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Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a empresa responsável pela obra apresentou resistência inicial à entrada da fiscalização. O acesso ao local só ocorreu após o acionamento da Polícia Civil e da Polícia Federal
Foto: SRTE-RS/Divulgação
A Auditoria-Fiscal do Trabalho interditou as atividades de instalação, montagem e testes de gruas da empresa Soima Brasil Indústria e Comércio Ltda. após o falha e colapso de um equipamento em um canteiro de obras, em Pelotas, RS, que matou três trabalhadores. A fiscalização também interditou as atividades da IAS Locmont Ltda., responsável pelos testes do equipamento, e determinou o embargo da obra. A auditoria integra a Superintendência Regional do Trabalho/Ministério do Trabalho
O acidente ocorreu em 26 de março, no empreendimento habitacional Bosque da Figueira, no bairro Fragata. A grua, recém-instalada e ainda em fase de testes, tombou durante uma operação de içamento de carga. Quatro trabalhadores participavam da atividade e parte da equipe estava sobre a estrutura no momento do colapso. Três morreram e um sobreviveu.
A ação fiscal começou na manhã seguinte ao acidente. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a empresa responsável pela obra apresentou resistência inicial à entrada da fiscalização. O acesso ao local só ocorreu após o acionamento da Polícia Civil e da Polícia Federal.
A Norma Regulamentadora nº 18, que trata da segurança e saúde na indústria da construção, estabelece que o empregador deve garantir o acesso da fiscalização em casos de acidentes fatais e preservar o local até a liberação por Auditor-Fiscal do Trabalho.
A análise preliminar indica que a grua passava por testes de pré-operação no momento do colapso. O equipamento sofreu aparente sobrecarga, tombou e provocou a queda dos trabalhadores que atuavam em altura.
Durante a inspeção, os auditores também identificaram outras irregularidades no canteiro, sem relação direta com o acidente, como andaimes sem proteção adequada, falhas na montagem de estruturas provisórias, risco de queda em altura e pontas de vergalhões expostas.
Diante da gravidade do caso e das irregularidades constatadas, a Auditoria-Fiscal do Trabalho manteve a interdição das atividades relacionadas às gruas, suspendeu os trabalhos da empresa responsável pelos testes e embargou a obra até a adoção de medidas corretivas e a comprovação de condições seguras.
As investigações seguem em andamento para apurar as circunstâncias e as responsabilidades pelo acidente.