiverem concluindo suas graduações. Os demais foram orientados a buscar transferência para instituições como PUC e Ulbra.

Para evitar custos com verbas rescisórias, a Rede Metodista manteve os docentes com carga horária reduzida.

“Nós não temos dúvida. Trata-se do fechamento do IPA. O entendimento do Sindicato dos Professores é de que as recentes medidas tomadas pela instituição representam, efetivamente, o fechamento da instituição, independentemente do eufemismo que se use. Uma instituição que transfere seus estudantes, que são seu principal ativo, para outras instituições só pode estar liquidando suas atividades. Isso não quer dizer que não possa retomar, voltar futuramente”, pondera Marcos Fuhr, da direção do Sinpro/RS.

Ao que tudo indica, segundo Fuhr, essa decisão é uma orientação da empresa de consultoria que está atuando na Recuperação Judicial, e que, aparentemente, fez uma opção pela manutenção de algumas instituições da Rede Metodista e encerramento de outras. “Infelizmente, sobre o IPA pesou a decisão de encerrar as atividades”, conclui.

Até o fechamento desta matéria, em 4 de agosto, os docentes permaneciam em greve e com os salários atrasados.

Método de fechamento é padrão na Rede Metodista

O processo de encerramento das atividades do IPA vem repetindo os mesmos passos da Rede Metodista em outras de suas instituições.

Em fevereiro de 2021, a mantenedora anunciou o fechamento dos cursos de ensino superior em três campi da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), de São Paulo. A justificativa dada foi a busca do equilíbrio financeiro e retomada do crescimento.

Os alunos receberam comunicados por e-mail informando a decisão e solicitando seu comparecimento à universidade para detalhar as “soluções alternativas”. O mesmo ocorreu com o tradicional e também centenário Colégio Bennett, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, em 2020.

Representantes da instituição disseram, em reunião com o Sinpro/RS, que as justificativas apresentadas pela mantenedora são a falta de alunos e a dificuldade de reestruturação financeira. O IPA não estaria “conseguindo dar a volta por cima” e, por isso, a decisão de suspender suas atividades.

O que diz a instituição

Após reiteradas tentativas do Extra Classe em conversar com a reitora do Centro Universitário, Vera Maciel, a assessoria se limitou a reforçar que não se trata de fechamento, mas de uma “reestruturação financeira para não haver fechamento”.  Informou, também, que está sendo preparado um material para ser anunciado em outubro sobre como funcionará o “novo IPA”, após a “reestruturação dos cursos deficitários”. De acordo com o IPA, foram “desmentidas” todas as matérias que “extraoficialmente” falaram sobre fechamento.

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