Política
PEC do fim da 6×1: Recesso no Senado começa em 18 de julho
Aprovada em 27 de maio na Câmara, matéria que propõe o fim da 6x1 ainda…

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
As propagandas de empresas de apostas esportivas e jogos on-line, conhecidas como bets, terão de seguir regras mais rígidas a partir de 17 de julho. As novas medidas foram anunciadas pelo Ministério da Fazenda e buscam reduzir práticas consideradas abusivas de publicidade, ampliar a proteção aos consumidores e reforçar o combate às empresas que atuam de forma irregular. As regras serão publicadas por meio de duas portarias da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), uma delas em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A principal novidade é que toda publicidade de empresas autorizadas deverá trazer mensagens de advertência semelhantes às utilizadas em campanhas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos. Os anúncios deverão apresentar uma das seguintes frases: “Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”; “Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência”; ou “Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento”. As novas regras são uma resposta ao crescimento dos casos de dependência em apostas, conhecida como ludopatia, e ao endividamento de milhares de brasileiros.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, o objetivo é conscientizar a população sobre os riscos financeiros e os problemas relacionados ao jogo compulsivo. “É preciso deixar claro que apostar não é uma forma de investimento nem uma maneira de enriquecer”, afirmou durante o anúncio das medidas.
Recentemente o programa governamental Desenrola Adimplentes adotou como contrapartida o bloqueio do CPF de beneficiários da nova fase do programa de renegociação de dívidas do Governo Federal em sites de aposta por seis meses. O bloqueio nas plataformas de bets também vale para participantes do Fies Empreendedor, lançados em 29 de junho.
As novas regras também estabelecem uma série de restrições ao marketing das empresas de apostas.
Ficam proibidas campanhas que:
De acordo com o governo, a intenção é impedir que estratégias de comunicação transmitam a falsa impressão de que apostar é uma atividade segura ou financeiramente vantajosa.
Durigan afirmou que comentaristas esportivos e analistas não poderão usar sua posição de autoridade para recomendar apostas ou sugerir quais seriam as “melhores opções” de jogo. Segundo ele, esse tipo de abordagem pode induzir consumidores ao erro ao conferir aparência de respaldo técnico a uma atividade baseada em risco.
As restrições também reforçam o cerco às plataformas que operam sem autorização no Brasil. A publicidade dessas empresas continua proibida, e veículos de comunicação, plataformas digitais e agências de publicidade também poderão ser responsabilizados caso divulguem anúncios de operadores ilegais.
O Ministério da Fazenda informou que, desde o início da regulamentação do setor, cerca de 56 mil sites ilegais já foram retirados do ar e aproximadamente mil perfis de influenciadores foram derrubados por promoverem apostas irregulares. Segundo o governo, também houve a autoexclusão de cerca de 1 milhão de apostadores enquadrados nas restrições previstas pela legislação.
As operadoras que descumprirem as novas regras estarão sujeitas a sanções administrativas.
Entre as penalidades previstas estão:
Entenda
As bets passaram a ser regulamentadas no Brasil pela Lei nº 14.790, de 2023, após anos de funcionamento do mercado sem normas específicas. Desde então, o Ministério da Fazenda vem publicando regras para autorização, fiscalização e proteção dos consumidores. As novas portarias aprofundam esse processo ao estabelecer limites mais rigorosos para a publicidade das empresas autorizadas e ampliar o combate ao mercado ilegal de apostas.