Geral
Senado aprova penas mais duras para violência sexual digital contra menores
Projeto amplia punições para crimes cometidos pela internet, endurece regras para casos com uso de…

Painel “Reforma da Previdência e futuro da aposentadoria”, coordenado por Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS teve como convidados o deputado federal Paulo Pimenta, o auditor fiscal Vilson Romero e Lírio Segala, presidente da Federação dos Metalúrgicos
Foto: Igor Sperotto
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019 representa a extinção do sistema de previdência pública e da seguridade social ao desvincular as regras de proteção social da Constituição e prever a sua regulação por leis ordinárias, além de acabar com a possibilidade de aposentadoria para grande maioria dos brasileiros, inclusive dos professores do ensino privado. Essa a ideia central da manifestação dos painelistas do Sinpro/RS Debate realizado na manhã deste sábado, 30, das 9h às 13h, no auditório Nova York do Hotel Embaixador, em Porto Alegre.

Professores e profissionais de outras categorias participaram da segunda edição do Sinpro/RS Debate
Foto: Igor Sperotto
Com o tema Reforma da Previdência e futuro da aposentadoria, o evento é uma iniciativa do Sinpro/RS, com apoio da Contee, FeteeSul e CUT-RS. “Extensão do tempo de aposentadoria para todos os trabalhadores, fim do FGTS e da multa rescisória para os trabalhadores ativos após a aposentadoria, prejuízos maiores para as mulheres e para os professores, regime da capitalização substituindo o de repartição, contribuição restrita aos próprios trabalhadores e gestão desses recursos pelos bancos e seguradoras, desoneração dos empregadores e do Estado brasileiro com relação à Previdência Social, fim do sistema de seguridade social”, enumerou o diretor do Sinpro/RS, Marcos Fuhr, na abertura do evento.
“Por tudo isso, o assunto é da maior relevância e do interesse dos professores e de toda a sociedade. Para debater as nossas avaliações preliminares, estamos promovendo essa segunda edição do Sinpro/RS Debate. Que as falas dos nossos convidados sirvam para o esclarecimento e o engajamento de todos na luta pela preservação da seguridade social, em defesa de uma vida digna para os brasileiros quando o seu trabalho já não puder mais prover sua subsistência”, ressaltou.
Durante o evento, o Sindicato apresentou a campanha Reforma da Previdência: Não acaba com privilégios, acaba com a sua aposentadoria.

Romero: “Nós sabemos que há necessidades de ajustes na Previdência, mas há uma enormidade de ralos que não são solucionados por essa reforma”
Foto: Igor Sperotto
O painel de abertura do Sinpro/RS Debate colocou em pauta a disputa do mercado financeiro pelo orçamento da Previdência com o tema Reforma da Previdência: necessidade ou interesse, coordenado pela professora Cecília Farias, diretora do Sindicato. O jornalista e auditor fiscal aposentado Vilson Romero, da coordenação da Frente Gaúcha em Defesa da Previdência, destacou a campanha massiva promovida pelo governo nos meios de comunicação que “atordoa” os trabalhadores, mas não revela “as crueldades” contidas na proposta. Ele qualificou a proposta de reforma previdenciária enviada pelo governo à Câmara de “PEC 006, Licença para matar” e fez uma retrospectiva histórica de episódios que oneraram e retiraram recursos do sistema previdenciário.
Romero, que participou dos trabalhos da CPI da Previdência e foi um dos proponentes do Congresso Nacional da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social quando presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), de 2015 a 2017, atualmente é um dos coordenadores dos Estudos Socioeconômicos da Anfip a direção da Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais da Receita Federal – Leia entrevista. “Nada nesse país foi tão saqueado ao longo dos últimos 90 anos quanto a Previdência, que teve seus recursos utilizados por governos na construção de Brasília e na ponte Rio-Niterói, por exemplo, e na criação de estatais como a CSN. Quando essas estatais foram privatizadas, os recursos não voltaram para o sistema previdenciário”. Um levantamento do Inep mostrou que de 1966 a 1999, foram desviados R$ 400 bilhões da Previdência, o equivalente a R$ 1,5 trilhão na atualidade.

