Justiça
Nova decisão da Justiça amplia possibilidade de revisão do valor da aposentadoria do professor
Entendimento da Turma Nacional de Uniformização expande segurança jurídica sobre contribuições relacionadas ao tempo fora…

Associação requer que a PGR ofereça denúncia contra Bolsonaro no STF por crimes previstos no Código Penal: risco à saúde pública, omissão, infração de medida sanitária, emprego irregular de verbas públicas e prevaricação
Foto: Alan Santos/PR
A Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico Brasil) protocolou junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação criminal contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por negligência em relação à pandemia. Até esta quarta-feira, 9, a covid-19 provocou a morte de 477.307 pessoas. Essa é a primeira ação coletiva de vítimas e familiares no Brasil e a segunda no mundo – em junho de 2020 um pedido de responsabilização semelhante foi feito na Itália.
A Avico requer que a PGR ofereça denúncia contra o presidente Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes previstos nos Artigos 132 (“Perigo para a vida ou saúde de outrem”), 257 (“Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento”), 268 (“Infração de medida sanitária preventiva”), 315 (“Emprego irregular de verbas ou rendas públicas”) e 319 (“Prevaricação”), todos do Código Penal.
A representação traz fartos argumentos que comprovam que, apesar das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de cientistas, o presidente Bolsonaro tomou decisões que colocaram deliberadamente em risco a vida e inclusive levaram brasileiros à morte por covid-19.
Entre as ações do presidente que podem ser enquadradas em crime, de acordo com a representação, estão a ineficiência na condução da vacinação, estímulo ao tratamento precoce de ineficácia comprovada com o “kit covid”, estímulo a aglomerações e à propagação de informações mentirosas e gestão autoritária do Ministério da Saúde.
O documento de 33 páginas conclui que é possível afirmar que a postura de Bolsonaro diante da pandemia “evidencia uma estratégia federal cruel e sangrenta de disseminação da Covid-19, perfazendo um ataque sem precedentes aos direitos humanos no Brasil”.
A representação da Avico é resultado da indignação de quem se infectou com covid-19 ou teve parentes e pessoas conhecidas que morreram por causa da doença e que acreditam que é urgente fazer mais do que apenas lamentar as mortes e sequelas nas bolhas da Internet, ressalta a entidade. “São aqueles e aquelas que não encontram apoio para fazer seu luto, nem para se curar de suas consequências”.
As ações condenáveis do presidente Bolsonaro, amplamente descritas e comprovadas na representação, afetaram direta ou indiretamente toda a população brasileira porque, sem vacina, não é possível retomar atividades de trabalho, educação e cultura com segurança.
A Avico lembra ainda que a alta demanda das UTIs e das unidades de saúde básica por conta da pandemia prejudicou também quem não tem covid-19, mas precisa de tratamento. E que a falta de oxigênio colocou nos noticiários o drama das vítimas, sem punição dos responsáveis.
“Acreditamos na força do enfrentamento comunitário da pandemia. O surto histórico e suas consequências devem ser discutidas pela sociedade civil. Precisamos nos apropriar dos espaços, opinar, exigir, e a Avico é um canal para nos organizarmos e sermos ouvidos”, afirma Gustavo Bernardes, presidente da Associação. “A representação criminal é a primeira de uma série de ações que visa a assegurar o apoio jurídico, social e psicológico para as vítimas sobreviventes e familiares de vítimas da covid-19”, acrescenta.