EDUCAÇÃO

Mentor do “Não Demita”, demite em massa professores no Brasil

Ânima Educação, grupo com mais de 140 mil alunos, dispensa professores pela internet e provoca polêmica. Presidente do Conselho de Administração da instituição criou o movimento Não Demita
Por Marcelo Menna Barreto / Publicado em 20 de julho de 2020

Foto: Rede Globo/Reprodução

Daniel Castanho, fundador e presidente do Conselho de Administração do Ânima, em entrevista sobre a campanha Não Demita

Foto: Rede Globo/Reprodução

Apesar de não ser recomendado por especialistas de Recursos Humanos, sexta-feira é ainda para muitos gestores uma data para demissão. Foi o que aconteceu no último dia 17 para professores do Ânima Educação. Convocados por e-mail para uma “reunião de trabalho” na plataforma Google Meet, os docentes receberam a notícia de um diretor de unidade e uma representante da área de Gestão de Pessoas do grupo.

Até o momento, o números de professores dispensados na última sexta-feira pelo Ânima é incerto. Segue, no entanto, uma tendência iniciada em junho pela maior instituição mantida pelo conglomerado Ânima, que está presente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Sergipe. Na ocasião, 150 docentes também foram demitidos on-line na Universidade São Judas, de São Paulo.

Reclamações em posts nas redes sociais, no entanto, indicam que os desligamentos atingiram unidades em Minas Gerais, Bahia e Sergipe.

Thales Brandão, mestre em Comunicação e Sociedade, é um dos que registrou sua insatisfação. Ele lecionava na Ages há onze anos e disse que foi afastado antes da conclusão do processo de defesa de monografia de seus alunos do curso de Administração. “A Ânima Educação, rasga a sua missão e desrespeita os discentes em um momento de consolidação do conhecimento adquirido ao longo de todo o curso universitário”, declara.

O Ânima entrou no Nordeste no segundo semestre de 2019 quando comprou a Ages por R$ 200 milhões. São sete unidades acadêmicas (um Centro Universitário e seis Faculdades). Cinco na Bahia (Paripiranga, Jacobina, Senhor do Bonfim, Tucano e Irecê) e uma em Sergipe, no município de Lagarto, onde Brandão trabalhava. Eram oito. Em 1o de junho, a unidade da cidade de Jeremoabo, BA, foi fechada e todo o quadro docente foi demitido.

A tendência e a ironia

Imagem: Divulgação

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Os acontecimentos no Ânima seguem uma tendência de outras empresas educacionais. Em 22 de junho passado, a paulista Uninove pegou 300 de seus professores de surpresa quando ao acessar os sistema da universidade foram notificados para dar baixa em suas carteiras de trabalho e devolver suas credenciais.

Já a Laureate, após substituir processos de correção de trabalhos por robôs em sua modalidade EaD, também demitiu professores.

No dia em que promoveu seus novos cortes, o Ânima promoveu o evento virtual Ressignificando Carreiras de forma gratuita e com a realização de sorteios de cards para streaming de vídeos, áudios e jogos.

Com a participação de Marcelo Tas e outros “convidados especiais”, o evento motivacional também contou com a presença do fundador e presidente do Conselho de Administração do Ânima, Daniel Castanho. Castanho foi um dos mentores do movimento Não Demita.

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