Segala, da Federação dos Metalúrgicos: “Nosso desafio é fazer com que o trabalhador se enxergue dentro da Previdência”
Foto: Igor Sperotto
“Nós sabemos que há necessidades de ajustes na Previdência, mas há uma enormidade de ralos que não são solucionados por essa reforma”, explicou. Um exemplo é a sonegação fiscal. “Em 2007, a Receita Federal tinha 4.180 fiscais, hoje não há mais que 600 pessoas voltadas para combater a sonegação, a inadimplência e os desvios na Previdência”, ilustrou. Segundo Romero, a recuperação de ativos pelo sistema oscila em 1,5% ao ano, ao passo que a sonegação aumenta 16% ao ano. Ao concluir, lembrou que o sistema beneficia 112 milhões de pessoas e poderá ser extinto em nome dos interesses “de meia dúzia de banqueiros”. “A capitalização e a desconstitucionalização representam o fim da Previdência”, alertou.
Em sua exposição, Lírio Segala, presidente da Federação dos Metalúrgicos, afirmou que a maioria dos trabalhadores não tem consciência em relação ao conteúdo da reforma, estão sendo enganados, e que o projeto deixa muitas questões em aberto para serem resolvidas por leis ordinárias. “Temos pouco espaço para explicar para os trabalhadores o que vai acontecer, como vai ficar a sua aposentadoria com essa reforma. As pessoas não querem ouvir, porque estão contaminadas com o discurso da mídia oficial que sustenta que a Previdência dá prejuízo e que a reforma vai atacar privilégios. Nós vivemos em um país de miseráveis. E se for aprovada a reforma da Previdência, seremos um país de indigentes, de velhos doentes, sem condições mínimas de sobrevivência. E muitas vezes é difícil fazer com que as pessoas entendam isso”, desabafou, relatando a postura da maioria quando abordada pelas lideranças sindicais. De acordo com o dirigente, o movimento sindical está ampliando a mobilização para que os trabalhadores tenha acesso ao conteúdo da reforma, por meio de plenárias, manifestações e atos públicos. Ele destaca que a apatia de grande parte da população está relacionada ao fato de que, assim como a reforma trabalhista, a mudança nas regras da Previdência terá um impacto de médio e longo prazo na vida das pessoas. “Nosso desafio é fazer com que o trabalhador se enxergue dentro da Previdência”, disse.

Pimenta: “A Previdência é o grande filé para o capital financeiro”
Foto: Igor Sperotto
O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), lembrou que a PEC 06/2019 está inserida em um contexto de reestruturação do capital internacional, que abandonou as guerras para investir no domínio dos recursos naturais, petróleo, água energia, terra para produzir alimentos, e novos mercados que se abrem com as privatizações. “No Brasil, assim como na América Latina, o grande capital enxerga um território rico em recursos naturais, um mercado extraordinário a ser explorado, que vale trilhões de reais, na área da saúde, da educação. A Previdência é o grande filé”, resumiu. Isso explica a proposta de entregar a previdência dos brasileiros nas mãos dos bancos sob o argumento de que o sistema é deficitário. “O debate sobre uma política de seguridade social não pode ser de natureza fiscal. A previdência não é o caminho para encontrar o caminho do equilíbrio das contas públicas, como não é a saúde, como não é a assistência social. Isso é o pacto da Constituição de 1988”. O parlamentar explicou que orientou a bancada a não apresentar propostas de emendas ao projeto da reforma da Previdência, que considera uma armadilha em todo o seu conteúdo. “Não adianta passar perfume em porco”, comparou.

Câssio Bessa, diretor do Sinpro/RS, coordenou a mesa do painel “As perspectivas de aposentadoria dos professores”, com a economista Anelise Manganelli (E) e os advogados Tiago Kidnick e Diana dos Santos
Foto: Igor Sperotto
CHEQUE EM BRANCO – O segundo painel do Sinpro/RS Debate abordou o tema As perspectivas de aposentadoria dos professores, sob a coordenação de Cássio Bessa, diretor do Sindicato. Em sua apresentação, a economista do Dieese Anelise Manganelli projetou a comparação de aposentadorias pelo sistema em vigor e como seriam após uma eventual reforma do sistema. Ela alertou para o desconstitucionalização contida na proposta. “A reforma é um cheque em branco ao legislador. Joga todo o sistema para a regulamentação por leis complementares. A PEC repete 67 vezes o termo Lei Complementar”, ilustrou.
A advogada previdenciária Diana Lunardi dos Santos, ao analisar os impactos da reforma para os professores, reforçou as críticas à desconstitucionalização das regras de proteção social pactuadas na Constituição de 1988 e destacou que as mudanças previstas na PEC 06/2019 não são do conhecimento da sociedade. “Hoje nós conseguimos um mínimo de mobilização porque a infraconstitucionalização das regras da Previdência torna a Lei mais difícil de alterar. Com a reforma, acordaremos no dia de amanhã sem saber o que está acontecendo com a nossa aposentadoria. Isso não está sendo debatido na grande mídia, que está abordando aspectos secundários e a população não sabe o que está acontecendo”, sintetizou.
Foto: Igor Sperotto
No painel de encerramento do evento, o advogado Tiago Kidnick, presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA), destacou que “não vela a pena lutarmos em separado por uma categoria no texto da reforma da Previdência, porque todos são afetados”. O advogado projetou exemplos de aposentadorias de trabalhadores privados e do setor público com base nas mudanças previstas no projeto e demonstrou as dificuldades impostas pelas regras de transição: “é uma regra de transição para inglês ver”, criticou. “A regra de transição sempre foi uma coisa muito importante para nós advogados, porque é o respeito na expectativa de direito, à contribuição, ao plano de vida de uma pessoa. O que eles estão mostrando com esse texto é que não têm respeito pelo trabalho e pela expectativa de direito dos trabalhadores”, destacou.